EM DEFESA DA BÍBLIA CATÓLICA

INTRODUÇÃO

Acessando a página “caiafarsadocaiafarsa” em uma mídia social, deparei-me com algumas indagações questionando a veracidade dos livros deuterocanônicos.

Como atrás de toda mentira, há sempre falsas informações compartilhadas como verdade, resolvi por bem, trazer as peguntas para que você leitor, tenha as ferramentas necessárias para defender a santa fé católica (1 Pd 3,15).

Através desse artigo, você entenderá o porquê a versão grega, sempre esteve presente em toda a trajetória da Igreja: primitiva, alta e baixa idade média, moderna, contemporânea e na atualidade.

OBS: às perguntas estarão em vermelho.

1) – Por que Gregório que era papa em 600 A.D. rejeitou os apócrifos?

O Papa Gregório exerceu seu pontificado entre os anos 592 até 604. O texto que o autor supõe em que o Bispo de Roma tivesse “rejeitado” os deuterocanônicos, encontra-se em sua obra “Moralia in Job (Moral em Jó)“, sendo que seu início se deu no ano de 578;

Gregório escreve:

Moralia In Job, Parte IV, Livro XIX, 34 – “Com especial referência a que não estamos agindo de forma irregular, se a partir dos livros, embora não canônicos, mas publicados para edificação da Igreja, nós apresentamos o testemunho. Assim Eleazar na batalha feriu e derrubou um elefante, mas morreu sob a própria besta que o matou (1 Macabeus 6,46)”. 

Com essa afirmação, é necessário entender que para a Igreja Católica, nem sempre aquilo que é dito canônico significa necessariamente aspecto de inspiração. Muitas vezes, alguns livros estavam integrados as sagradas escrituras, mas, não faziam parte do “cânon litúrgico“, isto é, estavam na bíblia, mas, não eram lidos nos ofícios da comunidade. Percebam que Gregório não diz que Macabeus não era inspirado e sim, “não canônico” o que poderia supostamente levar-nos a pensar que ele falava a respeito da canonicidade para a liturgia. Um fato que corrobora com essa afirmação é que quando o Papa escreveu essa obra, o mesmo ainda não era bispo de Roma (578) e por estar em Constantinopla, o livro dos Macabeus poderia não fazer parte do “cânon litúrgico“. Do contrário, não teríamos inúmeras citações nomeando os deuterocanônicos de escrituras, isto é, quando o Papa Gregório cita da “não canonicidade” de Macabeus, ele menciona o aspecto litúrgico e não o agregado de livros inspirados.

Observemos as seguintes citações:

Ibidem, Parte VI, Livro XXXI, 87 – O orgulho é, claro, a raiz de todo mal, de que é dito, como a Escritura testemunha: O orgulho é o começo de todo pecado’. (Eclesiástico 10, 26)”

ibdem Parte V, Livro XXVI, 27 – […] é dito pela Sagrada Escritura: ‘Não se torne como o cavalo e a mula que não têm entendimento’ (Salmo 31, 9). O esforço orgulhoso deste último é responsabilizado quando se diz: Não procures o que é elevado demais para ti, e não procures penetrar nas coisas acima da tua capacidade’ (Eclesiástico 3, 22). 

Ibidem, Parte 1, Livro 4, 3 – Por isso é que, com dificuldade o descanso eterno é atingido pelos poderosos que estão cercados por exércitos inumeráveis ​​de vassalos e encarregados com a mente cheia de uma grande variedade de preocupações. A respeito, a Escritura diz: ‘Uma sentença mais severa será para os poderosos.’ (Sabedoria 12, 6) Portanto Verdadeiramente diz o Evangelho: ‘A quem muito é dado, muito será cobrado’ (Lucas 12, 48). Raramente acontece que aqueles que possuem ouro, empenham se para o descanso eterno, na medida em que a Verdade mesmo diz: ‘Quão dificilmente os que têm riquezas entrarão no reino de Deus’ (Mateus 19, 25).”

Ibidem, Parte 1, Livro 3, 2 – Ele é rei sobre todos os filhos da soberba (Jó 41, 25-26). Está escrito: ‘O orgulho é o começo de todo pecado’ (Eclesiástico 10, 15).

Ibidem, Livro III, 7 – A este respeito está escrito: ‘Pela inveja do diabo, a morte entrou no mundo’ (Sabedoria 2, 24). Pois quando a decadência da inveja corrompeu o coração dominado, indicações exteriores mostram quão grandemente os loucos impulsos provocam a mente.”

Ibidem, Parte I, Livro III, 9 – A Raiva de fato mata o tolo: e a inveja mata o pequeno (Jó 5, 2). Pois está escrito: ‘Mas tu, Senhor, julgas com tranquilidade’ (Sabedoria 12, 18), devemos tomar nota particular que tão frequentemente como nós contemos nossas emoções turbulentas pela virtude da mansidão, estamos tentando retornar à semelhança do nosso Criador.”

2) – Por que motivo Jerônimo que era um dos homens mais cultos do mundo e doutor e pesquisador da igreja encarregado pelo próprio papa de fazer sua tradução, rejeitou os apócrifos?

Antes de qualquer argumento para essa questão, é importante ressaltar dois pontos: São Jerônimo a primeira vista, foi um dos padres com uma visão mais critica em relação aos deuterocanônicos, entretanto, foi ele o escritor que mais citou os livros da versão grega. Dessa forma, é necessário ler suas obras para entender seu pensamento.

Jerônimo era um escritor clássico de grande espírito cristão, porém, seus estudos aprofundados das escrituras por parte da língua hebraica, fez com que em certo ponto, ele tivesse tendências do pensamento judeu no que dizia respeito às antigas escrituras, mas, seus testemunhos confirmam que ele oscilou nessa questão.

Outro forte argumento que corrobora no favorecimento de Jerônimo pelo cânon hebraico é porque o mesmo sentia-se “embaraçado” ao debater com judeus e citar qualquer obra que não fosse reconhecida por eles. A verdade é que isso não passava de tática, usada não somente por ele, mas, por muitos outros padres que usualmente enfrentavam judeus.  O protestante J.N.D Kelly, confirma essa tese em um de seus livros (KELLY, 2000). Vemos que em algumas das afirmações de Jerônimo, na teoria, ele não citava os deuterocanônicos como escritura inspirada, mas na prática, os colocava no mesmo patamar de qualquer outra.

Assim, nas palavras de São Jerônimo, lemos a afirmação católica das escrituras inspiradas. Quem não crê, que prove o contrário!

Prólogo do Livro de Judite – “Entre os hebreus, o livro de Judite é encontrado entre os Hagiógrafos” (…) “Receba a viúva Judite, um exemplo de castidade e declare honra triunfal com louvores perpétuos a eles”.

Carta 65.1 / A principia – “Rute, Ester e Judite são tão nobres que seus nomes foram colocados nos livros sagrados”.

A Salvina, Carta 79.10 – “(…) Você tem viúvas, como você dignas de serem modelos, Judite de renome na história hebraica”.

Comentário sobre o livro de Daniel – “E Susana clamou com grande voz (…) E assim, por esse motivo, A ESCRITURA não atribuiu uma grande voz ao clamor dos anciãos, para a declaração é meramente os anciãos também gritaram contra ela (Daniel 13.27)”.

A Eustóquio, Epístola CVIII – “A ESCRITURA não diz: ‘não te sobrecarregue acima do teu poder’? (Eclesiástico 13.2)”.

Carta 118.1 – A Juliano – “A Sagrada ESCRITURA diz: ‘Uma palavra inoportuna é música em dia de luto’ (Eclesiástico 22.6)”.

Comentário sobre Isaias, Livro XV – “E deixe-nos ouvir a advertência da ESCRITURA: ‘Pensai no Senhor com retidão’ (Sabedoria 1.1)”.

Comentário em Eclesiastes 8 – “E é isso que está ESCRITO no livro de Tobias: ‘É bom manter oculto o segredo do Rei’ (Tobias 12.7)”.

Breviários sobre os Salmos, Salmo 9 – “E em outro lugar DEUS DISSE: a alma do justo é o assento da sabedoria (Sabedoria 7.27)”.

Comentário sobre Isaías, Livro I – 1,24 – “(…) Do qual ESTÁ ESCRITO – ‘mas os poderosos serão provados com rigor (Sabedoria 6.7)’”. 

Embora Jerônimo possa em algumas ocasiões ter “depreciado” os livros da versão grega, durante sua vida, ele os citou e em muitos casos como escritura canônica.

OBS: O autor da questão chama Jerônimo de um dos “homens mais cultos do mundo, doutor e pesquisador”, será que ele tem conhecimento que São Jerônimo, escreveu um tratado defendendo a virgindade perpétua de Maria e acreditava na intercessão dos Santos?

3) – Quem negaria que Atanásio era um dos maiores líderes da igreja em sua época? Participou de um dos mais importantes concílios ecumênicos, sendo o principal influenciador do mesmo; porque ele também rejeitou os apócrifos? (a opnião tem um peso tremendo).

Atanásio não rejeitou tais livros, pelo contrário, são tidos por ele como “instruções da palavra da piedade”.

ATANÁSIO, 367 – “Mas, para maior exatidão, acrescento também, escrevendo de necessidade; que há outros livros, além desses, de fato não incluídos no cânon, mas nomeados pelos Pais para serem lidos por aqueles que recentemente se juntaram a nós, e que desejam instruções na palavra de piedade. A Sabedoria de Salomão, a Sabedoria de Sirac, Ester, Judite e Tobias e aquela que é chamado do Ensinamento dos Apóstolos (Didaque) e o Pastor (Hermas). Mas os primeiros meus irmãos, são incluídos no Cânone, sendo que este último para leitura, não há em nenhum lugar uma menção de escritos apócrifos”.

Percebam que nessa citação de Santo Atanásio, ele não põe os deuterocanônicos na ordem dos escritos bíblicos, entretanto, os da grande valor e ainda menciona que dentre as obras mencionadas por ele, não há qualquer escrito apócrifo, isto é, é claro dizer que para esse Bispo, as obras gregas possuíam um status “diferente” dos livros hebraicos, mas, em nenhum momento os intitula de “apócrifos” como os protestantes procuram fazer.

Vale ainda ressaltar que em sua lista de livros canônicos, Atanásio, poe “Baruc” que para os reformadores da atualidade é apócrifo:

ATANÁSIO, 367 – “Depois de Jó, e então os profetas, os doze profetas (profetas menores) sendo reconhecidos como um livro. Em seguida Isaias, então JEREMIAS COM BARUC, LAMENTAÇÕES E A EPÍSTOLA (Capítulo 6 de Baruc)”.

Dificilmente entenderemos a cabeça dos protestantes: usam Atanásio para sustentar suas teses, mas, não aceitam BARUC que era tido como canônico pelo próprio Bispo. Se para o autor da pergunta o opinião dele tinha um “peso tremendo”, por qual motivo os crentes não tem em suas bíblias essa obra?

De qualquer forma, não faltam argumentos para dizermos e afirmarmos que Atanásio usava com total propriedade os livros deuterocanônicos.

Vejamos:

Contra os pagãos 1.11.1 – “Mas destes e tais invenções como da loucura idólatra, a ESCRITURA ensina-nos de antemão muito tempo atrás, quando disse: ‘É pela idealização dos ídolos que começou a apostasia (…)’ (Sabedoria 14.12-21)” .

Apologia Contra os Arianos, parte 2.66 – “(…) Como a Sagrada Escritura DIZ em algum lugar: ‘O pai morre, é como se não morresse porque deixa depois de si alguém semelhante a ele’ (Eclesiástico 30.4)”.

Contra os Arianos, Discurso 1.19 – “(…) E no livro de Baruc ESTÁ ESCRITO: ‘Tu abandonaste a fonte da sabedoria’ (Baruc 3.12)”.

Carta 19.5 – “Também o Espírito, que nele está, ORDENA DIZENDO: ‘Oferece a Deus sacrifício de louvor e paga ao Senhor teus votos. Oferecer o sacrifício da justiça e coloca a sua confiança no Senhor’. (Eclesiástico 18.17)”.

4) – De Agostinho nem é preciso dizer, ele foi “o cara” da igreja, mas apesar de querer estes livros incluídos na Bíblia, porque ele não os reconhecia realmente como canônicos?

Vamos compreender a pergunta: Santo Agostinho queria os livros da versão grega na bíblia, mas, não aceitava sua canonicidade? Para esse ponto, se faz necessário que o próprio autor da pergunta, manifeste-se, pois até o momento, não recordo-me de alguém que queira algo, mas, não acredite na consistência da causa.

Seria trivial. Para isso, cabe ao acusador, provar sua afirmação. Para que não existam dúvidas, colocaremos aqui, o pensamento do santo.

Santo Agostinho, Bispo de Hipona, foi um dos primeiros, se não o primeiro pai da Igreja a expor uma lista completa de todos os livros canônicos sem omitir qualquer diferença entre as obras bíblicas e os textos para a leitura litúrgica, sendo assim, lemos em suas palavras as seguintes conclusões:

AGOSTINHO, 397 – “Agora, o COMPLETO CÂNON DAS ESCRITURAS, sob o qual nós proferimos este julgamento que deve ser praticado, é formado pelos seguintes livros: cinco livros de Moisés, isto é, Gênese, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, um livro de Josué, filho de Nun, um dos juízes, um pequeno livro chamado Rute (…) Há outros livros que parecem não seguir uma ordem regular, e não estão ligados nem com a ordem dos livros anteriores, nem um com o outro, como Jó, TOBIAS, Ester, JUDITE, os DOIS LIVROS DOS MACABEUS, e os dois de Esdras (…) Para dois livros um chamado SABEDORIA e o outro ECLESIÁSTICO, são atribuídos a Salomão a partir de certa semelhança de estilo, mas a opinião mais provável é que eles foram escritos por Jesus, filho de Sirac. São colocados entre os proféticos livros, desde que obtiveram RECONHECIMENTO como sendo autoridade (…)”.

Cidade de Deus 21.9 – “Por que lemos nas ESCRITURAS antigas: ‘humilha-te profundamente, porque a punição do ímpio é o fogo do verme’. (Eclesiástico 7.19)”.

OBS: Mais uma vez, o autor exalta um pai da Igreja. Apenas para constar: Santo Agostinho, doutor da Igreja era um férreo defensor da virgindade perpétua de Maria.

5) – Porque o concílio de calcedônia, que foi um importante concílio ecumênico rejeitou os apócrifos?

O concílio de Calcedônia rejeitou os deuterocanônicos?

Não há problemas quanto a isso, temos ainda outros onze concílios (Laodiceia, Hipona, Cartago III e IV, Éfeso, Trullo, Nicéia II, Constantinopla IV, Laterano, IV, Florença e Trento) que apresentaram listas semelhantes a que nós católicos usamos ou, se nada falaram, ao menos em seus cânones, fizeram referencias a algum livro da septuaginta.

Os protestantes trabalham com “visões isoladas” de uma história que não pertence a eles. Não existem problemas em sabermos que qualquer concílio de qualquer época, tenha tido alguma informação divergente do que cremos (como é o caso de Laodiceia onde afirma somente Baruc como livro canônico e não inclui o Apocalipse entre as escrituras) o que precisamos tomar como base é o que a Igreja definiu e afirmou durante os séculos.

E nisso, vemos que Calcedônia rejeitou tais livros enquanto muitos outros concílios que serviram de base para uma decisão final, foram promulgados e exaltados, porém, os protestantes tomam pontos isolados e se esquecem de que a história não é composta de um ano, ou um concílio, mas de uma série de fatores que levaram a Igreja a oficializar tal decisão.

6) – Por que cardeal Ximenis em sua Poliglota Complutense (1514-1517) afirma que os livros apócrifos não faziam parte do cânon?

Mais uma vez o autor das questões quer que acreditemos que opiniões isoladas possuem o peso de uma Igreja inteira. Se o protestante aceita a opinião do Cardeal Ximenes, porque não analisar de muitos, ou se não de quase todos os outros sacerdotes que pensavam o contrário?

O teólogo Erasmo de Roterdam (mesma época), aceitava os livros deuterocanônicos. Por que não acreditar em sua opinião pessoal?

7)- Por que cardeal Cajetan, que fez oposição ao reformador Martinho Lutero em 1518, publicou em 1532, uma lista dos livros do AT, que não incluía os apócrifos?

Idem a questão seis.

Existem muitos outros testemunhos de teólogos da época que assim como a Igreja de Cristo, aceitavam os livros deuterocanônicos.

8)- Como pode Judite ser um livro inspirado por Deus e porque foi canonizado se o livro errou quando disse que Nabucodonosor foi rei de Nínive, quando é fato histórico incontestável que ele na verdade foi rei de Babilônia? (se ela errou, não é escritura canônica, pois Jesus disse que a Escritura não pode falhar).

O autor dos questionamentos, parece desconhecer outros trechos da bíblia que apresentam possíveis imprecisões.

Lemos por exemplo que em Mateus 27,9; o evangelista atribuiu ao profeta Jeremias uma profecia onde na verdade, foi Zacarias o percursor:

Mt 27,9 – “Assim se cumpriu a profecia do PROFETA JEREMIAS: Eles receberam trinta moedas de prata, preço daquele cujo valor foi estimado pelos filhos de Israel”.

Zc 11,12-13 – “Eu disse-lhes: Dai-me o meu salário, se o julgais bem, ou então retende-o! Eles pagaram-me apenas trinta moedas de prata pelo meu salário”.

Lemos também no mesmo evangelho que Mateus, narra que Judas se enforcou:

Mt 27,5 – “Ele jogou então no templo as moedas de prata, saiu e foi enforcar-se”.

Enquanto Lucas, no livro dos Atos, escreve que Judas se jogou:

At 1,18 – “Este homem adquirira um campo com o salário de seu crime. Depois, tombando para a frente, arrebentou-se pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram”.

Por essas divergências, deveríamos desconsiderar o livro de Mateus?

No mais, fazendo uma verificação rápida, podemos entender o porquê dessa possível divergência no livro de Judite. Quem reinou em Nínive foi “Nabopolosar” que era pai de Nabucodonosor e o que provavelmente tenha acontecido é que o escritor do livro de Judite, tenha personificado na figura do pai o filho e mesmo que isso não tenha um possível fundamento, não descaracteriza o livro como não inspirado (basta verificar os exemplos acima).

10) – Por que Baruc 6:2 (um livro apócrifo só aceito por vocês) diz que o cativeiro babilônico durou 7 gerações sendo que Jeremias 25:11 diz que durou apenas 70 anos?

O livro não é apócrifo. A própria escritura dita como canônica pelo escritor da questão, atesta esse fato. É muito provável que Baruc tenha sido o secretário do profeta Jeremias, sendo que em seu livro, lemos que a palavra do Senhor veio a Jeremias e ele chamou a Baruc para escrever as sagradas letras:

Jr 36,1-4 – “Sucedeu, pois, no ano quarto de Jeoiaquim, filho de Josias, rei de Judá, que veio esta palavra do SENHOR a Jeremias, dizendo: Toma o rolo de um livro, e escreve nele todas as palavras que te tenho falado de Israel, e de Judá, e de todas as nações, desde o dia em que eu te falei, desde os dias de Josias até ao dia de hoje. Porventura ouvirão os da casa de Judá todo o mal que eu intento fazer-lhes; para que cada qual se converta do seu mau caminho, e eu perdoe a sua maldade e o seu pecado. Então Jeremias chamou a Baruque, filho de Nerias; E ESCREVEU BARUC DA BOCA DE JEREMIAS no rolo de um livro todas as palavras do SENHOR, que ele lhe tinha falado”.

Br 1,1 – “Eis o texto do livro escrito por Baruc, filho de Nérias, filho de Maasias, filho de Sedecias, filho de Sedei, filho de Helcias, em Babilônia”.

Em relação ao possível erro: de acordo com o escritor “Rafael Rodrigues”, autor do livro em “Defesa dos Deuterocanônicos”, esse erro ocorreu por uma variação dos manuscritos chegados até nós e que muito provavelmente, foi um erro do copista que poderia ter confundido o texto na hora da tradução, já que as palavras sete ou setenta nas línguas semitas, são semelhantes.

De qualquer forma, lemos em Gênesis que Abraão profetiza que o cativeiro no Egito seria de 400 anos:

Gn 15,13 – “Então disse a Abrão: Saibas, de certo, que peregrina será a tua descendência em terra alheia, e será reduzida à escravidão, e será afligida por quatrocentos anos”.

Porém, ao lermos Êxodo, vemos que o cativeiro durou 430 anos:

Ex 12,40 – “O tempo que os filhos de Israel habitaram no Egito foi de quatrocentos e trinta anos”.

Agora, se o autor desconsidera Baruc, por que ele pensa que o registro do cativeiro Babilônico era incoerente, será que ele desconsideraria Gênesis, já que Abraão profetizou de forma incoerente o tempo de escravidão no Egito?

11) –Por que a contradição no fato de Antíoco morrer de três maneiras diferentes nos registros dos livros de Macabeus: 1 Macabeus 6:16; 2 Macabeus 1:16 e 9:28?

Como já mencionado, existem diferenças nos relatos da morte de Judas Iscariotes entre Mateus e Lucas:

Mt 27,5 – “Ele jogou então no templo as moedas de prata, saiu e foi enforcar-se”.

At 1,18 – “Este homem adquirira um campo com o salário de seu crime. Depois, tombando para a frente, arrebentou-se pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram”.

Um descreve um enforcamento, enquanto o outro diz que ele se jogou.  Se registros diferentes de uma mesma morte são motivos para desconsiderar o livro de Macabeus, teríamos que jogar a sorte para ver se acreditamos em Lucas ou Mateus?

Por que o autor aceita essas descrições e recrimina o livro de Macabeus?

Alias, em que local o criador das perguntas acha que encontrou diferenças da morte de Antíoco?

Vejamos:

1 MC 6,16 – Relata o ano da morte de Antíoco;

2 MC 1,16 – Descreve a Morte: por esmagamento e saraivada de pedras;

2 MC 9,28 – Não descreve a morte, apenas menciona que ele morreu próximo as montanhas.

Aqui, lemos os seguintes comentários que se unem: Ano da Morte (149 a.C), modo da morte (esmagamento e saraivada de pedras) e local (próximo às montanhas).

Há aqui, alguma incoerência?

12) – É verdade que beber sempre água sem estar misturada com vinho é nocivo à saúde, como ensina 2 Mac 15:40?

Para saber se é verdade ou não, teríamos que entender a cultura da época em que o livro foi escrito. Beira o absurdo os argumento protestantes para desconsiderar essa obra.

Diga-se de passagem: não existe o versículo 40 do capítulo 15 de 2 Macabeus.

A Referida passagem encontra-se no verso 39 e não no 40 como afirmado. No mais, o intuito do autor, era fazer alguma ligação com alguma pratica da época, isto é, ele não está ensinando nada. Até porque, o escritor simplesmente menciona que é extremamente agradável beber água e vinho e por isso o seu escrito, comparado a essas duas misturas, trará a alegria e o prazer para aqueles a quem ler. Alias, água e vinho (sangue) é uma combinação perfeita para os cristãos..

Jo 19,34 – “mas um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu sangue e água”.

13) – Tobias não contém certos erros históricos e geográficos, tais como a suposição de que Senaqueribe era filho de Salmaneser (1.15) em vez de Sargão II, e que Nínive foi tomado por Nabucodonosor e por Assuero (14.15) em vez de Nabopolassar e por Ciáxares?

Como já mencionado em outra questão (N° 10), há imprecisões a respeito de alguns pontos históricos. Por exemplo, aqui o protestante diz que “Nabopolosar” tomou Nínive, e como disse acima, é possível que o autor tenha personificado o filho no pai assim como no livro de Judite. O reinado em Nínive foi de fato de Nabopolosar, entretanto tanto em Judite como em Tobias, é chamado de Nabucodonosor possivelmente por conta do filho.

Tomemos nota de mais algumas passagens. No evangelho de Mateus, lemos que Jacó é o avo paterno de Jesus:

Mt 1,15-16 – “E Eliúde gerou a Eleazar; e Eleazar gerou a Matã; e Matã gerou a Jacó;
E JACÓ GEROU A JOSÉ, marido de Maria, da qual nasceu JESUS, que se chama o Cristo”.

Já em Lucas, lemos que o avo de Cristo, na verdade era Heli:

Lc 3,23 – “E o mesmo Jesus começava a ser de quase trinta anos, sendo (como se cuidava) filho de José, E JOSÉ DE HELI”.

Podem existir variadas respostas para essa questão e aqui, não entraremos no mérito, mas, temos que concordar que as duas informações são diferentes. E mais uma vez, recaímos na mesma questão: essa diferença, seria motivo para desconsiderar a inspiração? De forma alguma.

A questão é que quando entram em cena os livros deuterocanônicos, os evangélicos procuram a todo custo buscar supostos erros a fim de desmerecer as obras. Imprecisões são passíveis e normais e se isso é motivo para não dar crédito, teríamos que desconsiderar os evangelhos que trazem informações diferentes sobre os avós paternos de Jesus.

14) – Por que Eclesiástico 12:4-7 diz que se deve negar o pão aos ímpios e não lhes fazer nenhum bem,sendo que claramente Provérbios 25:21-22, diz que devemos sim lhes dar pão e água, vejam Mateus 5:44-48?

Vamos analisar o contexto do que o escritor queria passar.

Não é novidade que Deus abomina o pecado e isso está muito bem especificado em todas as escrituras, o Senhor tem prazer pelo homem justo, mas o seu coração não suporta o pecado dos ímpios:

Sl 5,4-5 – “Porque tu não és um Deus que tenha prazer na iniquidade, nem contigo habitará o mal. Os loucos não pararão à tua vista; odeias a todos os que praticam a maldade”.

Sl 11,5 – “O Senhor prova o justo; porém ao ímpio e ao que ama a violência odeia a sua alma”.

Sl 34,21 – “A desgraça matará o ímpio, os que odeiam o justo serão condenados”.

Se lermos o contexto em que a passagem do Eclesiástico se encontra, vemos que se trata da “ira” de Deus contra os atos do pecador. O versículo quarto enfatiza o fato de que nós não devemos dar ao pecador aquilo que só ao altíssimo cabe. Quem julgara é Deus e é só ele que sabe o que os ímpios merecem e por isso o escritor menciona que o bem, seja feito ao humilde, quanto ao pecador que comete injustiças, ELE (Senhor) o castigará naquele dia.

Eclo 12,4 – “Dá ao homem bom, não ampares o pecador, pois Deus dará ao mau e ao pecador o que merecem; ele os guarda para o dia em que os castigará”

Quando lemos os livros do velho testamento, nem sempre encontramos informações que sejam unitárias. Para desmerecer essa passagem, o protestante cita provérbios, mas se esquece de que muitos pontos chegam a ser culturais. Em deuteronômio, se lê que se existir uma moça virgem desposada e algum homem a encontrar e se deitar com ela, ambos morreram apedrejados!

Dt 22,23-24 – “Se uma virgem se tiver casado, e um homem, encontrando-a na cidade, dormir com ela, conduzireis um e outro à porta da cidade e os apedrejareis até que morram: a donzela, porque, estando na cidade, não gritou, e o homem por ter violado a mulher do seu próximo. Assim, tirarás o mal do meio de ti”.

Se em Eclo 12,7 está escrito que não se deve dar pão ao ímpio, o que pensar do verso acima onde o ímpio deve ser morto? Deveríamos rejeitar esse sagrado livro por incentivar a pena de morte, já que a maldade sairia daquele meio por meio dessa ação?

15) – Expliquem como Eclesiástico, sendo um livro “inspirado por Deus”, pode ensinar: o trato cruel aos escravos – 33.28 e 30; 42.5; o desprezo pela mulher – 25.17-36; e incentivar o ódio aos samaritanos – 50.27 e 28?

As passagens em questão refletem a cultura da época. Fatos como esses, descritos em Eclesiástico, aparecem em outros livros da escritura.

Vejamos:

DESPREZO A MULHER

Lendo a passagem de Eclesiástico (25,17-36), nada encontramos. Apenas uma “chamada” a mulher má que destrói o marido e a casa. Se dermos continuidade a leitura, veremos que no capítulo 26, o autor ao contrário do que havia dito no capítulo 25, exalta a mulher que edifica a casa:

Eclo 26,1-2 – “Feliz o homem que tem uma boa mulher, pois, se duplicará o número de seus anos. A mulher forte faz a alegria de seu marido, e derramará paz nos anos de sua vida”.

Exemplo semelhante a esses, encontramos no próprio livro dos Provérbios onde está escrito que é muito melhor morar em uma “tenda deserta do que com uma mulher que traz contendas”. Aqui, vemos o “desprezo” pela mulher nos livros canônicos que os protestantes aceitam:

Pr 19,13 – “O filho insensato é uma desgraça para o pai, e um gotejar contínuo as CONTENDAS da mulher”. 

Pr 21,19 – “É melhor morar numa terra deserta DO QUE COM A MULHER rixosa e irritadiça”.

Pr 25,24 –  “Melhor é morar só num canto de telhado do que com a mulher briguenta numa casa ampla”. 

TRATO CRUEL AOS ESCRAVOS

Aqui, nos deparamos mais uma vez com conceitos de uma época muito antiga. No passado, era comum que os “escravos” não tivessem um tratamento generoso. O próprio livro de Provérbios diz que um escravo mimado desde a juventude se torna desobediente no futuro:

Pr 29,18-21 – “Por falta de visão, o povo vive sem freios; ditoso o que observa a instrução! Não é com palavras que se corrige um escravo, porque ele compreende, mas não se atém a elas. Viste um homem precipitado no falar: há mais esperança num tolo do que nele. Um escravo mimado desde sua juventude, acaba por se tornar desobediente”. 

Assim como o próprio livro de provérbios ensina que aplicar a “vara” é um motivo de correção para os filhos, para os tolos e para os insensatos:

Pr 13,24 – “Quem poupa a vara odeia seu filho; quem o ama, castiga-o na hora precisa”.

Pr 19,29
 – “As varas estão preparadas para os mofadores e os golpes para o dorso dos insensatos”.

Pr 23,13-14 – “Não poupes ao menino a correção: se tu o castigares com a vara, ele não morrerá, castigando-o com a vara, salvarás sua vida da morada dos mortos”.

Pr 26,3 – “O açoite para o cavalo, o freio para o asno: a vara para as costas do tolo”.

Será que agora vão recriminar o livro de Provérbios por promover a correção aos maus tratos através da vara?

ÓDIO AOS SAMARITANOS

Eclo 50,27-28 – “Há dois povos que minha alma abomina, e o terceiro, que aborreço, nem sequer é um povo: aqueles que vivem no monte Seir, os filisteus, e o povo insensato que habita em Siquém”.

Os Judeus não tinham um bom relacionamento com os samaritanos e isso não é uma opinião exclusiva do autor do Eclesiástico, alias, o escritor apenas manifestou sua abominação contra essa nação que estava entregue a idolatria.

Lendo o livro do profeta Jeremias, vemos que ele escreve um castigo para os samaritanos:

Jr 23,9-13 – “Aos profetas. Parte-se dentro de mim o coração, e se me abalaram todos os ossos. Assemelho-me a um ébrio, qual homem prostrado pelo vinho, por causa do Senhor e de sua palavra santa. A terra está cheia de adultérios e está em luto esta terra maldita. As pastagens do deserto ressecaram e os homens correm para o mal. É a iniquidade que lhes dá forças. São profanos o próprio profeta e o sacerdote. Até no meu templo encontro sua perversidade – oráculo do Senhor. Por isso o seu caminho será como um caminho escorregadio nas trevas, e lá se entrechocarão e hão de cair. Pois precipitarei a desgraça sobre eles no ano em que os castigar – oráculo do Senhor. Entre os profetas samaritanos vi absurdos: profetizaram em nome de Baal e desencaminharam meu povo de Israel”.

Será que Jeremias também planou o ódio aos samaritanos?

16) – Como Macabeus é inspirado se ele mesmo reconhece que no seu tempo já havia cessado o ofício profético?

Em que momento das sagradas escrituras é menciono que existiria um período “inter-bíblico” que findaria as profecias?

Não podemos esquecer que a própria bíblia refuta tal argumento quando menciona que “a lei e os profetas duraram até João”.

Lc 16,16 – “A lei e os profetas duraram até João. Desde então é anunciado o Reino de Deus, e cada um faz violência para aí entrar”.

17)- E como que Macabeus é a palavra infalível e inerrante de Deus, se ele mesmo reconhece que seus escritos podiam conter erros suficientes para tornar toda a sua obra medíocre, e se desculpa dizendo que ele não pode fazer nada melhor (1º Macabeus 9.27; 2º Macabeus 15.37).??????????????????

Acredito que o autor das questões não tenha lido os livros. Ao que me parece, ele desconhece as obras.

Em 1 Mc 9,27, o escritor não pede desculpas e nem manifesta nada a respeito sobre supostos erros. Diferente de 2 Mc 15,37, onde Judas, manifesta uma opinião pessoal sobre aquilo que ele havia escrito.

Esse pensamento de cunho íntimo não desmerece a inspiração do livro. Quando vemos as duas cartas que São Paulo escreveu aos Coríntios, lemos que em alguns momentos, o apóstolo dos gentios relata suas palavras e “não a do Senhor”.

1 Cor 4,12 – “Mas aos outros DIGO EU, não o Senhor: Se algum irmão tem mulher descrente, e ela consente em habitar com ele, não a deixe”.

Em outro caso, Paulo diz que não tem um mandamento do Senhor a respeito das virgens, mas, da o seu parecer, isto é, a sua “opinião”.

1 Cor 7,25 – “Ora, quanto às virgens, NÃO TENHO mandamento do Senhor; dou, porém, O MEU PARECER, como quem tem alcançado misericórdia do Senhor para ser fiel”.

Adiante, ainda na segunda epístola, ele escreve que o que fala não é segundo o Senhor e sim, por sua própria loucura.

2 Cor 11,17 – “O que digo, NÃO O DIGO SEGUNDO O SENHOR, mas como por loucura, nesta confiança de gloriar-me”.

Quando lemos o evangelho de Lucas, vemos que o evangelista não diz que havia recebido alguma revelação e sim que tivesse INVESTIGADO cuidadosamente ou como algumas traduções colocam, “havendo-me INFORMADO minuciosamente” dos fatos antes de escrever a obra.

Lc 1,3 – “Também a mim me pareceu bem, depois de haver diligentemente investigado tudo desde o princípio, escrevê-los para ti segundo a ordem, excelentíssimo Teófilo”.

O fato de se utilizar um parecer pessoal sobre o que se escreve, não significa que o livro não seja inspirado. O problema para os protestantes é que o relato de Macabeus está um pouco “agressivo” aos seus olhos, mas, não perde em nada para a loucura de Paulo que como mesmo diz, não escreve “segundo o Senhor”, mas por sua própria cabeça.

Se Paulo, em alguns momentos não “escreveu segundo o Senhor”, então, deveríamos desconsiderar suas cartas? Ou deveríamos desconsiderar Lucas por ter escrito com base em investigações?

18)- Jesus disse que a Escritura não pode falhar (Jo 10.35). Nas verdadeiras Escrituras não se encontram erros ridículos como estes. Então os erros destes livros (os 7 não aceitos) provam que não são inspirados não é mesmo?

Já vimos aqui que existem situações encontradas nos livros canônicos que se assemelham aos livros deuterocanônicos.

Quem manifesta a ideia de supostos erros é o criador da questão, pessoa essa que não tem qualquer autoridade sobre a interpretação bíblica. Portanto, fica ao autor das perguntas, o livre arbítrio em criticar tais escrituras. Apenas não esqueçamos que quem definiu as escrituras não foram opiniões singulares e sim o corpo de Cristo que é a Igreja.

19-) Porque Melito, bispo de Sardes, rejeitou esses livros no segundo século e Orígenes, no terceiro século?

De acordo com a lista escrita por Eusébio em sua “História Eclesiástica”, Melito aceitava a obra da Sabedoria e Baruc, entretanto, não cita Ester.

É estranho o raciocínio protestante alegando que ele tenha rejeitado todos os livros, sendo que dois dos sete que possuímos estão em seu catálogo e é mais estranho ainda que o criador da questão não se pergunte o porquê do bispo ter rejeitado Ester. Sendo assim, Melito entra na lista dos padres que aceitavam algumas obras e rejeitavam outras e se ele não creditou as escrituras de Ester, teríamos que desconsiderá-la por isso?

Quanto a Orígenes, se lermos a História Eclesiástica de Eusébio, na página 312, 25.2, lemos que em sua lista, ele cita “Macabeus” e “Baruc” como escritura oficial. Além de que, em muitos outros escritos ele cita as escrituras deuterocanônicas.

Vejamos alguns textos:

Carta a africano, parágrafo II – “Você começa dizendo que quando em minha discussão com o nosso amigo Bassus, eu USEI A ESCRITURA que contém a profecia de Daniel quando ainda jovem na questão de Susana e que eu fiz isso como se tivesse me passado que está parte do livro era espúria (…) Você alega que tais escritos são falsos porque só se encontram no grego e na no hebraico (…) Em resposta a isso,  digo que há muitas outras passagens, que como na História de Susana que é recebida POR TODA A IGREJA DE CRISTO (…)”.

Conta Celso LVIII, 50 – “Pelo menos é o que a ESCRITURA DIVINA declara: ‘Qual a raça é digna de honra? A raça dos homens? Qual raça é digna de desprezo? A raça dos homens? ’ (Eclesiástico 10.19)”.

Ididem LVII, 12 – “Aqueles que desejam viver segundo as ESCRITURAS aprenderam que: ‘A ciência do tolo é um discurso incoerente’ (Eclesiástico 21.18)”.

Contra Celso, Livro III, 72 – “Como é DEFINIDO PELA PALAVRA de Deus: ‘Emanação do poder de Deus eflúvio de sua Onipotente Glória’ (Sabedoria 7.28)”.

Dos princípios 2.5 – “Mas para que possamos crer na AUTORIDADE DAS SAGRADAS ESCRITURAS que tal é o caso, ouça como no livro de Macabeus, onde a mão dos sete mártires exorta seu filho a suportar a tortura (…) (II Macabeus 7.28)”.

Homilia VII – “A ESCRITURA ENSINA: ‘Ouve oh Israel os preceitos da vida e as normas da prudência’ (Baruc 3.9)”.

20)- Por que no quarto século, baniram-nos igualmente os “santos” Atanásio, Hilário, Cirilo de Jerusalém, Cipriano, Gregório Nazianzeno e Eusébio, bispo de Cesaréia, Anfilóquio e os bispos reunidos no Concilio de Laodicéia, o qual foi confirmado por um decreto do Concilio Geral em Trulo (Can.2), e que, portanto, é obrigatório para a Igreja de Roma.????????????????????????????

É interessante que o criador das questões,  copiou as informações iguais as do site CACP do artigo “os apócrifos e os pais da Igreja” (http://www.cacp.org.br/os-apocrifos-e-os-pais-da-igreja/).

É bom reforçar mais uma vez: os Pais da Igreja tinham opiniões das mais variadas, mas, quem definiu a decisão oficial foi a Igreja e não opiniões ou teses isoladas. Já vimos aqui que Atanásio aceitava Baruc (Festal Letter 39) e temos citações citando “Sabedoria” e “Eclesiástico”. Hilário aceitava Baruc, Tobias e Judite e, cita outros livros gregos como Macabeus e Sabedoria. Cirilo de Jerusalém aceitava Baruc e cita outros livros como Sabedoria e trechos deuterocanônicos de Daniel. Cipriano seus escritos, cita I e II Macabeus, Sabedoria, Tobias e Eclesiástico. Gregório de Nazianzeno aceita Baruc e em alguns escritos, cita Eclesiástico e Sabedoria. Anfilóquio aceita Baruc.

Percebam caros leitores que os protestantes citam a patrística na intenção de afirmar que eles “rejeitavam” tais livros, mas em nenhum momento, mencionam o quanto esses homens tinham apreço pelos livros deuterocanônicos.

21)-Por que no século V e VI, São Jerônimo, Epifánio, Junílio bispo africano, e Isidoro bispo de Sevilha, rejeitaram os livros apócrifos?

Palavras também copiadas do mesmo artigo. Dificilmente o autor das questões deve saber o porquê do CACP ter colocado esses padres, provavelmente, o máximo que fez foi copiar e acreditar no Prof. Paulo Cristiano. Duvido muito que tenha lido algo a respeito.

Pois bem, sigo a mesma linha da questão passada e de outras aqui respondidas. Não existem problemas em saber que outros teólogos ou padres pensavam ao contrário de muitos outros. A Igreja NÃO TRABALHA com opiniões coletadas e sim, na fé promulgada por TODA a Igreja definida por esse Corpo. Sendo assim, qualquer argumento que menciona que pessoa “X” ou “Y” pensava ao contrário da Igreja, não tem valor ao ser provado pela própria palavra final da mesma Igreja, isto é, a Una, Santa e Católica.

Alias, mesmo que alguns antigos não fossem lá tão adeptos aos escritos deuterocanônicos, dificilmente veremos os mesmos acusando tais obras como heréticas. Temos o próprio exemplo de Jerônimo que conforme lemos neste mesmo artigo, citou inúmeras vezes os livros gregos e em algumas ocasiões os chamou de “escritura”.

Às vezes, penso que os protestantes adoram citar frases dos antigos padres que iam contra os deuterocanônicos, mas, fecham os olhos para muitas outras onde esses mesmos santos incentivavam seu uso e em tantas outras ocasiões os tinham como escritura inspirada. O protestantismo também se confunde ao pensar que nós deveríamos levar em consideração comentários, sem recorrer à opinião final da Igreja.

Durante os 2000 anos da Igreja, encontraremos os mais variados testemunhos, dos mais variados temas, contra e a favor e entre todos eles, teremos a colocação oficial da Igreja junto do colegiado apostólico.

22)- Porque no seculo VII nada menos que a autoridade do próprio Papa Gregório, o Grande, rejeitava os livros apocrifos(e a infalibilidade papal)?

Pergunta respondida na primeira questão.

De qualquer forma, vamos citar mais um trecho de seus escritos que revela o uso desses livros:

Livro III, Epístola 13 – “Mas, se a sua santidade sabia tanto o que eu referi na minha carta quando o que tinha sido feito, seja contra João presbítero ou contra Atanásio, monge de Isauria e presbítero, e escreveu-me, eu não sei, o que posso responde a isto, porque a verdade diz ATRAVÉS DA SUA ESCRITURA: ‘A boca que mente mata a alma’ (Sabedoria 1.11)”.

23)- Por que no seculo VIII, João Damasceno, fundador da teologia escolástica entre os gregos, e Alcuíno, abade de São Martinho de Tours, na França rejeitaram os apócrifos?

Mais uma questão que já foi comentada aqui.

Por que o autor das questões, não cita que na obra “Fé Ortodoxa 4,15” de João Damasceno, ele chama o livro de Sabedoria de “Escritura divinamente inspirada”?

“A divina Escritura também diz que ‘as almas dos justos estão na mão de Deus’ (Sabedoria 3,1) e a morte não pode lançar mão deles”. 

Falta bom senso para o acusador.

24)-Por que no seculo IX, Nicéforo, patriarca de Constantinopla, e a “Glosa Ordinária”, começada por Alcuíno, ou por Estrebão, e concluída por vários escritores, repudiam os livros apócrifos?

Pergunta semelhantes as demais. Aqui vale mais alguns comentários.

Nicéforo em uma de suas obras, menciona uma lista de livros canônicos e outra dos livros disputados que são os deuterocanônicos. É no mínimo curioso que o protestante não saiba que dentro das escrituras “não eclesiásticas”, Nicéforo coloca ESTER como obra disputada.

Como já mencionado nesta refutação, os padres tinham suas opiniões, mas a Igreja como corpo de Cristo, foi a responsável por dar o aval final.

25)- Porque no seculo X e XI, o monge Flaviacense e Élfrio, abade de Malmesburye ePedro, abade de Clugni rejeitaram os apocrifos?

O monge Flaviance em sua obra “in Comm a Levítico, prologo ao livro décimo quarto“, cita que Tobias, Judite e Macabeus são livros para edificação da Igreja, entretanto, diz que Sabedoria e Eclesiástico contém elementos proféticos e históricos, assim como Provérbios e Cantares.

Como é possível observar, o argumento não representa qualquer perigo para a ortodoxia bíblia, uma vez que a Igreja não trabalha com opiniões individuais, mas com o auxílio do magistério assistido pelo Espírito Santo.

26)-Por que no seculo XII e XIII, Hugo de São Vítor, Ricardo de São Vítor, Roberto, abade de Duits e autor da “Glosa” sobre Graciano e da versão inglesa da Bíblia que existe na biblioteca da Universidade de Oxford e o cardeal Hugo e São Boaventura rejeitaram os apócrifos?

Opiniões isoladas. Repetirei quantas vezes for necessário: a Igreja sempre teve pluralidade de pensamentos, entretanto, isso não seria uma condição necessária para que o corpo tivesse a decisão de padre X ou Y. Já vimos aqui o quanto os pais da Igreja tinham pensamentos distintos sobre a Bíblia e não estou dizendo exatamente sobre os deuterocanônicos. Basta ler a “História Eclesiástica” de Eusébio onde ele relata que escritos como “Hebreus” e “Apocalipse” ainda não eram aceitos por todos devido às disputas.

Podemos ter informações de ambos os lados, mas foi a Igreja católica, guiada pela manutenção do Espírito Santo que decidiu com respaldo concreto e análise sobre todos os livros. Por isso eu reforço que citar comentários isolados, não representam uma posição oficial.

27)- Por que no século XIV e no seculo XV, Ricardo Fitz Ralph, arcebispo de Armagh e primaz da Irlanda, Nicolau Lira e Viclef e Tomás Valdense e Dionísio Cartusiano rejeitaram os livros apócrifos?

Idem a questão 26.

A Igreja tem mais de 2000 anos. Por que em vez de citar algumas vozes isoladas, vocês não colocam informações equivalentes a todo esse tempo para defender a razão de vocês?

É engraçado que vocês se baseiam em alguns padres só que não percebem que muitos deles, aceitavam alguns livros ou, se isso não acontecia, os tinha como leitura edificante, coisa que vocês, não fazem.

28)-Porque no seculo XVI o famoso cardeal Caetano ilustre prelado da Igreja Romana escreveu um comentário sobre os livros históricos do Antigo Testamento, oferecido ao Papa Clemente VIII e que foi publicado doze anos antes de reunido o Concílio de Trento e em sua dedicatória, o cardeal faz sua a regra de São Jerônimo, relativa à clara distinção que este faz entre os livros canônicos propriamente ditos e os “apócrifos”?

Caetano era “Jeromista”, isto é, ele acreditava que os concílios deveriam ser submetidos às ideias de Jerônimo.

Em outras palavras, Cardeal Caetano coloca São Jerônimo acima de qualquer autoridade da Igreja. Sabemos da grandiosa contribuição desse pai da Igreja que nos presenteou com a vulgata e também temos consciência de que por mais que suas ideias pareciam ser contrárias aos deuterocanônicos, ele os utilizou como qualquer outro padre de sua época (ver questão 2).

De qualquer forma, sendo Jerônimo importante, ele também estava submetido às decisões do corpo de Cristo, assim como Caetano que embora tenha tido uma opinião SINGULAR da Igreja, tinha consciência de que esses livros eram autorizados e recebidos no cânon:

Comentário sobre Ester – “Podem, no entanto, ser chamado de canônicos (isto é, dada como regra) para a edificação dos fieis já que são recebidos e autorizados no cânon da Bíblia para este fim”.

29)- Por que Jerônimo disse: “Portanto, a Sabedoria (…) Judite e Tobias (…) não fazem parte do cânon (…). a igreja lê Judite e Tobias e Macabeus mas não os recebe entre as Escrituras canônicas (…) [são] livros úteis para a edificação do povo, mas não para estabelecer doutrinas da Igreja.”?????? 

Já disse em uma das questões acima que Jerônimo, por conta de seus estudos, tinha grande apreço pela versão hebraica. Ele próprio assume que sentia-se “embaraçado” em debater com judeus e citar qualquer livro deuterocanônico, já que aqueles que rejeitaram a Cristo, também não aceitavam tais obras.

Em diversos escritos, Jerônimo tinha uma posição contrária a tais livros, mas, vale ressaltar que na teoria via-se um mover contrário aos deuterocanônicos, enquanto que na pratica, São Jerônimo continuava a citá-los como se fossem escrituras.

Não me assusta saber que Jerônimo tenha escrito que os livros que não constam no cânon hebraico, seriam apenas para leitura do povo, mesmo porque, sabemos de sua posição. Cabe ao protestante que acusa, explicar o porque Jerônimo ir contra os livros gregos e em MUITAS outras obras, colocá-los como escritura inspirada.

Carta 148.20 – “DEVIDO A ISSO DIZ A ESCRITURA: ‘Quanto mais fores elevado, mais te humilharás em tudo, e perante Deus acharás misericórdia’ (Eclesiástico 3.20)”.

Carta 148.18 – “POR ISSO, A ESCRITURA DIZ: ‘Derrete teu ouro e tua prata e faz uma balança para (pesar) as tuas palavras, e para a tua boca, um freio bem ajustado. Tem cuidado para não pecar pela língua’ (Eclesiástico 28.29-30)”.

Comentário Sobre Jeremias, Livro XV – “A ESCRITURA DIZ: ‘A sabedoria não entrará na alma perversa’ (Sabedoria 1.4)”.

Comentário sobre Gálatas, Livro I -2,3 – “Sobre o Espírito Santo em outro lugar ESTÁ ESCRITO: ‘Vosso espírito incorruptível está em todos’. (Sabedoria 12.1)”.

A Eustóquio, Epístola XXXI, 2 – “Ainda a nossa alegria não se deve esquecer o limite definido pela Escritura e não devemos ficar muito longe da fronteira da nossa luta. Seus presentes, de fato, lembram-me do VOLUME SAGRADO, pois nele Ezequiel adorna Jerusalém com braceletes (Ezequiel 16.11) BARUC recebe cartas de Jeremias (Baruc 6) e o Espírito Santo desce na forma de uma pomba no batismo de Cristo (Mateus 3.16)”.

30)- Por que no prefácio de Daniel, Jerônimo rejeitou claramente as adições apócrifas a Daniel (Bel e o Dragão e Susana) e defendeu apenas a canonicidade dos livros encontrados na Bíblia hebraica, escrevendo: “As histórias de Susana e de Bel e o Dragão não estão contidas no hebraico. Por isso, quando traduzia Daniel muitos anos atrás, anotei essas visões com um símbolo crítico, demonstrando que não estavam incluídas no hebraico […] Afinal, Orígenes, Eusébio e Apolinário e outros clérigos e mestres distintos da Grécia reconhecem que, como eu disse, essas visões não se encontram no hebraico, e portanto não são obrigados a refutar Porfírio quanto a essas porções que não exibem autoridade de Escrituras Sagradas”??????

Deixemos que o próprio Jerônimo responda a questão:

JERONIMO, 402, Livro II,33 – “Em referencia a Daniel minha resposta será que eu NÃO DISSE que ele não era profeta; ao contrário eu confesso, no próprio início do prefácio, que ele era um profeta. Mas eu desejei mostrar qual era a OPINIÃO SUSTENTADA PELOS JUDEUS; e quais eram os argumentos que ELES USAVAM PARA PROVAR. Eu também disse ao leitor que a versão lida nas Igrejas Cristãs não era a da septuaginta, mas a de Teodocião. É verdade, eu disse que a versão da septuaginta era neste livro muito diferente da original, e que foi condenada pelo justo julgamento das Igrejas de Cristo; mas o erro não foi meu que relatei o fato, mas daqueles que leem a versão. Nós temos quatro versões para escolher: aquelas de Áquila, Simáco, Septuaginta e Teodocião. As Igrejas escolheram ler Daniel na versão de Teodocião. Que pecado eu cometi se segui o julgamento das Igreja? Mas quanto EU REPETI o que os judeus dizem contra a história de Susana, o hino dos três jovens, e a estória de Bel e o Dragão, que não estão contidos na bíblia hebraica, o homem fez está acusação contra mim prova que ELE MESMO É UM TOLO E UM CALUNIADOR. Pois eu expliquei NÃO O QUE EU PENSAVA, mas o que eles comumente diziam contra nós. Eu não refutei a opinião deles no prefácio por que eu, sendo breve e cuidadoso, para não parecer que eu não estava escrevendo um prefácio e sim um livro. Eu disse, portanto ‘aqui não, agora não é o momento para entrar em discussão sobre isso’”.

Parece que Jerônimo escrevia para os protestantes. Vejam que Jerônimo deixa claro que as acusações relatadas, não são dele e sim dos Judeus. Ele havia explicado o que comumente eles diziam contra os cristãos e não o que ele pensava.

Se não fosse isso, porque São Jerônimo em seu “Comentário sobre o livro de Daniel” teria escrito a favor das partes deuterocanônicas?

“E Susana clamou com grande voz (…) Sua voz era grande não por causa das vibrações intensas que enviadas através do ar, nem por causa do clamor que veio de seus lábios, mas por causa da grandeza da castidade com que ela chamou o Senhor. E assim, por esse motivo, A ESCRITURA não atribuiu uma grande voz ao clamor dos anciãos, para a declaração é meramente: ‘Os anciãos também gritaram contra ela’ (Daniel 13.24)”.

31)-Por que o Concílio de Laodicéia no Ano 367, Can. LX, Labb. et Coss., tom. 1, coluna 1507, rejeita os livros apócrifos, Paris, 1671.????

Já foi mencionado neste artigo que Laodicéia (CONCÍLIO REGIONAL), não “rejeitou” todos os livros deuterocanônicos. Em sua lista, encontramos a obra de BARUC.

Aqui, fica a pergunta: Se o concílio de Laudicéia é tão apreciado, por que não aceitar o livro de Baruc?

32)-porque o Concílio de Calcedônia no Ano 451, confirma os cânones do Concílio de Laodicéia; Art. 15, de can. 1, Labb. Conc. IV, Paris, 1671. e também não aceitam os livros apócrifos?

Idem a última questão. Se eles confirmaram, os protestantes então aceitam o livro de Baruc?

Reforço novamente: outros concílios (Hipona, Cartago III e IV, Éfeso, Trullo, Nicéia II, Constantinopla IV, Laterano, IV, Florença e Trento), confirmaram a crença católica durante os séculos, ou por listarem os deuterocanônicos ou por citaram suas obras em algum cânone, sendo assim, por que não procurar entender o desenvolvimento de todos eles durante os séculos? Tanto Laodicéia, quanto em Calcedônia, o livro de BARUC é abrigado pelos dois concílios, logo, não deveria ele ser aceito pelos heterodoxos?

33)- Por que não há uma CITAÇÃO DE UM TEXTO APÓCRIFO como Escritura, algo como: “A Escritura diz…” seguida de uma citação de um texto apócrifo (vcs são inteligentes, não façam de conta que não sabem o que é citação) – mas não precisam nem procurar pq como diria o padre Quevedo “Isso non ecsiste”.

Realmente não há nenhuma citação de qualquer livro apócrifo, afinal, os deuterocanônicos estão inseridos entre os livros inspirados. De qualquer forma, respondendo a pergunta, temos vários exemplos nas escrituras gregas que foram utilizadas pelos apóstolos.

Se analisarmos o Novo Testamento, veremos que o uso da septuaginta era grande.

Vejamos abaixo, algumas citações:

TOBIAS

OS SETE ANJOS

Em Apocalipse lemos que João viu os Sete Anjos que assistem diante de Deus:

Ap 8,1-2 – Quando, enfim, abriu o sétimo selo, fez-se silêncio no céu cerca de meia hora. Eu vi os sete Anjos que assistem diante de Deus. Foram-lhes dadas sete trombetas.

Conhecemos um desses “sete anjos” no livro de Tobias:

Tb 12,14-15 – Agora o Senhor enviou-me para curar-te e livrar do demônio Sara, mulher de teu filho. Eu sou o anjo Rafael, um dos sete que assistimos na presença do Senhor.

NOVA JERUSALÉM

Em Apocalipse conhecemos a Nova Jerusalém:

Ap 21,2,18-21 – Eu vi descer do céu, de junto de Deus, a Cidade Santa, a nova Jerusalém, como uma esposa ornada para o esposo. O material da muralha era jaspe, e a cidade ouro puro, semelhante a puro cristal. Os alicerces da muralha da cidade eram ornados de toda espécie de pedras preciosas: o primeiro era de jaspe, o segundo de safira, o terceiro de calcedônia, o quarto de esmeralda, o quinto de sardônica, o sexto de cornalina, o sétimo de crisólito, o oitavo de berilo, o nono de topázio, o décimo de crisóparo, o undécimo de jacinto e o duodécimo de ametista. Cada uma das doze portas era feita de uma só pérola e a avenida da cidade era de ouro, transparente como cristal.

Profeticamente, lemos o mesmo relato da Nova Jerusalém na obra de Tobias:

Tb 13,1,19-23 – Tobit tomou, então, a palavra e, num transporte de alegria, escreveu esta prece: Sois grande, Senhor, na eternidade, vosso reino estende-se há todos os séculos. Ó minha alma, bendize ao Senhor, porque o Senhor, nosso Deus, livrou Jerusalém de todas as suas tribulações. Feliz serei, se ficar um homem de minha raça para ver o esplendor de Jerusalém: suas portas serão reconstruídas com safiras e esmeraldas, seus muros serão inteiramente de pedras preciosas, Suas praças serão pavimentadas de mosaicos e rubis, e em suas ruas cantarão: Aleluia! Bendito seja Deus que te restituiu tal esplendor! Que ele reine sobre ti eternamente!

JUDITE

O EXTERMINADOR

Na primeira epístola aos Coríntios, lemos que o apostolo Paulo faz uso do livre de Judite para descrever as mortes dos Hebreus no tempo de Moisés.

1 Cor 10,9-11 – Nem tentemos o Senhor, como alguns deles o tentaram, e pereceram mordidos pelas serpentes. Nem murmureis, como murmuraram alguns deles, e foram mortos pelo exterminador. Todas estas desgraças lhes aconteceram para nosso exemplo; foram escritas para advertência nossa, para nós que tocamos o final dos tempos.

Aqui, Paulo retrata o episódio que muitos morreriam pelas picadas das serpentes, entretanto, algo curioso nos chama a atenção nesta passagem: alguns foram mortos pelo exterminador (citação semelhante ao livro de Judite).

Jd 8,23-25 – Assim Isaac, assim Jacó, assim Moisés, e todos os que agradaram a Deus permaneceram fiéis apesar das muitas tribulações. Aqueles, porém, que não aceitaram essas provações no temor ao Senhor e se impacientaram, murmurando contra ele, foram feridos pelo Exterminador e pereceram pelas serpentes.

1 MACABEUS

TARDARÁS EM FAZER JUSTIÇA?

Ao lermos o capítulo seis do livro do Apocalipse, vemos que as almas clamam a Deus por justiça contra os habitantes da terra:

Ap 6,10 – E clamavam em alta voz, dizendo: Até quando tu, que és o Senhor, o Santo, o Verdadeiro, ficarás sem fazer justiça e sem vingar o nosso sangue contra os habitantes da terra?

Percebemos essa influencia literária nos escritos de João, ao lermos o primeiro livro dos Macabeus, quando os Judeus clamaram a rei por essa “vingança”:

1 Mc 6,22 – e correram ao rei para lhe dizer: Até quando deixarás de fazer justiça e vingar nossos irmãos?

2 MACABEUS

MELHOR RESSURREIÇÃO

Leia o capítulo 11 da epístola aos Hebreus. Provavelmente, você chegara a seguinte conclusão: O escritor queria retratar os heróis e patriarcas da fé que haviam trilhado um caminho anterior ao nosso e que com o advento de Cristo, tiveram a graça de assim como nós, ter a conclusão de suas promessas. Entre os mais variados relatos (Abel, Enoque, Noé, Sara, Abraão, Moisés, etc) encontramos um versículo que nos chama a atenção:

Hb 11,35 – As mulheres receberam pela ressurreição os seus mortos; uns foram torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição. E outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões.

Quem seriam estes que foram torturados? Quem seriam estas misteriosas pessoas que se deixaram padecer por uma ressurreição digna? Aqui, vemos mais uma vez os livros deuterocanônicos sendo utilizados pelos escritores do novo testamento. Esses mártires são encontrados no II livro de Macabeus, assim como segue a escritura inspirada:

2 Mc 7,1,9-10, 13-14 – Havia também sete irmãos que foram um dia presos com sua mãe, e que o rei por meio de golpes de azorrage e de nervos de boi, quis coagir a comerem a proibida carne de porco. Prestes a dar o último suspiro, disse ele: Maldito, tu nos arrebatas a vida presente, mas o Rei do universo nos ressuscitará para a vida eterna, se morrermos por fidelidade às suas leis. Após este, torturaram o terceiro. Reclamada a língua, ele a apresentou logo, e estendeu as mãos corajosamente. Morto este, aplicaram os mesmos suplícios ao quarto, e este disse, quando estava a ponto de expirar: É uma sorte desejável perecer pela mão humana com a esperança de que Deus nos ressuscite; mas, para ti, certamente não haverá ressurreição para a vida.

SABEDORIA

PROFECIA DA MORTE DE CRISTO

No livro da Sabedoria, encontramos (assim como em Isaias) uma profecia a respeito da morte de Jesus. Relato idêntico é encontrado somente nos evangelhos. Vejam como um livro chamado de “apócrifo” pelos protestantes já proclamava a forma como o filho de Deus deveria padecer perante os homens.

Sb 2,13-20 – Ele se gaba de conhecer a Deus, e se chama a si mesmo filho do Senhor! Sua existência é uma censura às nossas ideias; basta sua vista para nos importunar. Sua vida, com efeito, não se parece com as outras, e os seus caminhos são muito diferentes. Ele nos tem por uma moeda de mau quilate, e afasta-se de nosso caminhos como de manchas. Julga feliz a morte do justo, e gloria-se de ter Deus por pai. Vejamos, pois, se suas palavras são verdadeiras, e experimentemos o que acontecerá quando da sua mote, porque, se o justo é filho de Deus, Deus o defenderá, e o tirará  das mãos dos seus adversários. Provemo-lo por ultrajes e torturas, a fim de conhecer a sua doçura e estarmos cientes de sua paciência. Condenemo-lo a uma morte infame. Porque, conforme ele, Deus deve intervir.

Assim está escrito no evangelho de Lucas:

Lc 23,35,37-39 – E o povo estava olhando. E também os príncipes zombavam dele, dizendo: Aos outros salvou, salve-se a si mesmo, se este é o Cristo, o escolhido de Deus. E dizendo: Se tu és o Rei dos Judeus, salva-te a ti mesmo. E também por cima dele, estava um título, escrito em letras gregas, romanas, e hebraicas: ESTE É O REI DOS JUDEUS. E um dos malfeitores que estavam pendurados blasfemava dele, dizendo: Se tu és o Cristo, salva-te a ti mesmo, e a nós.

ECLESIÁSTICO

No evangelho de Lucas, Jesus narra uma parábola do homem que enriquece, mas o tempo passando, não usufrui daquilo que conquistou, sendo rico para si próprio e não para Deus. Tudo indica que Cristo tenha pensado em um relato do livro de Eclesiástico para comparar essa situação.

Vejamos:

Lc 12,16-21 – E propôs-lhe uma parábola, dizendo: A herdade de um homem rico tinha produzido com abundância; E arrazoava ele entre si, dizendo: Que farei? Não tenho onde recolher os meus frutos. E disse: Farei isto: Derrubarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e ali recolherei todas as minhas novidades e os meus bens; E direi a minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga. Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus.

O ensino mencionado por Cristo se encontra no livro de Eclesiástico:

Eclo 1,18-20 – Há homem que enriquece, vivendo com economia, e a única recompensa que dela usufrui é a de poder dizer: Achei o repouso, vou agora desfrutar meus haveres sozinho. E ele não considera que o tempo passa, que vem a morte, e que, ao morrer, tudo deixará para os outros.

Fica a pergunta para o autor das questões: Qual a base de vocês para pensar que Cristo não utilizou a septuaginta?

BARUC

Baruc foi provavelmente o secretário de Jeremias e conforme vimos na questão dez, à própria obra de Jeremias confirma a inspiração do livro:

Jr 36,1-4 – Sucedeu, pois, no ano quarto de Jeoiaquim, filho de Josias, rei de Judá, que veio esta palavra do SENHOR a Jeremias, dizendo: Toma o rolo de um livro, e escreve nele todas as palavras que te tenho falado de Israel, e de Judá, e de todas as nações, desde o dia em que eu te falei, desde os dias de Josias até ao dia de hoje. Porventura ouvirão os da casa de Judá todo o mal que eu intento fazer-lhes; para que cada qual se converta do seu mau caminho, e eu perdoe a sua maldade e o seu pecado. Então Jeremias chamou a Baruque, filho de Nerias; E ESCREVEU BARUC DA BOCA DE JEREMIAS no rolo de um livro todas as palavras do SENHOR, que ele lhe tinha falado.

Br 1,1 – Eis o texto do livro escrito por Baruc, filho de Nérias, filho de Maasias, filho de Sedecias, filho de Sedei, filho de Helcias, em Babilônia.

Sua utilização no novo testamento se da através do evangelho de Mateus que narra o banquete escatológico que será promovido por Deus no reino dos céus, assim está escrito em Baruc:

Br 4,37 – Olha! Eis que voltam os filhos que viras partir. Chegam do oriente e do ocidente, à voz do Altíssimo, repletos da alegria que lhes dá a glória de Deus.

Em Mateus, vemos mais uma vez essa confirmação, que já havia sido relatada por Baruc:

Mt 8,11 – Por isso, eu vos declaro que multidões virão do Oriente e do Ocidente e se assentarão no Reino dos céus com Abraão, Isaac e Jacó.

34)- Por que Jesus e os apóstolos, mesmo conhecendo os livros apócrifos não cita os apócrifos como Escrituras canônicas nem uma única vez; nem discordarem do Canon hebraico?

Exaustivamente respondido na questão 33.

Alias, quem disse que Cristo deveria discordar do Cânon Hebraico? E outra, é nítido que Jesus usava sim a septuaginta, basta ler o evangelho de Mateus, onde Ele diz:

Mt 21,16 – E disseram-lhe: Ouves o que estes dizem? E Jesus lhes disse: Sim; nunca lestes: Pela boca dos meninos e das criancinhas de peito tiraste o perfeito louvor?

Pegue agora uma bíblia traduzida do Hebraico (João Ferreira de Almeida) abra no Salmo 8,2 e veja como está a tradução, talvez você estranhe, porque Jesus fazendo referencia a está passagem, parece não citar de acordo com a escritura, vejam:

Sl 8,2 – Tu ordenaste força da boca das crianças e dos que mamam, por causa dos teus inimigos, para fazer calar ao inimigo e ao vingador.

Aqui, a referencia do texto hebraico menciona que “Tu ordenaste força da boca das crianças”, entretanto, Cristo disse somente “pela boca” e sabem o por quê? Simples, Jesus usava a septuaginta (versão grega). Leia esse salmo na luz dos escritos traduzidos para o grego:

Sl 8,3 – Da boca das crianças e dos pequeninos sai um louvor que confunde vossos adversários, e reduz ao silêncio vossos inimigos.

Percebem como o uso da septuaginta que contém os livros deuterocanônicos já era amplamente usado na época de Cristo. Uma pequena análise já reflete essa verdade. De qualquer forma, a própria Sociedade Bíblica Brasileira (SBB) descreve que esses livros constavam nos escritos que estiveram em posse de Cristo e dos apóstolos:

SBB 2007 – “Está foi à primeira tradução. Realizada por 70 sábios. Ela contém sete livros que não fazem parte da coleção hebraica, pois não estavam incluídos quando o cânon (ou lista oficial) do Antigo Testamento foi estabelecido por exegetas israelitas no final do Século I d.C. A Igreja primitiva geralmente INCLUÍA TAIS LIVROS em sua Bíblia (…). Essa tradução do Antigo Testamento foi utilizada em sinagogas de TODAS as regiões do mediterrâneo e representou um instrumento fundamental nos esforços empreendidos pelos primeiros discípulos de Jesus na propagação dos ensinamento de Deus”. 

35)- Por que Paulo citou filosofos gregos como Arato(Atos 17.28), Menandro(1 Coríntios 15.33), Epimênides(Tito 1.12) mas em parte alguma citou os livros apócrifos?

E qual a obrigatoriedade de Paulo em ter que citar os livros da septuaginta só porque citou filósofos gregos?

E desde quando isso é argumento?

Oras, se fosse assim, teríamos que desconsiderar a epístola de Judas porque cita um livro apócrifo (Assunção de Moisés) onde menciona o possível destino do corpo de Moisés?

Jd 1,9 – Mas o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo, e disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele; mas disse: O Senhor te repreenda.

36)-porque até o século VII os maiores doutores da Igreja não reconheciam estes livros, e assim foi até Trento, vários papas não os reconheceram?

Até o século VII? Como assim? Vários papas? Quantos mais ou menos?

Como já disse em outras ocasiões, foi a Igreja que oficializou os livros da escritura sagrada. Se analisarmos ISOLADAMENTE os padres da Igreja, veremos que em momentos, alguns possuíam a MESMA opinião e em outros casos divergiam. A comunidade católica, unida do seu corpo apostólico, definiu através dos concílios o que de fato deveria ser aceito para os cristãos.

Não foram opiniões separadas que definiram o que temos e sim, todos que chegaram a um consenso. Vejamos os padres abaixo e suas crenças a respeito das obras bíblicas:

Melitão de Sardes (170) – Em seus escritos aceita Sabedoria e não indica Ester como livro canônico;

Irineu de Lião (180) – Em sua obra “Contra as Heresias”, livro III, 21.1.2.3, escreve que antes de Cristo, as escrituras foram traduzidas para o grego com os 70 sábios e relata que os apóstolos utilizaram essa versão.

Orígenes de Alexandria (254) – Em seus escritos aceita os trechos de Daniel, Eclesiástico, Sabedoria, Tobias, Macabeus, Baruc;

Cirilo de Jerusalém (350) – Em seus escritos aceita Baruc e cita outros livros gregos como Sabedoria e alguns trechos de Daniel;

Hilário de Poitiers (360) – Em seus escritos aceita Baruc, Tobias e Judite e cita outros livros gregos como Macabeus e Sabedoria;

Atanásio (367) – Em seus escritos aceita Baruc e chama os livros de Sabedoria, Ester, Judite e Tobias de instruções na palavra de piedade;

Gregório de Nazianzo (380) – Em seus escritos aceita Baruc, entretanto não faz menção ao livro do Apocalipse e Ester;

Anfilóquio de Icônio (380) – Em seus escritos aceita Baruc e não tinha certeza se Ester, Hebreus e Apocalipse seriam obras inspiradas;

Epifânio de Salamina (403) – Em seus escritos aceita Baruc, Sabedoria e Eclesiástico e cita outros livros gregos como I Macabeus;

São Jerônimo (420) – A princípio apresenta um discurso duro contra os deuterocanônicos, mas, é um dos santos que mais os cita em suas obras;

Rufino de Aquiléia (400) – Em seus escritos aceita Baruc e cita outros livros como Sabedoria e Eclesiástico. Em sua obra “Exposição do Grego”, chama os outros livros de não canônicos, mas sim, eclesiásticos, sendo eles Tobias, Judite e Macabeus;

Papa Inocêncio (405) – Aceita todos os livros deuterocanônicos;

Decreto de Gelásio (492) – Aceita todos os livros deuterocanônicos;

Relatório de Junílio (550) – Aceita todos os livros deuterocanônicos;

Cassiodório (560) – Aceita todos os livros deuterocanônicos;

Isidoro de Sevilha (625) – Aceita todos os livros deuterocanônicos;

Temos também o exemplo dos próprios concílios anteriores ao século VII que ora deram alguma lista dos livros, ora citaram as escrituras deuterocanônicas em algum cânone, vejamos:

Laodiceia (Regional / 363) – Aceitava o livro de Baruc;

Hipona (Regional / 393) – Aceita todos os sete livros;

Cartago III (Regional / 397) – Aceita todos os sete livros;

Cartago IV (Regional / 419) – Aceita todos os sete livros;

Éfeso (Ecumênico / 431) – Na carta do Concílio, enviada ao sínodo de Panfilia, os Bispos comentaram o seguinte dizer: “Porquanto a ESCRITURA DIVINAMENTE INSPIRADA DIZ: ‘Nada farei sem reflexão (Eclesiástico 32,24) é especialmente o seu dever que tiver o ministério sacerdotal reservado, examinar com toda diligência’ (A carta do Santo Sínodo de Sagrado da Panfilia quando Eustáquio foi seu Metropolita)”.

Trullo (Regional / 692) – Confirma os cânones dos concílios de Cartago, isto é, o concílio regional que confirmava os deuterocanônicos.

Outros exemplos também são encontrados em manuscritos ou em bibliotecas antigas que nos concedem uma visão histórica que afirma aquilo que cremos ou que pelo menos, se aproximam dos escritos que possuímos:

Lista de Cheltenham ou Mommsen (360) – Aceita todos os sete livros do antigo testamento;

Cânones Apostólicos (380) – Aceita três livros dos Macabeus, Judite e Eclesiástico. O apocalipse é omitido. As epístolas de Clemente são tidas como canônicas.

Codex Claromontanus (400) – Aceita todos os sete livros, entretanto, na lista não se encontram obras como as epístolas aos Hebreus, Filipenses e I e II Tessalonicenses.

Ainda temos como prova cabal contra a afirmação protestante o “Codex Sinaiticus” que é datado do século IV e contem vários livros da septuaginta. Segue o link para verificação:

http://codexsinaiticus.org/en/

Outra coisa que o criador das questões parece desconhecer é o fato de que livros como o Eclesiástico até o século IV, era citado no Talmude judaico e obras como “Eclesiastes” ainda estavam em disputa quanto à canonicidade:

Yaddym III, 05“Foi dito na assembleia dos sábios: Todas as escrituras sagradas contaminam as mãos, logo, Cantares e Eclesiastes contaminam as mãos. Rabi Judas, no entanto, respondeu: ‘Cantares certamente contamina as mãos, mas Eclesiastes é disputado’. Rabi Akiba respondeu: ‘Não pode haver dúvida sobre Cantares. É indubitável que ele contamina as mãos, portanto, se há alguma dúvida é sobre o Eclesiastes’”.

O termo “contaminar as mãos”, designa toda escritura inspirada. Aquela que “não contamina”, essa era posto a prova e como podemos ver, o próprio livro de Eclesiastes era disputado.

Através dessas informações, percebemos que antes do século VII, os livros tinham ampla aceitação.

Me respondam essas perguntas amigos, ai vcs terão respaldo para criticar nossa posição, mas vou logo avisando, preferimos ficar com a companhia dos judeus, de Jesus, dos apóstolos, e dos principais pais da Igreja dos primeiros séculos, do que com a ICAR ou qualquer outra igreja. Pois com isso eu concluo irrefutavelmente que não são os católicos que seguem a verdadeira tradição, somos nós que seguimos a tradição apostolica, o maximo que vcs podem se apoiar são em traições apostolicas, mas não tradição, nem tradição e nem escritura…… agora reflita sobre isso! ok?

Autor: E.Freire

Estão respondidas.

Não é nenhuma novidade que os protestantes prefiram ficar com os judeus. Eles renegaram a Cristo, assim como vocês renegam a Igreja, instituída por esse Jesus.

É um paralelo interessante a se pensar. Eles (Judeus) rejeitaram, vocês também.

Nossa tradição não está sujeita a conceitos separados, como é comum nas comunidades protestante e sim nas decisões oficias que a Igreja tem em conjunto de todo o seu colegiado apostólico.

Se vocês aprendessem isso, talvez um dia, entenderiam que não basta citar opiniões separadas dos padres e sim, entender o que a Igreja, em sua análise pensou para todas elas. Sendo assim, fique com sua conclusão “irrefutável” (sic) (em alguns momentos “copiada”) que na verdade, não é tão irrefutável assim.

Ou melhor, continue seguindo as ideias de Lutero que acreditava que tinha o “poder” sobre as escrituras:

Prefácio da Tradução Alemã de S. Tiago e S. Judas – “Afirmo a minha própria opinião sobre isso, embora sem prejuízo para ninguém, eu não considero como uma escrita de um apóstolo, e as minhas razões seguem. Em primeiro lugar, é terminantemente contra São Paulo e todo o resto da escritura em atribuir a justificação às obras”.

TEXTOS, ARTIGOS E LIVROS UTILIZADOS NESSA REFUTAÇÃO;

  • BÍBLIA CATÓLICA ONLINE;
  • BÍBLIA DE JERUSALÉM;
  • MANUAL DE DEFESA DOS LIVROS DEUTEROCANÔNICOS, RAFAEL RODRIGUES, 2012;
  • EUSÉBIO DE CESARÉIA, HISTÓRIA ECLESIÁSTICA, PAULUS;
  • APOLOGISTAS CATÓLICOS (CITAÇÕES PATRÍSTICAS);
  • VERITATIS SPLENDOR (CONSULTAS).

Escrito por: Érick Augusto Gomes



Categorias:Refutações

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