TEMA 06 – IMAGENS E ÍCONES

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Data: 05/02/2018 à *** assunto em debate.

1 – Qual a interpretação correta de Ex 20,3-4?

Em Êxodo, através do decálogo, o escritor procura manifestar a crença perfeita e única no “Deus todo poderoso – <Eu Sou Aquele que Sou> (Ex 3,14)”. O povo hebreu havia permanecido escravizado por 430 anos (Ex 12,40) e com isso, haviam perdido a “sensibilidade” em relação ao divino. Embora conhecessem o Deus de “Abraão, Isaac e Jacó“, já não tinham provas suficientes para cultuá-lo.

Quando Moisés desloca-se até o monte Sinai para escrever os mandamentos de Deus, o povo judeu, se apressa em fazer um bezerro de ouro e adorá-lo. Nesse sentido, o mandamento estipula a proibição da fabricação de ídolos (εἴδωλον/eidólon [grego] e fessel / pesel [hebraico]) e não de imagens.

Analisando o verso em seu devido contexto, encontramos a proibição de acordo com os deuses cultuados da época:

Não farás ídolos (…) que se encontre no alto do céu“: ídolos alados – Rá (ou Rê), Hórus, Íbis e Toth.

Não farás ídolos (…) embaixo da terra“: ídolos terrestres – Anúbis, Ápis, Khepra, Babuino e Apófis. 

Não farás ídolos (…) nas águas debaixo da terra“: ídolos aquáticos – Sebek e Tuéris.

Dessa forma, a análise correta do texto de Êxodo não consiste em proibir esculturas (até porque, o próprio Deus ordena, posteriormente, que sejam fabricadas) e sim, revelar que os deuses que estavam presentes na vida do povo judeu nos últimos quatro séculos, não deveriam ser adorados, pois, Ele (Iahweh) era o único que havia libertado o seu povo da casa da servidão (Ex 20,2).

2 – Qual é o ensino da Igreja Católica sobre os ícones e imagens?

A resposta está nos parágrafos 2129-2132.

IV. «Não farás para ti nenhuma imagem esculpida…»

2129. Esta imposição divina comportava a interdição de qualquer representação de Deus feita pela mão do homem. O Deuteronômio explica: «Tomai muito cuidado convosco, pois não vistes imagem alguma no dia em que o Senhor vos falou no Horeb do meio do fogo. Portanto, não vos deixeis corromper, fabricando para vós imagem esculpida» do quer que seja (Dt 4, 15-16). Quem Se revelou a Israel foi o Deus absolutamente transcendente. «Ele é tudo», mas, ao mesmo tempo, «está acima de todas as suas obras» (Sir 43, 27-28). Ele é «a própria fonte de toda a beleza criada» (Sb 13, 3).

2130. No entanto, já no Antigo Testamento Deus ordenou ou permitiu a instituição de imagens, que conduziriam simbolicamente à salvação pelo Verbo encarnado: por exemplo, a serpente de bronze a arca da Aliança e os querubins.

2131. Com base no mistério do Verbo encarnado, o sétimo Concílio ecumênico, de Niceia (ano de 787) justificou, contra os iconoclastas, o culto dos ícones: dos de Cristo, e também dos da Mãe de Deus, dos anjos e de todos os santos. Encarnando, o Filho de Deus inaugurou uma nova «economia» das imagens.

2132. O culto cristão das imagens não é contrário ao primeiro mandamento, que proíbe os ídolos. Com efeito, «a honra prestada a uma imagem remonta (63) ao modelo original» e «quem venera uma imagem venera nela a pessoa representada» (64). A honra prestada às santas imagens é uma «veneração respeitosa», e não uma adoração, que só a Deus se deve:

O culto da religião não se dirige às imagens em si mesmas como realidades, mas olha-as sob o seu aspecto próprio de imagens que nos conduzem ao Deus encarnado. Ora, o movimento que se dirige à imagem enquanto tal não se detém nela, mas orienta-se para a realidade de que ela é imagem” (1)

(1) São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 2-2. q. 81, a. 3, ad 3: Ed. Leon. 9, 180.

3 – A escritura menciona a presença de imagens no culto judeu?

Sim. A liturgia do culto hebreu, contemplava a presença de imagens e sinais que contribuíam no aguçamento da fé judaica.

Vejamos alguns exemplo:

TABERNÁCULO 

Antes da construção do Tabernáculo, foi ordenado a Moisés que ele o erguesse conforme o modelo mostrado no monte:

Ex 25,40
 – “Faz tudo de acordo com o modelo que te foi mostrado no alto da montanha”.

E qual era o modelo? O modelo era refletir as verdades celestiais (Hb 8,5) e por esse motivo, Deus solicita que Moisés:

  • Pinte as cortinas e véus do templo com IMAGENS de querubins (Ex 26,1 e 26,31);
  • Nosso Senhor orienta a confecção de duas IMAGENS de querubins fundidos com ouro para serem colocados na extremidade do propiciatório (Ex 25,18);
  • Haviam IMAGENS de chifres no tabernáculo (Ex 27,2);
  • Velas acesas perante as tábuas da Lei (Ex 27,20-21);
  • Incenso queimado no altar (Ex 30,1);
  • Objetos sagrados, onde as pessoas que os tocavam eram “santificadas” (Ex 30,29).

Ao fim de toda a construção, o escritor revela que “Deus habita no santuário“, isto é, mesmo que houvessem pinturas, ícones e imagens dentro do tabernáculo, ali era o local onde Iahweh se fazia presente (Ex 25,8) e era santo pois fora ungido (Ex 40,9).

TEMPLO CONSTRUÍDO POR SALOMÃO

Na construção do Tempo erguido por Salomão, verificamos a sacramentalidade inserida dentro do ambiente judaico, provando mais uma vez que, o uso de imagens não é uma herança pagã e sim, um costume judaico/cristão já adotado pela Igreja primitiva. No templo construído havia:

  • Duas imagens de querubins no oráculo (1 Rs 6,23);
  • As paredes (internas e externas) eram entalhadas de anjos e palmas (1 Rs 6,29);
  • As portas eram entalhadas e cobertas de ouro com querubins, palmas e flores (1 Rs 6,32);
  • Doze touros no templo (1 Rs 7,23);
  • Almofadas e Juntas havia imagens de leões, bois e querubins (1 Rs 7,29);
  • Nas placas do templo, esculpidos, haviam, querubins, leões e palmas (1 Rs 7,36);
  • Objetos sagrados (1 Rs 8,4).

No livro de segunda Crônicas, lemos outros adornos no templo, sendo eles:

  • Objetos Sagrados (1 Cr 22,19);
  • Haviam figuras de bois e duas fileiras do mesmo animal (imagens fundidas) (2 Cr 4,3);
  • Havia outros 12 bois: três que olhavam para o norte, três que olhavam para o ocidente, três que olhavam para o sul, e três que olhavam para o oriente (2 Cr 4,4);
  • Querubins esculpidos nas paredes (2 Cr 3,7);
  • Querubins bordados nas cortinas (2 Cr 3,14).

No livro de Ezequiel, podemos enxergar mais detalhes do templo. A partir do capítulo 41, encontramos muitas referências sacras, tais como:

  • Acima da porta, no interior do templo e por toda a parede (dentro e fora) estava coberto por figuras (Vrs 17);
  • Haviam dois querubins, sendo que os mesmos estavam ESCULPIDOS da seguinte forma: Um lado da face era humano e o outro lado era de um leão (Vrs 18 e 19);
  • Na parede do templo, do piso até a porta, mais representações de querubins (Vrs 20);
  • Algumas portas do templo também tinham figuras de querubins (Vrs 25).


COBRA FUNDIDA PARA CURAR

Um dos retratos visíveis de Cristo que podem ser refletidos no velho testamento, trata-se da cobra erguida por Moisés. No evangelho de João é dito que:

Jo 3,14
 – “E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado”.

E qual serpente foi essa? Bom, para que o povo de Deus fosse salvo das picadas das cobras, Iahweh ordenou:

  • Fundição de uma IMAGEM de uma serpente de bronze que colocada em uma haste, seria motivo de “salvação”, uma vez que, todo aquele que OLHASSE para a IMAGEM viveria, ainda que tivesse sido infectado (Nm 21,8-9).

É importante afirmar que embora os hebreus já tivessem dado provas suficientes que se corrompiam facilmente frente a ídolos, em nenhum momento, existiu questionamentos por parte de Moisés ou resistência em fundir a imagem da cobra. Talvez, o primeiro questionamento que deveria ser levantado pelo libertador é o fato de correr riscos ao esculpir tal escultura, já que Israel, poderia ver nesta imagem um deus, entretanto, não é isso que comprovamos ao ler o texto bíblico. Deus ordena que Moisés faça a cobra e a coloque sobre uma haste e assim, todo aquele que olhasse para a serpente, seria curado. Aqui, vemos claramente que o problema não se encontra em uma imagem propriamente dita, mas sim, na intenção de quem a vê. Iahweh poderia ter usado de outros recursos para curar seu povo e mesmo sabendo de todo o perigo que já havia se passado com o “bezerro de ouro”, ordenou sua confecção.

Assim, quando os israelitas deixaram de “venerar” tal objeto e passaram a adorá-la, ela foi destruída (2 Rs 18,4). O escritor do livro de Reis, deixa claro que a “Cobra erguida por Moisés foi feita em pedaços“.

A IMPORTÂNCIA DA ARCA DA ALIANÇA

Embora na arca da aliança, fosse manifestada a presença de Deus (Ex 25,22) é notável dizer que o objeto em si, tinha grande importância para os Israelitas. Lemos em algumas passagens que seu uso era grande no meio do povo:

  • Quando a nação de Israel se movia, a arca deveria ir a frente (Nm 10,33);
  • Os anciãos se prostravam perante a arca que possuía imagens (Js 7,6);
  • O povo Judeu acreditava que a arca da aliança, os salvaria da mão dos filisteus (1 Sm 4,3 – vrs 7);
  • Procissão com a arca (1 Sm 6,21; 7,1);
  • Davi e toda a casa de Israel dançava perante a arca (2 Sm 7,18);
  • Embora a arca fosse feita de imagens fundidas, para o povo de Israel, ali encontrava-se o próprio Deus (1 Cr 13,8);
  • Embora Salomão tenha sido o construtor do templo, a vontade de seu Pai Davi era construir uma casa estável para a “Arca da Aliança” (2 Cr 28,2);
  • A arca era transportada no ombro, assim como as procissões cristãs católicas da atualidade (2 Cr 35,3)

4 – Os primeiros cristãos, possuíam imagens?

O uso de imagens é parte integral da cultura judaica e é justo dizer que os primeiros cristãos as usavam, já que os novos convertidos eram hebreus, adiante, os gentios se juntaram a essa multidão de novos crentes. Embora a bíblia não narre com total clareza a forma cultual e o local em que eram celebradas as primeiras manifestações dessa nova fé, vemos através da história que as perseguições geradas pelo império obrigou muitos cristãos a oferecem seus “sacrifícios espirituais” em locais inapropriados, já que muitos desses lugares, eram cemitérios de pessoas que já haviam sido martirizadas. Tais pontos de encontro atualmente, são reconhecidos como catacumbas que eram construídas em locais subterrâneos e os corpos falecidos eram enterrados e os que ali ficavam, poderiam adorar a Cristo. Dessa forma, vemos que nestes locais, haviam muitas imagens e pinturas já indicando que a Igreja, desde muito cedo, trilhava uma iconografia, mesmo que muito simples.

Acessando os links abaixo, poderemos ver o quão é antigo o uso de imagens e pinturas no início da era cristã:

http://www.ecclesia.com.br/biblioteca/historia_da_igreja/a_arte_crista.html

http://www.catacombe.roma.it/it/percorsi.php

http://noticias.terra.com.br/ciencia/italia-catacumbas-cristas-reabrem-apos-cinco-anos-de-restauracao,fb4610d19c172410VgnVCM20000099cceb0aRCRD.html

http://www.pime.org.br/mundoemissao/culturaculcristaos.htm

5 – As imagens e ícones, podem ser usados na evangelização?

Com toda certeza! Dizia São João Damasceno:

“O que a bíblia é para os que sabem ler, a imagem o é para os iletrados” [Aquino, Felipe; Editora Cléofas, “Por que sou católico”; pg 123]

A iconografia cristã por essência, possui um teor evangelístico. Assim como a escritura ensina através das palavras, as sagradas imagens ensinam através do olhar.



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