SANTA EUCARISTIA

“Eis o mistério da fé: Todas as vezes que comemos deste pão e bebemos deste cálice, anunciamos Senhor a vossa morte enquanto esperamos vossa vinda”.

A Eucaristia está no centro da vida do cristão católico. Desde a instituição do sacramento pelo próprio Cristo, a Igreja Católica tem perpetuado e mantido através dos séculos, a oportunidade do crente de participar do banquete do cordeiro. Além da graça sacramental obtida no ato da comunhão, à vivência desse momento, renova a esperança na vinda do Salvador e nos faz coparticipantes de suas dores. É como se nós estivéssemos vivendo os últimos momentos de Jesus, juntos dEle.  A palavra “eucaristia” é a derivação de uma palavra grega cujo significado é “ação de graças”. É comum encontrarmos, desde o início da Igreja, muitas referências dos padres apostólicos sobre o mistério eucarístico. Santo Inácio, Bispo de Antioquia (35-107 d.C), ao escrever aos cristãos esmirniotas sobre alguns hereges, diz:

“Eles se mantêm distantes da Eucaristia e dos serviços de oração, porque se recusam a admitir que a Eucaristia seja o corpo de nosso Salvador Jesus Cristo, que sofreu por nossos pecados e que em sua bondade, o Pai ressuscitou (dos mortos)” [1]

Ao escrever aos cristãos de Éfeso, o mesmo Bispo diz:

“Sobretudo se o Senhor me revelar que cada um e todos em conjunto, na graça que provém do seu nome, vos reunirdes na mesma fé em Jesus Cristo da descendência de Davi segundo a carne, filho de homem e filho de Deus, para obedecer ao bispo e ao presbitério, em concórdia estável, partindo o mesmo pão, que é remédio de imortalidade, antídoto para não morrer, mas para viver em Jesus Cristo para sempre” [2]

Desde a antiguidade, o momento eucarístico é a vivência da plenitude da fé, onde, o cristão católico tem a grandiosa oportunidade de celebrar junto de toda a Igreja, o sacrifício de Nosso Senhor na forma “incruenta”. Infelizmente, muitas ramificações que se separaram da Igreja Católica, não acreditam neste mistério de fé instituído pelo próprio Cristo que com suas palavras, deixou aquilo que deveríamos celebrar eternamente até a sua vinda:

Mc 14,22-24 – E, comendo eles, tomou Jesus pão e, abençoando-o, o partiu e deu-lho, e disse: Tomai, comei, isto é meu corpo. E, tomando o cálice, e dando graças, deu-lho; e todos beberam dele. E disse-lhes: isto é o meu sangue, o sangue do novo testamento, que por muitos é derramado.

A renovação desse sacrifício contempla as promessas de Jesus manifestada por ele próprio, nos evangelhos:

Mt 28,20 – “Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos

Dentro da literatura bíblica, é possível analisar que o “pão” e o “vinho” são elementos que transcendem tanto o velho testamento como o novo. Melquisedeque, sacerdote e rei de Salém, foi o primeiro personagem a oferecer um sacrifício a Deus através dessas duas espécies.

Gn 14,18 – “E Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; e era este sacerdote do Deus Altíssimo”.

Sendo assim, nosso Senhor é chamado pelo escritor da epístola aos Hebreus de “sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque”. E por qual motivo? Pelo fato de que seu corpo, presente nas espécies do pão e do vinho, foi entregue como sacrifício vivo perante Deus a fim de que os pecados da humanidade fossem perdoados.

Hb 6,20 – “Onde Jesus, nosso precursor, entrou por nós, feito eternamente sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque”.

Dessa forma, a fim de proclamar seu marco histórico e perpetuá-lo por todos os séculos, na noite em que foi traído, Jesus Cristo instituiu o que conhecemos desde os primeiros séculos por Eucaristia. Esse alimento vivo que transforma e fortifica verdadeiramente, é o corpo e sangue do nosso Deus. No evangelho segundo João, conseguimos entender claramente a missão de Jesus que seria findada na Cruz e por consequência, a posterior instituição do santo Sacramento Eucarístico:

Jo 6,53-57 – “Jesus, pois, lhes disse: Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai que vive me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim”.

Muitos dos quais que duvidam do milagre eucarístico, não conseguem ir além nesta passagem e perceber a grande mensagem que Jesus nos concede, vivenciando através de fortes palavras que aquele que “come do seu corpo” e “bebe do seu sangue”, possui vida em abundancia, pois, permanece em Deus e Deus permanecerá para sempre nele.

São diversos os testemunhos primitivos que encontramos a respeito da crença de que Cristo estava presente nas espécies do Pão e Vinho. O próprio apóstolo São Paulo, ao escrever sobre a santa ceia, afirma em sua carta aos coríntios que por não se tratar de uma simples memória, devemos ter consciência de que se comemos e bebemos é para o nosso bem e se tomamos indignamente é para nossa condenação:

1 Cor 11,27-29 – “Portanto, qualquer que comer este pão, ou beber o cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice. Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor”.

Outros documentos atestam a crença católica a respeito da eucaristia. O Didaqué que é um manuscrito do primeiro século (instrução dos doze apóstolos – 80/90 d.C) deixa-nos algumas informações a respeito da santa comunhão:

Que ninguém coma nem beba da eucaristia sem antes ter sido batizado em nome do Senhor, pois sobre isso o Senhor disse: “Não deem as coisas santas aos cães” [3].

Santo Irineu de Lião (130-202 d.C), pai da Igreja antiga e um dos responsáveis por grandiosa obra contra os gnósticos de seu tempo (Contra as Heresias), com sua profunda teologia e espiritualidade cristã, escreve sobre a santa eucaristia:

Como ainda podem afirmar que a carne se corrompe e não pode participar da vida, quando ela se alimenta do corpo e sangue do Senhor? Então, ou mudam sua maneira de pensar ou se abstenham de oferecer as ofertas de que falamos acima. Quanto a nós, nossa maneira de pensar está de acordo com a Eucaristia e a Eucaristia confirma nossa doutrina. Pois lhe oferecemos o que já é seu, proclamando, como é justo, a comunhão e a unidade da carne e do espírito. Assim como o pão que vem da terra ao receber as invocações divinas de Deus, já não é pão comum, mas a Eucaristia, feita de dois elementos, o terreno e o celeste, do mesmo modo os nossos corpos, por receberem a Eucaristia, já não são corruptíveis por terem a esperança da ressurreição” 

Desta forma, podemos crer com total verdade que a eucaristia fortifica a alma, o corpo e concede-nos de modo vivo, à renovação do santo sacrifício de Nosso Senhor que por nós, se entregou para que tenhamos vida e vida em plenitude.

BIBLIOGRAFIA

[1] Editora Paulus, Padres Apostólicos, Santo Inácio de Antioquia – Epístola aos Esmirniotas 7,1.
[2] Editora Paulus, Padres Apostólicos, Santo Inácio de Antioquia – Epístola aos Efésios 20,2.
[3] Editora Paulus, Padres Apostólicos, Didaqué 9,20
[4] Editora Paulus, Santo Irineu, Contra as Heresias – livro 4; 18,5.

Escrito por: Érick Augusto Gomes



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