É UM ABSURDO CRER NA PRESENÇA REAL DE CRISTO NA EUCARISTIA?

Desde o início da Igreja primitiva, os cristãos sempre manifestaram, seja de forma oral ou escrita, a presença real do corpo de Cristo nas espécies do pão e do vinho. Vários são os exemplos que encontramos nos mais diversos textos que comprovam essa fé, não só na patrística, mas sim, nas sagradas escrituras.  O apóstolo São Paulo em sua primeira carta aos Coríntios (escrita por volta do ano 55 d.C), já afirmava que o cálice abençoado é a “comunhão com o próprio sangue de Cristo”, assim como o pão partido fazia do cristão, comungar do próprio “corpo do Senhor” (1 Cor 10,16). Em outras passagens da mesma epístola, o apóstolo dos gentios afirma que aquele que come do pão e bebe do cálice indignamente, torna-se réu de sua própria condenação (1 Cor 11,27-29). Muitos ali, já haviam morrido e São Paulo diz que esse “castigo” deve-se ao fato de alguns não discerniram o corpo do Senhor (1 Cor 11,30-31). No evangelho segundo São João, o próprio Jesus lançou os fundamentos que seriam concretizados pela própria Igreja:

Jo 6,55 – “Pois a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele”.

Santo Irineu de Lião (130-202 d.C) em sua obra intitulada “Contra as Heresias” afirma:

“Quanto a nós, nossa maneira de pensar está de acordo com a Eucaristia e a Eucaristia confirma nossa doutrina. Pois lhe oferecemos o que já é seu, proclamando como é justo, a comunhão e a unidade da carne e do Espírito. Assim como o pão que vem da terra, ao receber a invocação de Deus, já não é pão comum, mas a Eucaristia, feita de dois elementos, o terreno e o celeste, do mesmo modo os nossos corpos, por receberem a Eucaristia, já não são corruptíveis por terem a esperança da ressurreição”. [1]

Assim como Santo Inácio de Antioquia (35-107 d.C), em suas epístolas (Efésios e Esmirniotas), enfatiza que a eucaristia é o remédio para a imortalidade:

“Sobretudo se o Senhor me revelar que cada um e todos em conjunto, na graça que provém do seu nome, vos reunirdes na mesma fé em Jesus Cristo da descendência de Davi segundo a carne, filho de homem e filho de Deus, para obedecer ao bispo e ao presbitério, em concórdia estável, partindo o mesmo pão, que é remédio de imortalidade, antídoto para não morrer, mas para viver em Jesus Cristo para sempre” [2].

“Eles sem mantêm distantes da Eucaristia e dos serviços de oração, porque se recusam a admitir que a Eucaristia seja o corpo de nosso Salvador Jesus Cristo, que sofreu por nossos pecados e que em sua bondade, o Pai ressuscitou (dos mortos)” [3].

São Justino de Roma (100 a 165 d.C), segue a mesma linha ao dizer:

“Este alimento se chama entre nós Eucaristia, da qual ninguém pode participar, a não ser que creia serem verdadeiros nossos ensinos e se lavou no banho que traz a remissão dos pecados e a regeneração e vive conforme o que Cristo nos ensinou. De fato, não tomamos essas coisas como pão comum ou bebida ordinária, mas da maneira como Jesus Cristo, nosso Salvador, feito carne por força do Verbo de Deus, teve carne e sangue por nossa salvação, assim nos ensinou que, por virtude da oração ao Verbo que procede de Deus, o alimento sobre o qual foi dita a ação de graças – alimento com o qual, por transformação, se nutrem nosso sangue e nossa carne – é a carne e o sangue daquele mesmo Jesus encarnado. Foi isso que os Apóstolos nas memórias por eles escritas, que se chamam evangelhos, nos transmitiram que assim foi mandado a eles” [4]

Frente a tantos testemunhos, há em nossa era atual, certo desconforto por parte de muitos cristãos que caracterizam tal milagre como “absurdo” e “impossível”. Muitos desconhecem a patrística que narra tal crença na Igreja primitiva, outros, ainda que saibam, creditam isso (milagre) a um mero simbolismo. Entretanto, se para os primeiros padres a eucaristia é o “antídoto contra a morte” e se para São Paulo o cálice abençoado é a “comunhão com o próprio sangue de Cristo”, por qual motivo, muitos não creem?

Um dos fatores mais curiosos que tenho presenciado por parte de alguns cristãos, é a falta de fé frente a milagres. Acreditar na presença real de Jesus Cristo nas espécies do pão e do vinho não é um absurdo, ao contrário, significa absorver que a fé cristã é baseada em milagres e a instituição da eucaristia como um sacramento vivo da presença do Senhor, nada mais é que a consolidação da unidade da Santa Igreja Católica.

Se muitos pensam que o milagre eucarístico, não passa de mera especulação teológica, o que dizer dos mais variados sinais atribuídos a Cristo em toda a narrativa evangélica? Sendo assim, seria também um absurdo acreditar nos milagres realizados por Jesus, tais como:

  • Mudança de água para vinho (Jo 2,1-11); 
  • Cura do filho de um funcionário real (Jo 4,46-54);
  • Cura de um paralítico na piscina de Betesda (Jo 5,1-9);
  • Cura de um cego de nascença (Jo 9,1-41);
  • Multiplicação dos pães para mais de cinco mil pessoas (Jo 6,1,15);
  • Caminhada de Jesus sobre o mar (Jo 6,16-21);
  • Ressurreição de Lázaro após a sua morte (Jo 11,1-44);
  • Exorcismo de um homem dominado por demônio (Lc 4,33-35);
  • Cura da sogra de Pedro (Lc 4,38-39);
  • Cura de um leproso (Lc 5,12-13);
  • Cura de um paralítico (Lc 5,17-25);
  • Cura de um homem de mão aleijada (Lc 6,6-10);
  • Cura de um empregado do oficial romano (Lc 7,1-10);
  • Ressuscitou o filho da viúva de Naim (Lc 7,11-15);
  • Acalmou uma tempestade (Lc 8,22-25);
  • Curou um homem dominado por legião de demônios (Lc 8,27-35);
  • Curou a filha de Jairo (Lc 8,41-56);
  • Cura de uma hemorroíssa (Lc 8,40-56);
  • Cura de um menino endemoniado (Lc 9,38-43);
  • Exorcismo de um “demônio mudo” (Lc 11,14);
  • Cura da mulher encurvada (Lc 13,11-13);
  • Cura de um hidrópico (Lc 14,1-6);
  • Cura de dez leprosos (Lc 17,11-19);
  • Cura de um mendigo cego (Lc 18,35-43);
  • Curou a orelha cortada do empregado do Sumo Sacerdote (Lc 22,50-51);
  • Curou dois cegos (Mt 9,27-31);
  • Curou a filha endemoniada da mulher Cananeia (Mt 15,21-28);
  • Alimentou mais de quatro mil pessoas (sem contar mulheres e crianças) com apenas sete pães e alguns peixes (Mt 15,32-38);
  • Curou um surdo-mudo (Mc 7,31-37);
  • Curou um cego (Mc 8,22-26).

A maior característica do cristianismo é o milagre! Como dizer que é um absurdo crer na transubstanciação, quando toda a vida de Jesus é puramente feita de sinais? A nossa conversão já e o milagre atuante em nossas vidas! Enquanto Cristo pregava o seu reino, muitos foram os que duvidaram de seus milagres, de suas ações e do seu precioso amor, porém, Ele morreu e ressuscitou e esse grandioso milagre, desafiou todas as regras humanas de nossa existência! O milagre eucarístico acontece, pois, como filhos de Deus, necessitamos dessa continuidade, até que o Senhor retorne e leve para si a sua Igreja.

Creia no milagre!

“Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-vos. Peço-vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não vos amam”.  

BIBLIOGRAFIA

[1] Editora Paulus, Santo Irineu, Contra as Heresias – livro 4; 18,5.
[2] Editora Paulus, Padres Apostólicos, Santo Inácio de Antioquia – Epístola aos Efésios 20,2.
[3] Editora Paulus, Padres Apostólicos, Santo Inácio de Antioquia – Epístola aos Esmirniotas 7,1.
[4] Editora Paulus, Justino de Roma, I Apologia 66,1-3

Escrito por: Érick Augusto Gomes



Categorias:Eucaristia

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