TEMA 03 – MARIA: IMACULADA CONCEIÇÃO

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Data: 04/12/2017 à 17/12/2017

Primeiro Argumento (Adão, Eva, Jesus e Maria)

Deus cria “Adão e Eva” de forma Imaculada (sem pecado). Por conta dessa falha, todos nós herdamos o chamado “pecado original” (Rm 5,12).

Para que a justiça fosse restabelecida, era necessário que um “novo Adão e uma nova Eva” surgissem. Dessa forma, Deus projeta para a humanidade um salvador (Cristo – Jo 3,16) e um receptáculo que pudesse abrigar o verbo encarnado (Jo 1,1). Essa “arca”, é a nova Eva – Maria Santíssima (Lc 1,28). Para que o ciclo da história fosse completo, ambos (Jesus e Maria), são imaculados para assim, afirmar as verdades futuras da própria transformação de nossos corpos após a ressurreição (1 Cor 15).

Segundo Argumento (Maria e sua relação com a Arca da Aliança)

A arca era objeto de veneração do povo Judeu (1 Cr 13,8), assim como a Virgem é venerada pelos cristãos. A “santidade” que envolvia o objeto era tão grande que ninguém que não fosse consagrado, podia tocá-la (2 Sm 6,6-7 e 1 Cr 13,9-10).

Dessa forma, Maria possui profunda ligação com a “Arca da Aliança”:

1ª Referência
– Na arca, o próprio Deus se manifestava (Ex 25,22; Nm 7,89).

– No ventre de Maria, o próprio Deus se manifestou (Mt 1,23; Jo 1,14).

OBS: Na arca, Deus se fazia presente. Em Maria, Deus se FEZ verdadeiramente presente.

2ª Referência

– A arca da aliança ficava no “santo dos santos” (1 Rs 6,16-19) e ali, para demonstrar a sua glória, Iahweh se fazia presente através de uma nuvem ou sombra (Ex 40,34; I Rs 8,10; Ez 10,3).

– Maria foi tomada pela “sombra do altíssimo” (Lc 1,35) e em seu ventre o próprio Deus se fez presente (Mt 1,23).

3ª Referência

– A Arca carregava a antiga aliança de Deus (Ex 25,16).

– Maria carregou em seu ventre a nova aliança (Hb 12,24).

4ª Referência

– A arca continha à vara de Arão (Nm 17,25; Hb 9,4), símbolo do sacerdócio, uma vez que, após a instituição da Lei, o irmão de Moisés (Arão) foi o primeiro sumo sacerdote da linhagem de Levi (Ex 28,1; Ex 30,30).

– Maria carregava em seu ventre o grande sumo sacerdote (Hb 4,14).

5ª Referência
– A arca continha o maná, o pão descido dos céus para alimentar os hebreus (Ex 16,33; Hb 9,4).

– Maria carregava em seu ventre o próprio pão descido dos céus (Jo 6,51), o verdadeiro maná que se dá por nós (Jo 6,54).

6ª Referência
Antes da “Mulher vestida de Sol” aparecer no livro de Apocalipse (Ap 12), é a arca da aliança que surge no céu:

Ap 11,19 – “O templo de Deus que está no céu se abriu, e apareceu no templo a ARCA da sua aliança. Houve relâmpagos, vozes, trovões, terremotos e uma grande tempestade de granizo”.

Ap 12,1 – “Um sinal grandioso apareceu no céu: uma Mulher vestida com o sol, tendo a lua sob os pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas: estava grávida e gritava, entre as dores do parto, atormentada para dar a luz”.

7ª Referência
2 Mc 2,1-8
Último registro do velho testamento sobre a Arca da Aliança. O escritor menciona que ela só apareceria quando Deus usasse de misericórdia e reunisse seu povo, novamente.

Cristo, sendo o novo Adão, nasce da “nova Arca da Aliança” (Virgem Maria) e reúne todos os povos através de sua salvação (Ap 21,22-23).

8ª Referência
Js 3,11-17
Assim como as águas detiveram-se e não tocaram a “Arca da Aliança”, assim o pecado, não tocou a pureza de Maria Santíssima.

9ª Referência
Jz 6,36-40
Gedeão, utiliza-se de uma “lã de cordeiro” a fim de entender os desígnios de Deus. Israel deveria ser salva pelas mãos dele. Dessa forma, Gideão pede um sinal: em um dia, a lã exposta ao relento, deveria estar encharca pelo orvalho e ao redor, seco. No outro, toda a terra deveria permanecer úmida enquanto a lã estivesse seca.

Esse milagre extraordinário, possui caráter similar ao da virgem: a “lã” simboliza a preservação de Maria Santíssima frente ao pecado original. Assim como a lã permaneceu seca, assim a virgem manteve-se isenta de toda a mancha.

Terceiro Argumento (A interpretação vétero-testamentária dos Padres)

A interpretação dada pelos Padres a respeito da “imaculada conceição” da virgem Santíssima, está ligada intimamente ao livro de Cantares. Essa obra retrata a relação do “Rei com sua Rainha” e em toda a liturgia retratadas sobre a pureza de Maria, os versos seguintes tornam-se provas proféticas de seu nascimento sem a culpa original.

Ct 4,7 – “És toda bela, minha amada e não tens um só defeito”;
Ct 4,12 – “És jardim fechado, minha irmã, minha noiva, és jardim fechado, uma fonte lacrada”;
Ct 5,2 – “Abre, minha irmã, minha amada, pomba minha sem defeito”;
Ct 6,9 – “Uma só é minha pomba sem defeito, uma só a preferida pela mãe que a gerou”;
Ct 6,10 – “Quem é essa que desponta como aurora, bela como a lua, fulgurante como o sol, terrível como esquadrão com bandeira desfraldadas?”

Além das passagens bíblicas, é importante ao menos, através de uma simples citação, observar o pensamento dos primeiros escritores cristãos a respeito da santidade de Maria.

Apologia segundo os fragmentos gregos, por Aristides de Atenas (117 a 138 d.C):

“Os cristãos, porém, descendem do Senhor Jesus Cristo e este é confessado como Filho do Deus Altíssimo no Espírito Santo, descido do céu para a salvação dos homens. Gerado de uma virgem santa, sem germe nem corrupção, encarnou-se e apareceu aos homens, para afastá-los do erro do politeísmo” (Apologia s.f. gregos 15,1).

Quarto Argumento (Lc 1,28 – “Cheia de Graça” – κεχαριτωμένη)

Olhando para o novo testamento, podemos encontrar duas referências claríssimas a imaculada conceição da Virgem.

A passagem é muito conhecida:

Lc 1,28 – Entrando onde ela estava, disse-lhe: “Alegra-te cheia de graça, o Senhor está contigo”!

Lc 1,28  – καὶ εἰσελθὼν πρὸς αὐτὴν εἶπεν, χαῖρε, κεχαριτωμένη, ὁ κύριος μετὰ σοῦ.

Neste contexto, o anjo troca o nome de Maria por “κεχαριτωμένη” (cheia de graça). Esse termo é tido como um “vocativo”. É como se de fato, o enviado de Deus, não quisesse se referir a virgem pelo seu nome de nascença e sim, imputar-lhe uma nova característica. Logo, podemos afirmar que Maria é o sinônimo de cheia de graça.

É importante afirmar que essa palavra (κεχαριτωμένη) NUNCA foi usada por qualquer outro escritor bíblico. São Lucas usa-a propositalmente para afirmar que Nossa Senhora estava “cumulada pela graça santificadora de Deus”. Com isso, podemos entender o porquê lemos em Jó 14,4 que é impossível o “puro sair do impuro”.

Outro fato de importante verificação é que na passagem de Lc 1,30, o Anjo diz que Maria “encontrou graça perante Deus”. Essa “graça encontrada” (εὖρες γὰρ χάριν) é muito semelhante a utilizada pelos escritores do VT quando mencionam que Noé achou graça perante Deus (Gn 6,8 – εὗρεν χάριν), assim como Moisés (Ex 33,17 – εὕρηκας γὰρ χάριν).

Dessa forma, São Lucas afirma que desse ser puro, sem mácula do qual toda a plenitude de Deus é encontrada (Gl 4,4), sairia um novo povo, assim como dos antigos patriarcas (Noé e Moisés).

Quinto Argumento (A santificação de Maria foi superior à dos profetas)

João Batista e Jeremias, são exemplos bíblicos onde Deus, utilizando de seu poder, santifica-os ainda no ventre de suas progenitoras:

Jr 1,5 – “Antes mesmo de te modelar no ventre materno, eu te conheci; antes que saísse do seio, eu te consagrei”.

Lc 1,44 – “Pois quando tua saudação (Maria Santíssima) chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria em meu ventre”.

Para prepará-los em suas respectivas missões, Deus os “santifica” antes mesmo do própria nascimento. No que diz respeito a Mãe de Deus (Lc 1,43) e sua incumbência de portar o próprio Deus (Jo 1,1), Nossa Senhora é preservada do pecado pelos méritos do próprio Cristo para assim, tornar eficaz a sua tarefa (maternidade divina) na história da salvação .

Sexto Argumento (A sabedoria não habita em um corpo devedor ao pecado)

Jesus Cristo é a própria sabedoria encarnada (Hb 1,3). Se a sabedoria não pode habitar em um “corpo devedor ao pecado“, como poderia Jesus, habitar durante nove meses em um templo manchado pela culpa original?

Sb 1,4 – “A Sabedoria não entra numa alma maligna, ela não habita num corpo devedor ao pecado”.

REFUTANDO OBJEÇÕES 

“Maria não poderia ser imaculada, pois, ela foi purificada”

Quando a Virgem deu a luz ao Salvador, tanto ela quanto o Cristo estavam sob as regras da lei de Moisés, isto é, independente de Jesus ser Deus e independente de Maria ser a mãe do Salvador, ambos deveriam se sujeitar as normas impostas, mesmo que em alguns casos elas não fossem aplicadas, por exemplo a Jesus que é Deus e por ser Ele o “verbo encarnado” (Jo 1,1), Ele estaria acima de qualquer lei ou determinação humana.

Mas, sabemos que o Messias sujeitou-se as nossas condições e por esse motivo, viveu etapas da vida de um homem comum para a época. Ele não precisaria se submeter a essas “leis”; as fez por amor e por um exemplo a ser seguido. Sendo assim, faço as seguintes perguntas:

  • Jesus Cristo, sendo Deus, precisaria ser “circuncidado” no oitavo dia? (Lc 2,21);
  • Jesus Cristo, sendo Deus, precisaria se “submeter” aos cuidados de Maria durante trinta anos, já que seu ministério iniciou após essa idade? (Lc 3,23);
  • Jesus Cristo, sendo Deus, precisaria de uma profissão formal para se manter? (Mc 6,3);
  • Jesus Cristo, sendo Deus e livre de qualquer pecado, precisaria ser Batizado? (Mt 3.13);
  • Embora a gravidez de Maria Santíssima tenha sido por obra de Deus, já que ela concebeu sem conhecer homem algum (Lc 1,34), Jesus Cristo, sendo Divino, poderia vir ao mundo por muitas outras formas para nos salvar?
  • Haveria a necessidade que a Virgem apresentasse Jesus Cristo no templo, mesmo Ele sendo Deus? (Lc 2.22).

As respostas para as questões acima são simples por entendermos a grandeza do mistério de Cristo. Jesus não precisaria passar por nenhuma dessas etapas por ser o próprio Deus, porém, Ele quis que assim fosse, pois, o Salvador se fez como nós para que fossemos libertos do pecado por sua morte na cruz. E o que isso tem a ver com Maria? Bom, o fato da Mãe do Cristo ter passado por um processo de “purificação” não demonstra que ela tinha pecados e sim, que estava sob a lei assim como Jesus estava.

Jesus sendo Deus, não precisava se sujeitar a lei, mas por humildade, se sujeitou. Maria sendo a Mãe de Deus e imaculada por conta dos méritos de seu filho que a salvou, também se sujeitou a lei com muita humildade e viveu o seu tempo de “purificação” assim como seus antepassados.

Para os menos avisados, a Igreja Católica comemora com festa o dia da “purificação de Nossa Senhora”.

http://www.montfort.org.br/domingo-2-de-fevereiro-purificacao-de-nossa-senhora/

“Maria não poderia ser imaculada, pois, a bíblia diz que todos pecaram”

O princípio dessa lógica, não possui qualquer fundamento estruturado.

Demonstremos abaixo, casos onde os escritores bíblicos fazem uma afirmação, porém, existem outros relatos escriturísticos que demonstram exceções:

1 – A mesma escritura que afirma que “todos pecaram” (Rm 3,23), é a mesma que afirma que “não há um justo se quer” (Rm 3,10), porém, a própria palavra atesta que São José foi chamado de “justo” pelo evangelista São Mateus (Mt 1,19).

2 – Do mesmo modo, quando olhamos para a epístola aos Hebreus, o escritor diz: “E como é fato que os homens devem morrer uma só vez, depois do que vem um julgamento” (Hb 9,27). Se após a morte vem o “juízo“, qual seria a condição para que alguém fosse ressuscitado e tivesse uma “segunda chance” sendo que sua alma já estaria julgada? De acordo com o texto bíblico, nenhuma. Entretanto, sabemos que durante o ministério de Jesus e após a sua ascensão, muitos casos foram relatados (Lc 7,11-15; Lc 8,41-42.49-55; Jo 11,1-44; Mt 27,52, Mt 28,1-8; At 9,36-43 e At 20,9-10).

“Maria não poderia ser imaculada, pois, a bíblia diz que ela precisou de um salvador”

Maria Santíssima não apenas precisou de um salvador, como, foi salva pelo próprio Cristo. O pecado original é chamado de “pecado de analogia“, pois, não é cometido e sim transmitido. Jesus Cristo, através da sua morte de cruz, não apenas nos remiu, como também, salvou a virgem por meio de seus perfeitíssimos méritos. Maria foi antecipada ao processo de salvação concedido a toda humanidade.

A refutação pode ser vista através do próprio Catecismo:

Está santidade resplandecente, absolutamente única da qual Maria é enriquecida desde o primeiro instante de sua conceição lhe vem inteiramente de Cristo: <Em vista dos méritos de seu Filho, foi redimida de um modo mais sublime>. Mais do que qualquer outra pessoa criada, o Pai a abençoou com toda a sorte de bênçãos espirituais, nos céus, em Cristo (Ef 1,3)” – CIC 492-493

“Maria não poderia ser imaculada, pois, só Deus não tem pecados”

A lógica passa a não ter qualquer fundamento quando, olhamos para os “anjos de Deus“. Os seres angelicais também são criaturas, entretanto, neles não há a mancha do pecado. Se o argumento obtivesse qualquer respaldo bíblico e histórico, deveríamos pensar que os Anjos e Arcanjos são deuses.

Porém, sabemos que são seres a serviço de Deus e dos que herdam a salvação (Hb 1,13-14).  As almas que morrem em estado de graça, também estão isentas do pecado (Ap 7,13-15).

Dessa forma, não há qualquer empecilho que impedisse que Maria tivesse sido preservada da culpa original.

“Maria não poderia ser imaculada, pois, seus pais eram pecadores e ela poderia contrair o culpa original”

Para responder essa questão, precisamos entender o seguinte ponto:

1 – O pecado é tido pela Igreja como “analógico“, logo, a “culpa original” é transmitida e não cometida;

2 – O pecado não é passado de forma biológica, mas, com um conceito “metafísico“.

Tendo em vista essas duas primícias, precisamos tomar como base que Jesus Cristo era e é o próprio Deus. Além disso, Jesus não está submetido as leis do tempo (cronos). Maria Santíssima deveria possuir um ventre imaculado, não porque esse pecado seria “passado a Cristo de uma forma biológica” (como acontece com o sangue da mãe que está juntamente da pele do filho após o parto), mas sim, porque Ele era um ser divino (Jo 1,1) e deveria habitar em uma tenda livre de qualquer corrupção.

Maria, por sua vez, sendo a Mãe de Deus, era uma criatura moldada pelo altíssimo e não tinha nenhuma obrigatoriedade de ser gestada em um ventre livre do pecado original. A virgem sendo preservada e remida desse pecado em vista dos méritos de Jesus na cruz, ainda no ventre de sua mãe, Santa Ana, é santificada para assumir sua missão no projeto de salvação da humanidade (assim como Jeremias e Jacó).

O pecado não é passado de forma biológica. Logo, o ventre santo de Maria foi uma habitação perfeita para Jesus. Em relação a Virgem, sua santificação era necessária, mas, pelo falta de ser uma “criatura”, o ventre de sua mãe não precisaria estar livre do pecado original.

BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR

  • Dicionário de Mariologia; Editora Paulus;
  • Mariologia: Síntese bíblica, histórica e sistemática; Paredes, José Cristo Rey; Editora Ave Maria.


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