REFUTANDO OS “MOTIVOS DA REFORMA”

INTRODUÇÃO

É comum que católicos sejam persuadidos por evangélicos quando o assunto a ser tratado é a chamada “reforma protestante“. É normal que o cisma causado por Lutero seja justificado com base em uma série de argumentações que infelizmente, não condizem com a verdade.

Essa problemática divisão que causou (e continua causando) sofrimento ao Corpo de Cristo, entra em contradição com as palavras de São Paulo em sua primeira epístola aos coríntios. O apóstolo dos gentios, intercede para que toda a Igreja se mantenha unida:

1 Cor 1,10 – “Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa, e que não haja entre vós dissensões; antes sejais unidos em um mesmo pensamento e em um mesmo parecer”.

Embora as palavras sejam de um tempo onde o cristianismo ainda era primitivo, são totalmente atuais. Principalmente quando olhamos para o mundo fragmentado de denominações que se auto intitulam cristãs. Se de fato a reforma, foi algo que estava nos planos de Deus, como conciliar um Senhor que é uno (Trindade) com uma série de divisões que não apresentam ordem cultual, doutrinal e sacramental?

A escritura diz que “um reino dividido não pode subsistir por si só” (Mt 12,25)

Embasado pela escritura, tradição e magistério da Santa Igreja, gostaria de compartilhar nesse artigo, refutações as objeções levantadas contra a fé católica. Para isso, selecionei os principais argumentos e irei expô-los um a um.

As datas mencionadas abaixo, referem-se as etapas onde acredita-se que a Igreja tenha inserido doutrinas alheias a verdade. Porém, como veremos, tudo não passa de sofismas.

REFUTAÇÕES

ANO 320 – USO DAS VELAS

O uso das velas no seio da Igreja não iniciou ano 320 d.C, ao contrário,  a prática além de antiga, foi adotada pela fé primitiva com base na própria tradição judaica. No período vétero-testamentário, é possível encontrar tal costume nos ritos judaicos:

1 Rs 7,49 – “E os castiçais, cinco à direita e cinco à esquerda, diante do oráculo, de ouro finíssimo; e as flores, e as lâmpadas, e os espevitadores, também de outro”.

Ex 25, 31-37 – “Também farás um candelabro de ouro puro; de ouro batido se fará este candelabro; o seu pé, as suas hastes, os seus copos, os seus botões, e a suas flores serão do mesmo. Também lhe farás sete lâmpadas, as quais se acenderão para iluminar defronte dele”.

Entre todas as funcionalidades de uma vela, para nós cristãos, a claridade que emana da matéria, tem seu simbolismo na “luz de Cristo” que clareia o mundo e convida-nos a contemplação desse mistério:

Mt 5,14 – “Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte”.

Outro simbolismo importante para o catolicismo no que diz respeito as velas, é o fato do anuncio de Jesus. A vela que ilumina é aquela que é consumida, sendo assim, nós só poderemos tornarmo-nos a “luz do mundo” se, consumirmos a nós mesmos tendo em vista a salvação das almas pela morte de cruz do Cristo. Sendo assim, fica claro que o uso das velas não foi iniciado no ano informado (320 d.C).

Quando acendemos uma vela, seja qual for à intenção, manifestamos a luz do Senhor que fortifica as veredas da justiça na anunciação do seu reino.

ANO 375 – CULTO DOS SANTOS

O culto ou a veneração aos santos e a virgem é um antigo costume. Podemos encontrá-lo dentro da própria escritura através de indícios primários. Tal culto, nada mais é que comemorar, aprender e entender a fé daqueles que anteriormente a nós, serviram a Deus na radicalidade do evangelho ou que morreram em plena santidade e por esse motivo, conquistaram perante a Igreja (que possui o poder de ligar e desligar na terra [Mt 16,19]) o reconhecimento de comungar com toda a Igreja Celeste (Hb 12,23-24).

Na epístola de São Paulo a Timóteo, é possível verificar que o apostolo, escreve que devemos fazer orações e ações de graças em favor de todos os homens:

1 Tm 2,1 – “Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões, e ações de graças, por TODOS os homens”.

Sua conclusão é de que esse ato é “bom e agradável diante de Deus (1 Tm 2,3)”. Já na carta aos Romanos, encontramos as mesmas recomendações:

Rm 12,10 – “Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honrar uns aos outros”.

Muito antes da data imposta pelos protestantes (375), houve um santo chamado de “Policarpo” (bispo da comunidade católica de Esmirna). Seu martírio que ocorreu por volta do ano 155 (?) ou 166 (?), atesta a verdadeira fé uma vez que os cristãos primitivos, já possuíam profunda veneração e respeito pelos mártires.

Leiamos o que Eusébio em sua história eclesiástica nos escreve:

Alguns sugeriram, por conseguinte, a Niceta, pai de Herodes e irmão de Alce, que suplicasse ao governador para que não entregasse o seu corpo, ‘por temor’ disse ‘que se ponham a adorar este, esquecendo o Crucificado’. Disseram isto aconselhados e instigados pelos Judeus, que nos espiavam quando estávamos para tirá-lo da fogueira, porque não sabem que nós nunca poderemos abandonar nem Cristo, que sofreu a paixão para a salvação daqueles que no mundo inteiro são salvos, nem adorar algum outro. Porque a Ele, nós o adoramos enquanto Filho de Deus, ao passo que os mártires, os AMAMOS justamente enquanto discípulos e imitadores do Senhor por causa do seu insuperável amor pelo seu rei e mestre. Queira o céu que também nós possamos ser companheiros e condiscípulos deles! O centurião, então, vendo a contenda provocada pelos Judeus, fez colocar o cadáver no meio, segundo o seu hábito ordenou queimá-lo” [1]

Quando a pira ficou pronta, o próprio Policarpo se despiu, desamarrou o cinto, e ele mesmo tirou o calçado. Ele nunca fizera isso antes, porque sempre cada um dos fiéis se apressava a ser o primeiro a tocar-lhe o corpo; mesmo antes do martírio, ele já fora constantemente venerado pela sua santidade de vida. [2]

Desse modo, pudemos mais tarde recolher seus ossos, mais preciosos do que pedras preciosas e mais valiosos do que o ouro, para colocá-los em lugar conveniente. Quando possível, e ai que o Senhor nos permitirá reunir-nos, na alegria e contentamento, para celebrar o aniversário de seu martírio, em memória daqueles que combateram antes de nós, e para exercitar e preparar aqueles que deverão combater no futuro. [3]

ANO 394 – INSTITUIÇÃO DA MISSA

Ite missa est, “Ide, estão enviados” – Designamos “Missa” a liturgia do sacrifício divino realizado na oblação do altar eucarístico. O primeiro a celebrar esse rito, foi o próprio Cristo na instituição da eucaristia.

A Santa missa é a renovação do sacrifício de nosso Senhor. Esse marco foi deixado por Ele (não no ano 394) na última ceia ao proclamar as palavras “Isto é meu corpo (Mc 14,22)” e “Isto é meu sangue (Mc 14,24)”.

ANO 431 – CULTO A VIRGEM MARIA

No ano 431 d.C, ocorreu na cidade de Éfeso um concílio que lançou anátema a pessoa de Nestório que negava a maternidade divina de Maria uma vez que Jesus Cristo, sendo homem, não era Deus. Os padres conciliares afirmaram que a virgem é a verdadeira “Theotókos“, já que Jesus Cristo, mesmo habitando em uma tenda mortal, preservou seus atributos divinos, sendo totalmente homem e totalmente divino. Dessa forma, não houve um culto proclamado e sim, a fé da Igreja confirmada. Maria é Mãe de Deus não porque tenha gerado a eternidade de Jesus, mas sim pelo fato desse mesmo Senhor, ser o verbo encarnado – “Emanuel – Deus conosco (Mt 1,23 e Lc 1,43)”.

É importante ressaltar que antes mesmo da existência desse concílio, a Virgem Maria já era venerada pela Igreja. Encontramos tais afirmações em muitos escritores anteriores a Éfeso:

Santo Hipólito de Roma (170 – 236) – “(…) O corpo de Maria toda, sempre virgem, por uma concepção imaculada, sem conversão, e se fez homem na natureza, mas em separado da maldade: o mesmo era Deus perfeito, e o mesmo era o homem perfeito, o mesmo foi na natureza em Deus, uma vez perfeito e homem”. [4].

São Gregório de Neucaesarea (213 – 270) – “Para a santa virgem, guardado cuidadosamente a tocha da virgindade, e deu ouvidos diligentemente que não deveria se extinta ou contaminada”. [5]

Dídimo, o cego (313 – 398) – “Nada fez Maria, que é honrada e louvada acima de todas as outras: não se relacionou com ninguém, nem jamais foi Mãe de qualquer outro filho; mas, mesmo após o nascimento de seu filho [único], ela permaneceu sempre e para sempre uma virgem imaculada”. [6]

Não apenas os antigos padres, mas, a própria virgem em seu “Magnificat” menciona que todas as gerações teriam um profundo amor por sua cooperação na obra da salvação:

Lc 1,48 – “Porque olhou para a humilhação de sua serva. Sim! Doravante, TODAS as GERAÇÕES me chamarão de bem-aventurada”.

ANO 500 – USO DA ROUPA SACERDOTAL

Ex 29,6 – “E a mitra porás sobre a sua cabeça; a coroa da santidade porás sobre a mitra”.

Ex 39,1 – “Fizeram também as vestes do ministério, para ministrar no santuário, de azul, e de púrpura e de carmesim; também fizeram as vestes santas, para Arão, como o SENHOR ordenara a Moisés”.

Ex 39,27-28 – “Fizeram também as túnicas de linho fino, de obra tecida, para Arão e para seus filhos. E a mitra de linho fino, e o ornato das tiaras de linho fino, e os calções de linho fino torcido”.

O uso da “roupa sacerdotal” é um costume oriundo dos mais antigos tempos judaicos. O uso da veste litúrgica, está ligado intimamente com o cristianismo e essa forma de culto visual, foi estabelecida anteriormente a própria Igreja.

Os judeus as utilizavam e posteriormente, os católicos fariam seu uso.

ANO 503 – DOUTRINA DO PURGATÓRIO

2 Mc 12,45-46 – “Mas, se considerava que uma belíssima recompensa está reservada para os que adormecem na piedade, então era santo e piedoso o seu modo de pensar. Eis por que ele mandou oferecer esse sacrifício expiatório pelos que haviam morrido, a fim de que fossem absolvidos do seu pecado”.

Mt 5,25-26  “Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao oficial, e te encerrem na prisão. Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o último ceitil”. 

Mt 12,32 – “Se alguém disser uma palavra contra o filho do homem, ser-lhe-á perdoado, mas se disser conta o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem nesta era, nem na outra”.

Embora a palavra “purgatório” tenha surgido posteriormente à era apostólica, há na escritura provas abundantes que desde o início da fé primitiva, a crença na oração pelos defuntos em sufrágio pelos pecados dos homens é antiga. Verificamos isso no relato do livro dos Macabeus sobre o “sacrifício expiatório” pelas faltas dos que já haviam morrido.

No evangelho de São Mateus, é afirmado que os pecados contra o espírito santo não serão perdoados aqui e “nem em outra era”. Do mesmo modo, o evangelista escreve que ao sermos lançados na prisão (purgatório), deveremos permanecer ali, até pagarmos o último centavo (pecado). O purgatório é considerado pela Igreja Católica como um “estado” de purificação pelas “faltas não perdoadas em vida”. Tal doutrina, corrobora perfeitamente com o livro das revelações, onde São João, menciona que no “céu não se entra pecado”:

Ap 21,27 – “E não entrará nela coisa alguma que contamine, e cometa abominação e mentira; mas só os que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro”. 

Além das informações bíblicas, possuímos relatos importantes a respeito dessa crença nos cristãos primitivos. Tertuliano, nascido em Cartago antes do ano 160 (343 anos antes da suposta invenção do purgatório), já escrevia a cerca de tal doutrina:

“Por isso, é muito conveniente que a alma, sem esperar a carne, sofra um castigo pelo que tenha cometido sem a cumplicidade da carne. E, igualmente, é justo que, em recompensa pelos bons e piedosos pensamentos que tenha tido sem a cooperação da carne, receba consolos sem a carne. Mais ainda: as próprias obras realizadas com a carne, ela é a primeira a conceber, dispor, ordenar e pô-las em alerta. E ainda naqueles casos em que ela não consente em pô-las em alerta, no entanto, é a primeira a examinar o que logo fará no corpo. Enfim, a consciência não será nunca posterior ao fato. Consequentemente, também a partir deste ponto de vista, é conveniente que a substância que foi a primeira a merecer a recompensa seja também a primeira a recebê-la. Em suma: já que por esta lição que nos ensina o Evangelho entendemos o inferno, já que ‘por esta dívida, devemos pagar até o último centavo’, compreendemos que é necessário purificar-se das faltas mais ligeiras nesses mesmos lugares, no intervalo anterior à ressurreição; ninguém poderá duvidar que a alma recebe logo algum castigo no inferno sem prejuízo da plenitude da ressurreição, quando receberá a recompensa juntamente com a carne” [7]

ANO 528 – EXTREMA UNÇÃO

A extrema unção ou a unção dos enfermos, é um dos sete sacramentos e sua aplicação, consta registro nas sagradas escrituras:

Tg 5,14-15 – “Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da Igreja, e orem sobre ele, ungindo-o com azeite em nome do Senhor: E a oração da fé salvará o doente, e o Senhor levantará, e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados”.

ANO 783 – ADORAÇÃO DAS IMAGENS E RELÍQUIAS

Por volta do ano 700 d.C, houve uma grande quantidade de pessoas que não aceitavam o uso de imagens dentro das Igrejas Cristãs. Essa manifestação foi chamada de “iconoclastia” (do grego εικών, transl. eikon, “ícone“, imagem, e κλαστειν, transl. klastein, “quebrar”, portando “quebrador de imagem”) e tinha como um único fundamento: reprimir qualquer manifestação venerativa em favor dos objetos sacros.

Durante muitos séculos, surgiram diversas heresias, sendo que para refreá-las, eram realizados concílios para manter aquilo que a fé católica sempre teve por verdade. No ano de 783 d.C, houve um concílio ecumênico (Nicéia II) que promulgou o restabelecimento do uso de objetos sagrados na liturgia e pelos fieis. Dessa forma, o concílio decidiu por aquilo que há séculos existia dentro do núcleo cristão.

É importante lembar que o uso das imagens, é uma pratica iniciada pelo judaísmo e que posteriormente, foi adotada por cristãos. Além das catacumbas que revelam os sinais sensíveis da fé de um povo martirizado, o velho testamento refuta através de inúmeras passagens, qualquer iniciativa iconoclasta.

Vejamos:

  • Cortinas e véus do tabernáculo possuíam imagens de querubins (Ex 26,1 e 26,31);
  • Duas imagens de querubins fundidos com ouro na extremidade do propiciatório (Ex 25,18);
  • Cobra de metal fundido erguida por Moisés para cura do povo (Nm 21,8-9);
  • Duas imagens de querubins no oráculo (1 Rs 6,23);
  • As paredes (internas e externas) eram entalhadas de anjos e palmas (1 Rs 6,29);
  • As portas eram entalhadas e cobertas de ouro com querubins, palmas e flores (1 Rs 6,32);
  • Almofadas e Juntas havia imagens de leões, bois e querubins (1 Rs 7,29);
  • Nas placas do templo havia lavrados querubins, leões e palmas (1 Reis 7,36);
  • Acima da porta, no interior do templo e por toda a parede (dentro e fora) estava coberto por figuras (Ez 41,17);
  • Haviam dois querubins sendo que os mesmos estavam ESCULPIDOS da seguinte forma: Um lado da face era humano e o outro lado era de um leão (Ez 41,18-19);
  • Na parede do templo, do piso até a porta, mais representações de querubins (Ez 41,20);
  • Algumas portas do templo também tinham querubins figurados (Ezl 41,5);
  • Abaixo de um “mar de fundição”, havia figuras de bois e duas fileiras do mesmo animal (imagens fundidas) (2 Cr 4,3);
  • Havia outros 12 bois: três que olhavam para o norte, três que olhavam para o ocidente, três que olhavam para o sul, e três que olhavam para o oriente (2 Cr 4,4).


ANO 993 – CANONIZAÇÃO DOS SANTOS

A canonização dos santos é um processo onde a Igreja, entende que determinada pessoa, morreu em estado de graça e já integra o Corpo Celeste (Hb 12,22-23). A primeira canonização ocorreu com o ladrão na cruz onde o próprio Cristo, afirmou que ainda hoje, ele (ladrão) estaria com Jesus no paraíso:

Lc 23,42-43 – “E acrescentou: “Jesus, lembra-te de mim, quando vieres com teu reino”. Ele respondeu: “Em verdade, eu te digo, hoje estarás comigo no Paraíso”.

Um ponto importante que deve ser observado é que durante séculos, a Igreja possuiu muitos santos(a), entretanto, não havia um critério necessário para a escolha. Exemplo claro, encontramos nas Igrejas Orientas que atualmente, não possuem um processo de canonização como é conhecido na Igreja de Roma. O próprio site “Ecclesia” menciona que “em circunstâncias excepcionais, um culto público pode vir a ser estabelecido sem qualquer ato formal de canonização”. [8]

Concretamente, no ano 993 d.C, com o aumento de pedidos de santidade de muitos, a Igreja sentiu a necessidade de estabelecer conceitos importantes para se proclamar que uma pessoa era santa. O primeiro a ser canonizado por essa fórmula foi Santo Ulrico em 3 de fevereiro de 993 pelo Papa João XV.

ANO 1074 – CELIBATO SACERDOTAL

Mt 19,10-12 – “Os discípulos disseram-lhe: “Se é assim a condição do homem em relação à mulher, NÃO VALE A PENA CASAR-SE”. Ele acrescentou: “Nem todos são capazes de compreender essa palavra, mas só aqueles a quem é concedido. Com efeito, há eunucos que nasceram assim, do ventre materno. E há eunucos que foram feitos eunucos pelos homens. E há eunucos que se fizeram eunucos por CAUSA DO REINO DOS CÉUS. Quem tiver capacidade para compreender, compreenda!”

1 Cor 7,8 – “Contudo, digo aos CELIBATÁRIOS e às viúvas que é bom FICAREM como eu”.

1 Cor 7,32 – “Eu quisera que estivésseis isentos de preocupações. Que NÃO TEM ESPOSA, cuida das coisas do Senhor e do modo de agradar ao Senhor”.

1 Cor 7,37 – “Mas aqueles que, no seu coração tomou firme propósito, sem coação e no pleno uso da própria vontade e em seu íntimo decidiu conservar a sua virgindade, esse PROCEDE BEM”.

Ap 14,4 – “Estes são os que não se contaminaram com as mulheres: SÃO VIRGENS. Estes seguem o cordeiro, onde quer que ele vá. Estes foram resgatados dentre os homens, como primícias para Deus e para o Cordeiro”.

A argumentação bíblica já afirma por si só que o ano de “1074”, é apenas uma falácia. Contudo, é importante ressaltar que a Igreja desde o início, possuía celibatários. O próprio apóstolo São Paulo, foi um. Entretanto, não era uma conduta disciplinar como é atualmente. Quem faz a opção pelo sacerdócio, escolhe de livre e espontânea vontade manter-se casto pelo Senhor. Como o próprio Cristo afirmou: “existem eunucos que assim se fizeram por causa do Reino dos Céus“. Os celibatários seguem esse ensinamento.

ANO 1215 – CRIOU-SE A CONFISSÃO AURICULAR

A prática da confissão auricular está embasada em duas passagens:

Jo 20,22-23 – “Dizendo isso, soprou sobre eles e lhes disse: “Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; aqueles aos quais retiverdes ser-lhes-ão retidos”. 

Tg 5,16 – “Confessai, pois, uns aos outros, vossos pecados (…)”. 

Não apenas a fé católica, mas, a própria fé reformada tradicional assume que o ato de confessar-se, era uma pratica que ocorria desde o início. A “Bíblia Calvinista de Estudo de Genebra”, tece o seguinte comentário em sua nota teológica sobre a passagem de Tg 5,16:

“Tiago não está defendendo aqui que os cristãos confessem seus pecados uns para os outros sob circunstancias normais, mas sim que eles deveriam CONFESSAR SEUS PECADOS aos presbíteros quando tais pecados possam ser as possíveis razões de suas doenças”. [9]

Se uma fonte protestante confirma as primícias dessa prática, como poderíamos pensar que a confissão inciou apenas em 1215 d.C?

2 Cor 5,18 – “Tudo isto vem de Deus, que nos reconciliou consigo por Cristo e nos confiou o mistério da reconciliação”.

ANO 1215 – DOGMA DA TRANSUBSTANCIAÇÃO

1 Cor 11,27 – “Eis que todo aquele que comer do pão ou beber do cálice do Senhor indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor”.

Para refutar tal sofisma, não precisaríamos nem ao menos, recorrer a argumentos primorosos. As Igrejas Orientais, separadas de Roma em 1054, acreditam no milagre da transubstanciação, ou como os ortodoxos chamam: “transmutação”. Seria estranho pensar que esse dogma tenha se instalado na Igreja por volta de 1215. Se a Igreja Ortodoxa, não possuía qualquer ligação com a fé católica, como pensar que eles aceitariam uma imposição do ocidente 161 anos após o cisma?

Por si só, já conseguimos ver a grave mentira neste simples título.

Verdadeiramente, a Igreja sempre acreditou neste mistério de fé. O próprio Cristo deixou claro que sua carne e seu sangue, são comidas verdadeiras (Jo 6,55). O apóstolo São Paulo em sua primeira carta aos coríntios, diz que aquele que bebe e come do corpo do Senhor indignamente, se faz réu para a sua própria condenação (1 Cor 11,27-28).

A patrística foi a grande contribuidora da tradição eucarística. Santo Irineu (180 d.C – 1035 anos antes da argumentação protestante) em sua obra contra os agnósticos (Contra as Heresias), diz a respeito da eucaristia:

Como ainda podem afirmar que a carne se corrompe e não pode participar da vida, quando ela se ALIMENTA do corpo e sangue do Senhor? Então, ou mudam sua maneira de pensar ou se abstenham de oferecer as ofertas de que falamos acima. Quanto a nós, nossa maneira de pensar está de acordo com a Eucaristia e a Eucaristia confirma nossa doutrina. Pois lhe oferecemos o que já é seu, proclamando, como é justo, a comunhão e a unidade da carne e do espírito. Assim como o pão que vem da terra ao receber as invocações divinas de Deus, JÁ NÃO É PÃO COMUM, mas a Eucaristia, feita de dois elementos, o terreno e o celeste, do mesmo modo os nossos corpos, por receberem a Eucaristia, já não são corruptíveis por terem a esperança da ressurreição”. [10]

Será que de fato, esse dogma chegou a ser confirmado apenas depois do ano 1000? Pois bem, como podemos ver, não!

Verdade de fé, irrefutável!

ANO 1546 – INTRODUÇÃO DOS LIVROS APÓCRIFOS  

Os deuterocanônicos não são livros apócrifos. Essa coleção de obras integra a lista oficial da Igreja Católica, desde o início do cristianismo. Assim como o novo testamento foi escrito em grego, o velho testamento, embora originalmente produzido em hebraico, teve sua tradução realizada para o grego.

Denominada de “versão dos setenta” ou “septuaginta“, esse foi o cânon utilizado pelos apóstolos. Antes da data mencionada (1546), encontramos em vários concílios católicos a confirmação dessa formação.

Vejamos:

  • Laodiceia (Regional – 363), Em sua lista cita “Baruc”;
  • Hipona (Regional – 393), Em sua lista, cita todos os livros da versão grega;
  • Cartago III (Regional – 397), Em sua lista, cita todos os livros da versão grega;
  • Cartago IV (Regional – 419), Em sua lista, cita todos os livros da versão grega;
  • Florença (Ecumênico – 1440), Em sua lista, cita todos os livros da versão grega.

Logo, afirmar que tais obras foram inseridas no Concílio de Trento, é ir contra a própria história. É importante observar que as Igrejas Ortodoxas, separadas de Roma desde 1054, também utilizam a septuaginta.

BIBLIOGRAFIA

[1] Eusébio de Cesárea / História Eclesiástica, Livro IV, 15,1-43;
[2] Eusébio de Cesárea / História Eclesiástica, CAPÍTULO XIII – II;
[3] Eusébio de Cesárea / História Eclesiástica, CAPÍTULO XVIII – II;
[4] As obras e fragmentos. Fragmento VII;
[5] The second homily. On the annunciation to the Holy Virgin Mary;
[6] A Trindade 3,4;
[7] Da Alma 58: PL 2,751;
[8] https://www.ecclesia.com.br/biblioteca/igreja_ortodoxa/a_igreja_ortodoxa_fe_e_liturgia5.html;
[9] Bíblia de Genebra, Página 1677;
[10] Irineu de Lião (189-198, Contra as Heresias, livro IV, 18.5).

Escrito por: Érick Augusto Gomes



Categorias:Refutações

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