REFUTANDO O CACP: DESMASCARANDO O TEXTO = A “IDOLATRIA” CATÓLICA

INTRODUÇÃO 

Quem nunca foi confrontado com a seguinte frase: “vocês católicos, são idólatras! Fazem imagens para adorar. Ter imagens é idolatria, a bíblia condena”.

É comum que esse questionamento sempre seja o ponto de partida de uma discussão teológica e ainda que o tema comentado não seja esse, no fim, o debatedor sempre procurará retornar a falar sobre as questões dos ícones e imagens.

A grande problemática é que todos os sofismas lançados contra a fé católica, sempre estão carregados de mentiras e de um cenário ainda pior: a falta de conhecimento. Falar sobre aquilo que não se vive, ou sobre aquilo que nunca viveu, sempre é a tarefa apropriada dos propagadores de discursos alheios à verdade.

Lembro-me de que enquanto era protestante (presbiteriano), tinha um sério problema com as questões da arte sacra, porém, ao perceber a profundidade espiritual que cada ícone e imagem possuíam e de como esses objetos sagrados me elevavam em um momento de intimidade com o Senhor, aprendi a entender aquilo que à Igreja sempre ensinou desde os tempos primitivos e por fim, passei a observar o quanto importante elas (imagens) eram para os judeus no período vétero-testamentário.

Ao contrário do que cremos e pensamos, a ideologia protestante está longe de entender qual o real significado do uso de imagens e ícones e é nesse sentido que nasce mais um artigo de refutação contra os textos do CACP (centro apologético cristão de pesquisas). Em mais um desses infelizes comentários feitos pelos “apologistas” do CACP, deparei-me com um texto intitulo de: “desmascarando a idolatria católica romana”.

Pretendemos aqui, refutar (mais uma vez) os cansativos (e repetitivos) argumentos contra o uso das representações sacras.

OBSERVAÇÕES

Assim como os demais textos da seção de refutação, este artigo seguira as seguintes diretrizes:


REFUTAÇÃO

1 – O segundo Mandamento contém promessa, mas, por outro lado, maldição até aos descendentes de quem o transgride. Se é vedada a fabricação desse tipo de imagens, incabível o argumento de que poderiam ser usadas como retratos. Ao esculpi-las (“Não farás…”) o artífice já é um transgressor da Lei de Deus. E quem as compra se transforma em cúmplice dele. 

Um ídolo pode ser uma imagem, entretanto, nem todo ícone, pintura e imagem pode ser caracterizada como um ídolo. Quando falamos sobre idolatria, é necessário entender que essa ação só ocorre a partir do momento em que alguém deposita sua confiança em qualquer coisa, creditando que aquilo é um deus. Quando São Paulo escreve aos Colossenses ele alerta: “Mortificai (…) a cobiça que é uma idolatria” (Cl 3,5). Especificamente neste verso, o apóstolo não está afirmando que um altar estava sendo erguido, junto de uma imagem para assim dizer que a “cobiça” era cultuada e sim, que a vontade imoderada de se possuir riquezas era um ato de profunda idolatria, já que o sentimento poderia sobressair ao amor de Deus.

É muito claro que as escrituras no velho testamento, possuem dois pontos distintos sobre o uso de ícones e imagens. Mentiroso é aquele que tenta justificar o não uso de imagens sacras, alegando que para o povo hebreu, todas as representações seriam apenas símbolos. Tudo aquilo que é encontrado no tabernáculo ou no templo, possui profundo significado, assim como na Igreja Católica que continua a perseverar nesse costume tão antigo.

De fato, o segundo mandamento proíbe a fabricação de ídolos, porém, não proíbe a fabricação de imagens, a não ser que elas sejam tratadas como uma entidade divina com poderes superiores ao único Deus. O mesmo “artífice” que produz um ídolo pode ser o mesmo artífice que constrói obras direcionadas a Iahweh:

Ex 26,1 – “Farás o tabernáculo com dez cortinas de linho fino retorcido de púrpura escarlate e de carmesim, sobre as quais alguns querubins serão artisticamente bordados“. 

O segundo mandamento proíbe, por exemplo, a fabricação de semelhanças (animais), porém, toda a ritualística judaica continha animais esculpidos dentro de seus locais de cultos. No templo construído por Salomão, encontramos doze imagens de touros (1 Rs 7,232 Cr 4,32 Cr 4,4) e até mesmo, imagens de anjos com faces humanas (Ez 41,18-19)  que poderiam ter certa herança com a antiga tradição da mesopotâmia.

Isto é, se constatamos que através das escrituras que a presença iconográfica era muito presente para o povo judeu, por que ainda há aqueles que continuam exigindo que as imagens sejam tratadas como objetos de cunho idolátrico? A Santa Igreja Católica, apoiada pela tradição e pela própria bíblia, entende que o uso de objetos sacros, não só ajudam no florescer da espiritualidade como, ensina-nos a relembrar-nos os heróis da fé que por amor a nosso Senhor Jesus Cristo, morreram ou viveram vidas de perfeita santidade.

Diferente até mesmo dos hebreus que possuíam imagens fundidas com características animalescas, nós católicos, representamos homens e mulheres que são exemplos de conduta para todo cristão que deseja caminhar na estrada da cruz.

Hb 13,7 – “Lembrai-vos de vossos guias que vos pregaram a palavra de Deus. Considerai como souberam encerrar a carreira e imitai-lhes a fé”.

Dizer que não existe respaldo bíblico para o uso de imagens, é o mesmo que rasgar as varias passagens que compravam a presença desses objetos na liturgia do povo israelita. Um pouco de sinceridade com os textos sagrados, permitirão encontrar as seguintes provas:

Tabernáculo (Moisés)

  • Pinturas nas cortinas e véus do templo com imagens de querubins (Ex 26,1 e 26,31);
  • Confecção de duas imagens de querubins fundidos com ouro para serem colocados na extremidade do propiciatório (Ex 25,18);
  • Imagens de chifres no tabernáculo (Ex 27,2);
  • Velas acesas perante as tábuas da Lei (Ex 27,20-21);
  • Incenso queimado no altar (Ex 30,1);
  • Objetos sagrados, onde as pessoas que os tocavam, eram “santificadas” (Ex 30,29).

Templo (Salomão)

  • Duas imagens de querubins no oráculo (1 Rs 6,23);
  • As paredes (internas e externas) eram entalhadas de anjos e palmas (1 Rs 6,29);
  • As portas eram entalhadas e cobertas de ouro com querubins, palmas e flores (1 Rs 6,32);
  • Doze touros no templo (1 Rs 7,23);
  • Almofadas e Juntas havia imagens de leões, bois e querubins (1 Rs 7,29);
  • Nas placas do templo, esculpidos, haviam, querubins, leões e palmas (1 Rs 7,36);
  • Objetos sagrados (1 Rs 8,4 e 1 Cr 22,29).
  • Havia figuras de bois e duas fileiras do mesmo animal (imagens fundidas) (2 Cr 4,3);
  • Havia outros 12 bois: três que olhavam para o norte, três que olhavam para o ocidente, três que olhavam para o sul, e três que olhavam para o oriente (2 Cr 4,4);
  • Querubins esculpidos nas paredes (2 Cr 3,7);
  • Querubins bordados nas cortinas (2 Cr 3,14).
  • Acima da porta, no interior do templo e por toda a parede (dentro e fora) estava coberto por figuras (Ez 41,17);
  • Haviam dois querubins, sendo que os mesmos estavam ESCULPIDOS da seguinte forma: Um lado da face era humano e o outro lado era de um leão (Ez 41,18-19);
  • Na parede do templo, do piso até a porta, mais representações de querubins (Ez 41,20);
  • Algumas portas do templo também tinham figuras de querubins (Ez 41,25).

Toda essa arte sacramental não se tratava somente de símbolos e sim, de um retrato fiel de um povo que acreditava que o local de culto deveria ser uma cópia fiel do paraíso divino. As imagens e ícones possuem essa função: transformar um local de culto, ainda que impróprio e pobre por conta da mão do homem, em algo que eleve o espírito humano na intenção de contemplar as realidades celestes. O escritor da epístola aos Hebreus, entendeu isso ao dizer que Moisés, procurou estreitar essas duas realidades:

Hb 8,5 – “O culto que estes celebram é, aliás, apenas a imagem, sombra das realidades celestiais, como foi revelado a Moisés quando estava para construir o tabernáculo: Olha, foi-lhe dito, faze todas as coisas conforme o modelo que te foi mostrado ao monte [Ex 25,40]”. 

É um argumento pobre e vazio afirmar que a “fabricação de imagens e ícones” contraria o segundo mandamento. É claro que o povo judeu, pecou em diversos momentos ao fabricar ídolos colocando-os acima de Deus: isso é idolatria. Possuir imagens e ícones que nos recordam dos mais de dois mil anos de história, nada mais é que garantir a própria tradição hebraica que mantinha seus locais de culto “semelhantes ao céu” (Hb 8,5). Basta ver que nas catacumbas, já existia o costume primitivo de pintar as paredes e transformar à Igreja em um local de profunda espiritualidade.

Assim como a escritura fala aos ouvidos o amor de Deus, as imagens e ícones retratam através das cores, o evangelho puro de Jesus Cristo, Rei de todo o universo.

Veja também:

http://www.catacombe.roma.it/it/percorsi_criptapapi.php

http://www.catacombe.roma.it/it/percorsi_criptacecilia.php

http://www.catacombe.roma.it/it/percorsi_cubicoli.php

http://noticias.terra.com.br/ciencia/italia-catacumbas-cristas-reabrem-apos-cinco-anos-de-restauracao,fb4610d19c172410VgnVCM20000099cceb0aRCRD.html

2 – Venerá-las é mais sério do que muitos pensam.

Ainda que alguns segmentos insistam em dizer que venerar é o mesmo que adorar, insisto em afirmar que há sim, diferenças claras entre as duas palavras e que a condição de suas ações é que determinará se você está ou não adorando algo.

Enganam-se aqueles que pensam que nós veneramos apenas as imagens, ao contrário, veneramos aquilo que é sagrado e consagrado a Deus: ícones, imagens, o altar, os locais sagrados de culto e a escritura sagrada. Tudo aquilo que é oferecido ao Senhor, deve ser venerado por sinal de respeito e amor as coisas santas.

Ao verificar as escrituras, percebemos que a veneração está muito presente na vida dos antigos patriarcas, dos profetas e posteriormente na vida de cada cristão. Vemos por exemplo que Jeremias compôs uma lamentação fúnebre para Josias (2 Cr 35,25-26) e que essa “veneração” ao rei já morto, tornou-se um costume em toda a Israel. Paulo diz que “louva” os cristãos de Corinto por lembrar-se dele (1 Cor 11,2), assim como reivindica esse louvor para si (2 Cor 12,11). Jacó prostrou-se perante seu irmão Esaú por sete vezes (Gn 33,3), Josué e os anciãos ajoelharam-se perante a arca da aliança que possuía duas imagens de anjos (Js 7,6). Débora é exultada como a “mãe de Israel” (Jz 5,7), o profeta Natã prostra-se perante Davi (1 Rs 1,23)

Todas essas atitudes venerativas não são perigosas, uma vez que ninguém, está trocando a glória de Deus e creditando a homens ou objetos e sim, estão honrando aquilo que é sagrado ou que teve um caminho santo.

Ao venerar uma imagem, um ícone ou a própria escritura, manifestamos através desses objetos externos, todo o nosso amor. Quando beijo a bíblia, não estou beijando as páginas, ou a tinta do papel e sim, estou venerando todo o amor ali escrito e todas as palavras de salvação que encontram-se nesse livro sagrado. Isto serve para toda a arte sacramental da Igreja que nos remete, unicamente ao amor salvador de Jesus Cristo. As imagens além de uma representação do evangelho em cores, relembra-nos de todos os santos e santas de Deus que morreram pela construção do Reino de Deus.

Tudo a ponta para o Cristo e a Igreja sempre entendeu isso, tanto que, como já falado, o uso da arte sacra é primitivo.

O catolicismo diz que Deus não condena imagens como as católicas, mas ídolos, no sentido, como vimos, de objetos aos quais o povo atribui vivência. Todavia as encontradas na Igreja Romana são ídolos.  Ainda que não o fossem, a reprovação bíblica atinge ídolos (Êx 32; 2 Rs 21.11; Sl 115.3-9; 135.15-18; Is 2.18; At 15.20; 21.25; 2 Cor 6.16) e imagens (Êx 20.1-6; Nm 33.52; Dt 27.15; Is 41.29; Ez 8.9-12).

Não é o catolicismo que diz que “Deus não condena imagens” e sim, a própria escritura. Usando as próprias palavras do autor da afirmação, podemos declarar sem sombra de dúvidas que o velho testamento, possui inúmeras provas de imagens e objetos que eram atribuídos pelo povo hebreu com total vivência. No item anterior, colocamos mais de 20 (vinte) passagens que comprovam a utilizam de ícones e imagens por parte do povo judeu, sem que esses objetos, fossem caracterizados como idolátricos.

Ainda sim, há outro exemplo que pode ser citado sobre a ordenança do próprio Senhor, na confecção de imagens. Está no livro dos números:

Nm 21,8-9 – “Iahweh respondeu-lhe [para Moisés]: Faze uma serpente abrasadora e coloca-a em uma haste. Todo aquele que for mordido e a contemplar viverá. Moisés, portanto, fez uma serpente de bronze e colocou em uma haste; se alguém era mordido por uma serpente, contemplava a serpente de bronze e vivia”.

Vamos entender a situação: O próprio Deus, aquele que outrora havia condenado a confecção de imagens dá uma ordem a Moisés: “Faça uma imagem de uma serpente”. Na atual situação, os israelitas já haviam sido condenados pela fabricação do bezerro de ouro (Ex 32) e fazer uma imagem, não seria uma solução agradável. Para uma nação que tinha propensões idolátricas, seria fatal fundir uma imagem de um animal.

Será que o Altíssimo não tinha conhecimento de que essa cobra, poderia causar uma tragédia? Sim, entretanto, a cobra foi feita, mostrando mais uma vez que o problema não se está em “ter” uma imagem e sim, no tratamento e na intenção que você dá ao objeto. Enquanto o povo venerava a cobra com piedade para afastar as doenças, não houve quaisquer problemas, entretanto, ao transformá-la em um deus (noestã) e ao cultuarem como uma divindade, a imagem foi destruída pelo rei Ezequias (2 Rs 18,4)

É interessante afirmar que esse acontecimento (destruição da cobra) foi aproximadamente 400 anos (716 a.C) após Moisés ter elevado-a em uma haste. Ainda que a serpente tenha sido destruída posteriormente, a imagem da cobra que o novo testamento, simboliza o Cristo na cruz (Jo 3,14), foi venerada e sua simbologia utilizada de maneira correta por quase 4 (quatro) séculos.

Sendo assim, não é difícil entender o porquê do próprio Deus permitir a utilização de imagens por parte do povo: enquanto cada um dos símbolos encontrava-se em seu devido lugar, facilitando a ordem cultual dos hebreus e transformando o templo em um verdadeiro “céu na terra”, as imagens e ícones eram permitidos e essa tradição estendeu-se para a Igreja primitiva que continuou a embelezar os locais onde eram celebradas as primeiras missas.

A Igreja não ensina que uma imagem ou ícone deve ser adorado, ao contrário, o ensino correto da fé católica está em manifestar que através de toda a arte sacramental, nós possamos lembrar-nos dos heróis da fé e com eles, adorar o único e verdadeiro Deus. Assim como as escrituras ensinam o evangelho, as imagens refletem um evangelho visual. Como é magnífico rezar na presença das imagens e saber que cada pessoa ali representada no altar, entregou sua vida ao Senhor, seja pelo martírio ou na busca constante pela santidade.

Ó feliz lembrança que ajuda-nos a recordar dos heróis da fé! Que sejamos dignos de venerarmos com toda piedade os ícones e imagens da Igreja do Cristo, ela que caminha nas estradas rumo ao céu, antecipa através de toda a sua arte sacra, mesmo que de forma imperfeita, um pouco da realidade do paraíso celeste.

Glória a Cristo Rei!

Escrito por: Érick Augusto Gomes



Categorias:Refutações

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