REFUTANDO O CACP: “PURGATÓRIO: O TERCEIRO LUGAR”

INTRODUÇÃO

Ainda que outras confissões cristãs afirmem que não exista um “lugar de purificação” dos pecados, a Igreja Católica durante os séculos, foi precisa em afirmar que este estado está compreendido na tradição e na escritura. O estado de purgação dos pecados, só existe e é aplicado justamente pelos méritos de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo que conquistou todos os meios para nos salvar através de seu sacrifício redentor na cruz do calvário.

O grande empecilho para os “cristãos” que não creem nesta realidade é conciliar a remissão da pena temporal, com as faltas não arrependidas e que devem ser perdoadas, uma vez que no céu, nada de impuro poderá entrar (Ap 21,27).

Neste novo artigo, tratarei de responder as argumentações do reverendo Natanael, assim como, um pequeno parágrafo publicado pela revista “Veja” que consta no texto do CACP.

OBS: O texto a ser refutado estará em vermelho.

REFUTANDO O COMENTÁRIO DA REVISTA VEJA

A Revista VEJA*, trouxe um artigo sobre o purgatório, em que faz constar o seguinte: “Hoje um tanto fora de moda mesmo entre os fiéis, o purgatório representou um lance de criatividade teológica: permitiu que os cristãos administrassem melhor sua relação com os mortos.

R: Grande parte do público que ataca a fé católica, curiosidade, não é católico. É interessante perceber o desconhecimento nítido que homens e mulheres demonstram frente a Igreja, porém, ao invés de reservar-se a si mesmo e com gestos de humildade, buscar o aprendizado, preferem afirmar situações simplesmente inexistentes.

O purgatório não está “fora de moda”. Em todas as missas, continuamos rezando pelas almas dos que se foram. Após a confissão, é comum que o sacerdote exija como penitência, a oração em sufrágio pelos mortos, assim como, durante o dia de finados, assim o fazemos.

Deus nos ama, deseja a nossa salvação e nós como cristãos, comungamos do Corpo Místico de Cristo através da oração. Se aqui estamos, ou se daqui partirmos, continuaremos unidos, pois, nosso batismo é o sinal de que somos filhos do Senhor e de que Ele não é Deus dos mortos, mas sim, dos vivos (Mt 22,32).

Os virtuosos vão para o céu; os pecadores, para o inferno. A doutrina cristã primitiva não poderia ser mais simples – nem mais assustadora: não há recurso para aqueles que ficam a meio caminho da redenção. Ou, pelo menos, não havia até que, lá pelo século XII, se estabeleceu um terceiro lugar na geografia escatológica, o purgatório.

R: Outro erro histórico. O purgatório não surgiu no século XII e tão pouco foi inventado como uma “criatividade teológica”. É matéria de fé, está na tradição, está na escritura e foi uma realidade vivida pelos primeiros cristãos.

Basta verificarmos os próprios escritos primitivos pouco posteriores a escritura neo-testamentária.

Ai de quem recebem: se recebe por necessidade, será considerado inocente; mas se recebe sem ter necessidade, deverá prestar contas do motivo e da finalidade pelos quais recebeu. Será posto na prisão e interrogado sobre o que fez; e daí não sairá até que tenha devolvido o último centavo” (Didaqué; 1,5 – ANO 90 d.C.).

Da mesma forma, vós que habitais no mundo sois provados. Vós que perseverais e resistis à prova do fogo, sereis purificados. Assim como o ouro deixa sua escória, vós também deixareis toda tristeza e angústia, e serei purificados” (Pastor de Hermas; 24,4 [quarta visão] – ANO 150 d.C).

Eu penso que, mesmo depois da ressurreição dos mortos, necessitaremos de um mistério para nos lavar e nos purificar – ninguém com efeito, poderá ressuscitar sem impurezas -, e que não se pode encontrar nenhuma alma que esteja isenta instantaneamente de todos os vícios” (Orígenes – Homilias sobre o evangelho de São Lucas; 14,6 – ANO 230 d.C).

Os que confessavam seus vícios e seus pecados, assim o Senhor Jesus estará de pé no rio de fogo. Aí ele estará com a <espada flamejante>, de modo que quem quer que seja que, saindo desta vida, deseje passar para o paraíso e tenha necessidade de purificação, ele o batiza neste rio e o faz chegar ao lugar de seu desejo. Mas aquele que não traz o signo dos batismos anteriores, ele não o batizará no banho do fogo. Pois é necessário ser primeiramente batizado <na água e no espírito>, para poder, chegando ao rio de fogo, mostrar que se conservam as purificações <da água e do espírito>” (Orígenes – Homilias sobre o evangelho de São Lucas; 14,6 – ANO 230 d.C).

4 (quatro) citações. Todas fazem alusão ao “fogo de purificação”. Quase mil anos antes do sugestivo “século XII” do texto da revista Veja.

Desonestidade ou falta de conhecimento?

Deixemos que o julgamento seja feito pelo próprio Deus.

Embora uma vaga passagem sobre a purificação pelo fogo na Primeira Epístola de São Paulo aos Coríntios costume ser lembrada, o fato é que a Bíblia não afirma a existência de uma antecâmara purificadora, que precede à admissão ao céu.

R: O purgatório não é um “local físico”, mas sim, um estado que nós, pelo menos no momento, desconhecemos.

A Igreja Católica não ensina que o purgatório seja uma antecâmara e sim que as almas que morreram na amizade de Deus (batizadas e fieis a Jesus Cristo), ainda que não tenham tido a oportunidade de arrepender-se de todos os seus pecados, passarão por este estado que também pode ser chamado de “fogo puríssimo do amor de Deus”.

Há inúmeras referências bíblicas. Seja no velho testamento (Is 6,5-7; Zc 13,9a; 2 Mc 12,43-45), como no novo (Mt 12,32; Mt 5,25-26; 1 Cor 3,14-15; Mc 9,49).

No Concílio de Lyon, em 1274, o purgatório já era promulgado como dogma – e confirmado nessa condição no Concílio de Florença, em 1439… “O fiel pode rezar pela salvação de seus entes queridos. E ainda pagar indulgência à Igreja, para redimi-los – ou, antecipadamente, para salvar a si mesmo.

R: A doutrina relativa ao purgatório foi formulada sobretudo no Concílio de Florença (1431-1445), entretanto, como já vimos nos tópicos anteriores, a crença remete-nos a idade primitiva. Não apenas isso, mas, em tempos pouco posteriores, São Gregório Magno (540-604), Papa da santa Igreja, já afirmava a crença:

“No que concerne a certas faltas leves, deve-se crer que existe antes do juízo um fogo purificador, segundo o que afirma aquele que é a Verdade, dizendo, que, se alguém tiver pronunciado uma blasfêmia contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado nem no presente século nem no século futuro (Mt 12,32). Desta afirmação podemos deduzir que certas faltas podem ser perdoadas no século presente, ao passo que outras, no século futuro” (Dial. 41,3: SC 265,148 (4,39: PL 77,396 – Citado pelo CIC 1031).

É importante afirmar que um concílio só confirma ou promulga uma doutrina se está, já esta enraizada no seio da tradição apostólica e foi a crença perene dos primeiros cristãos. Vejamos por exemplo a “Trindade”: Não há registros bíblicos de “três substancias que formam um único Deus”, não existem afirmações que nosso Deus é “Trino”, não há menções na escritura de que o Espírito Santo seja “Deus” ou de que Jesus Cristo esteja “plenamente integrado ao pai” (Lc 18,19 e Mc 13,32). Ainda assim, cremos nessa verdade de fé, pois, foi a Igreja que através de dois concílios (Nicéia [325] e Constantinopla [381]) afirmou a verdade trinitária.

Logo, usar um concílio para afirmar que um dogma tenha sido criado, não passa de falácia. Os padres conciliaristas agem através do concílio para afirmar algo que já era creditado a fé cristã.

A reprovação a essa prática está no cerne das dissidências que levariam à Reforma Protestante, no século XVI. Lutero e seus seguidores, aliás, aboliram o purgatório”.

R: Não necessariamente. Embora Lutero posteriormente tenha negado o purgatório, algumas de suas “95 teses”, afirmavam a crença (nº 17, 19, 25). Além de que, alguns protestantes modernos, mantiveram a crença no purgatório ou pelo menos, de forma parcial. Dr. Karl Von Hase, reformado alemão, afirmou:

A maior parte dos moribundos são bons demais para o inferno, porém, ruins demais para o céu” (Handbuch der protest. Polemik 385 – Citado por Lúcio Navarro [Legítima Interpretação da Bíblia; pg 326).

CS. Lewis, grande escritor e converso a fé cristã anglicana, também acreditava no purgatório. É possível encontrar sua confissão no livro “Letters to Malcolm: Chiefly on Prayer” (cartas para Malcom: principalmente na oração), onde ele diz:

É claro que eu rezo pelos mortos. A ação é tão espontânea, tão inevitável, que só o tipo teológico mais compulsivo poderia dissuadir-me de fazê-lo (…). Bem, eu suponho que sim. (…) Eu acredito no purgatório”.

 Embora na teoria, o protestantismo em geral tenha negado o conceito de purgação dos pecados, posteriormente, alguns aderiram a verdade da fé.

REFUTANDO O CACP

Pergunta: A Igreja Católica admite que os católicos quando morrem vão para o céu? Resposta do Pr. Natanael: A pergunta 787 do Catecismo da Igreja Católica está assim redigida: “Vão para o céu os que morrem depois de ter recebido a absolvição, mas antes de terem satisfeito plenamente à justiça de Deus? – Resposta: Não. Eles vão para o purgatório, para ali satisfazerem a justiça de Deus e se purificarem inteiramente”. Não é surpreendente a resposta dada? Como uma pessoa que obtém absolvição de seus pecados ainda precisa ir ao purgatório para se purificar inteiramente?

R: Infelizmente, por conta do distanciamento da verdade, o protestantismo em suas afirmações teológicas não consegue assimilar a necessidade da purgação dos pecados. Se pensarmos que o purgatório não é necessário, poderíamos cair no erro de imaginar que alguns pecados, seriam simplesmente apagados na morte, porém, a possibilidade de tal estado só é possível justamente porque Cristo, através dos seus méritos na cruz, assim permite.

Vejamos a situação pela seguinte ótica: embora limpos da culpa original através do batismo, em nós, permanece a concupiscência que seria o “desejo natural da queda” ou em outras palavras, “a vontade de pecar”. Se pecamos, temos a plena ciência de que temos um advogado justo e fiel que sempre estará apto a nos perdoar (1 Jo 2,1) e sabemos que seu sangue expia toda a culpa (1 Jo 2,2). Jesus morreu em um madeiro romano pela nossa salvação (Jo 3,16) e a realizou plenamente, logo, somos perdoados pelo seu sangue, entretanto, para garantirmos esse benefício de cruz, precisamos ter consciência das nossas faltas e arrependidos, confessar que falhamos e carecemos da misericórdia de Deus.

Se seguimos os passos do Cristo, teremos consciência de nossas faltas e rogando o perdão do Senhor (através do sacramento da confissão), seremos absolvidos, porém, como filhos de adão, corremos o risco de morrer sem termos reconhecido devidamente nossa culpa. Crentes em Jesus e mortos no corpo físico, mereceríamos o inferno ainda que tenhamos partido sem o arrependimento de um pecado venial? De forma alguma. Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo é misericordioso e concede-nos que passemos por este estado de purificação. Ao contrário, para o protestantismo e suas milhares de denominações, alguém que morre sem ter se arrependido, terá duas opções: destino direto para o inferno ou se for uma “boa pessoa”, terá adquirido para si o milagroso perdão (mágico) sem a necessidade do arrependimento individual.

Para esse caso, deveríamos inverter a pergunta: Como alguém que tendo a possibilidade de ser absolvido pelo precioso sangue de Jesus, tendo cometido um pecado venial (1 Jo 5,16) e não se arrependido, poderia morrer e ter sua culpa absolvida?

Tal resposta não tem apoio bíblico em dois aspectos:

1) A absolvição de nossos pecados, quando feita por Jesus Cristo, é plena e total. Está escrito em Hebreus 10.11-14: “E assim todo o sacerdote aparece cada dia, ministrando e oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca podem tirar os pecados. Mas este, havendo oferecido para sempre um único sacrifício pelos pecados, está assentado à destra de Deus, porque com uma só oblação aperfeiçoou para sempre os que são santificados”. O texto bíblico nos informa que o sacrifício oferecido através de missas, diariamente; nunca pode tirar os pecados, mas o sacrifício de Jesus na cruz do Calvário não se repete mais, pois sua eficácia é permanente. Repetindo Hebreus 10.14: “Porque com uma só oblação aperfeiçoou para sempre os que são santificados”.

R: Talvez, o reverendo Natanael ficaria surpreso em descobrir que a doutrina católica, ensina justamente isso: nossos pecados são absolvidos plenamente por Jesus Cristo.

Para tanto, é extremamente importante mencionar que essa expiação só será totalmente realizada se estiver associada ao arrependimento (At 2,38), do contrário, deveríamos acreditar que o sacrifício do Cristo introduz toda a humanidade na nova Jerusalém, porém, sabemos que embora Jesus tenha morrido por todos (1 Tm 2,4), nem todos se arrependerão de seus pecados e por assim dizer, terão a oportunidade de receber o banho regenerativo através do sangue do Salvador (Ap 22,15).

Jesus Cristo realizou com uma única oblação contemplando dessa forma, o perdão para todos (Hb 10,14), mas, se nós não reconhecermos a nossa culpa, mereceremos o céu? Ou se buscarmos a santidade e ainda sim, cairmos e tivermos a infelicidade de morrermos sem que pudéssemos pedir dignamente o perdão por nosso pecado venial, mereceríamos o inferno?

De forma alguma. O purgatório é mais lógico do que a tese protestante, afinal, para o reverendo Natanael, uma pessoa cristã que morre sem confessar algum pecado (ex: uma mentira), ainda que fosse boa, mas imperfeita, iria direto ao inferno ou, teria seu pecado milagrosamente perdoado, mesmo que não o tivesse reconhecido.

Percebam, o quão perigoso é, não crer na existência do purgatório.

2) Não se dá purificação de pecados no purgatório. O fogo do purgatório não pode purificar ninguém. A purificação dos nossos pecados se dá através do sangue de Jesus Cristo derramado no Calvário: “E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão” (Hebreus 9:22). E a Bíblia declara que somos purificados pelo sangue de Jesus: “Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado” (1 João 1.7). O texto é muito claro ao dizer que o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado”.

R: O texto acima já foi respondido nos tópicos anteriores, porém, é importante ressaltar a doutrina católica. Em Hb 9,22 está escrito que todas as coisas se “purificam pelo sangue” e esse derramamento a qual o escritor menciona é o sangue do Cristo, salvador. Nós, católicos, cremos que a remissão da pena temporal acontece por conta do sacrifício redentor de Jesus na cruz. A morte de Jesus na cruz concedeu-nos a remissão completa de nossos pecados, entretanto, se não existir um sincero arrependimento, ainda que o sacrifício tenha sido pleno, individualmente, não seremos salvos. A graça é gratuita, porém, colaboramos com o projeto de Deus.

A purificação dos pecados, através do purgatório, se dá por conta de que salvos pelo sangue do Cristo, remidos pelo seu sacrifício redentor, mas, no momento da morte, não tendo os pecados plenamente perdoados (não por conta do sacrifício, mas sim pela oportunidade de rogar o perdão), mas em constante amizade de Deus, terão seus pecados purificados antes de encontrar a Deus face a face.

Se crermos que não precisaremos estar arrependidos de nossas faltas e que a purificação do sangue de Cristo não implica nessas condições, como já dito anteriormente, cairemos no erro de pensar que qualquer um pode salvar-se, sem que esteja plenamente arrependido.

Pergunta: Podem as almas que estão no purgatório ser ajudadas por meio das orações dos vivos? Resposta do Pr. Natanael: Segundo a Bíblia não. Está escrito: “E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo” (Hebreus 9.27). Ora, se vem o juízo segue-se que os que partem desta vida não encontrarão mais oportunidade de mudar de situação quanto ao seu estado depois da morte. Foi o que Jesus ensinou: “Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; e porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, poucos há que a encontram” (Mateus 7.13-14).

R: No texto em questão, o pastor Natanael, embora desejando falar sobre aquilo que entende dominar, demonstra o direto desconhecimento a respeito da doutrina do purgatório. O texto de Hb 9,27 além de claro, condiz plenamente com a doutrina católica. Após a morte, vem o juízo e nós (diferente dos ortodoxos que possuem ótima relação com protestantes tradicionais) cremos que não há qualquer mudança de destino.

Quando morrer, se você não creu no Cristo, não se arrependeu de suas faltas, seu destino será o inferno.

Se você seguiu os passos de Jesus, buscou a santidade, se arrependeu de suas faltas, mas, no momento da morte, não teve a plena oportunidade de pedir perdão por pecados veniais, seu destino será o céu, porém, antes de entrar na presença de Deus, precisará purificar seus pecados (Is 6,1-6).

Quem morre exalando santidade, terá o céu como sua recompensa direta.

Não há mudança de destino. A Igreja não ensina e nunca ensinou tal conceito.

Sobre o ensino de rezar por essas almas, há respaldo bíblico, sim. Judas Macabeu, ofereceu duas mil dracmas, a fim de realizar sacrifícios pelos pecados dos que tinham morrido (2 Mc 12,43-45) e além das orações, é importante ressaltar que a crença partiu de um princípio muito importante: a ressurreição (2 Mc 12,43).

Vale ressaltar que a oração pelos mortos era prática comum na Igreja (2 Tm 1,16-18).

De acordo com a Bíblia, não existe nenhum lugar de punição temporária após a morte dos cristãos. Após a morte o cristão vai para o céu, e o ímpio para o inferno: “Mas ele, estando cheio do Espírito Santo, fixando os olhos no céu, viu a glória de Deus, e Jesus, que estava à direita de Deus” (Atos 7.55-56). “E disse: Eis que vejo os céus abertos, e o Filho do homem, que está em pé à mão direita de Deus. E apedrejaram a Estêvão que em invocação dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito” (Atos 7.58-59). Quanto ao inferno lemos no Salmo 9.17: “Os ímpios serão lançados no inferno, e todas as nações que se esquecem de Deus”.

R: A escritura não manifesta literalmente a existência de um lugar de purgação, assim como não afirma a Trindade ou a consubstancialidade do Espírito Santo com o Pai e o filho, entretanto, assim como a crença similar entre católicos e protestantes (Trindade), a realidade do purgatório está presente de forma abundante nas escrituras.

Verifiquemos os seguintes textos que manifestavam a verdade de que sem “pureza”, ninguém verá ao Senhor:

Mt 5,8 – Os puros de coração verão a Deus.

Mt 5,48 – Devemos ser perfeitos, como o Pai é perfeito.

Hb 12,14 – Sem santificação, ninguém verá a Deus.

Ap 21,27 – Na Jerusalém celeste, nada de impuro poderá entrará.

Agora, percebamos como após a morte, qualquer pecado não arrependido, deverá ser purificado. Só assim, veremos a Deus:

Is 6,5-7 – Quando esteve frente ao Senhor, o profeta Isaias teve medo, pois, era um homem de lábios impuros. Entretanto, o anjo tocou seus lábios com uma brasa ardente (fogo) e seus pecados foram perdoados.

Zc 13,9a – O senhor diz a Zacarias que purificaria seu povo ao passa-los pelo fogo.

2 Mc 12,43-45 – Judas oferece sacrifícios pelo perdão dos pecados dos que já haviam morrido.

Mt 5,25-26 – Ao ser lançado na prisão (purgatório), apenas sairá de lá (purgatório) quando pagardes o último centavo (perdão dos pecados).

Mt 12,32 – Os pecados contra o Espírito Santo não serão perdoados nesse mundo, nem no vindouro.

Mc 9,49 – O evangelista afirma que todos serão “salgados com fogo”.

1 Cor 3,14-15 – São Paulo diz que nossa obra será testada e que seremos salvos como que através do fogo.

Dizer que a realidade desse estado não está presente na escritura, é assinar um atestado de desconhecimento bíblico. As passagens citadas, demonstram que alinhadas com o entendimento cristão sobre a “purificação” de pecados não arrependidos (logo, não perdoados), representa uma crença genuinamente bíblica.

Pergunta: E o que dizer da passagem citada pelo apóstolo Paulo, usada para justificar a existência desse terceiro lugar chamado o purgatório? A Revista Veja não apontou o capítulo e o versículo que trazem o texto usado pela Igreja Católica para justificar a Doutrina do Purgatório. O versículo citado é de 1Coríntios 3.13: “A obra de cada um se manifestará; na verdade o dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja a obra de cada um”. Essa passagem é citada como apoio do ensino do purgatório, por causa da expressão “porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja á obra de cada um”. Ora, o texto não tem nenhuma relação com o purgatório. O apóstolo Paulo está se referindo ao galardão que receberão os cristãos, dependendo da forma como trabalham como cooperadores na obra de Deus. Vejamos todo contexto do ensino do apóstolo: “Segundo a graça de Deus que me foi dada, lancei o fundamento como prudente construtor; e outro edifica sobre ele. Porém cada um veja como edifica. Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo. Contudo, se o que alguém edifica sobre o fundamento é ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, manifesta se tornará a obra de cada um; pois o Dia a demonstrará, porque está sendo revelada pelo fogo; e qual seja a obra de cada um o próprio fogo o provará. Se permanecer a obra de alguém que sobre o fundamento edificou, esse receberá galardão; se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele dano; mas esse mesmo será salvo, todavia, como que através do fogo” (1Coríntios 3.10-14). Com isso, fica claro que há cristãos que irão para o céu com galardão – suas obras são representadas por ouro, prata e pedras preciosas. Já outros terão suas obras reprovadas, essas se assemelham à madeira, palha e feno – materiais perecíveis pelo fogo. O texto não fala em propiciação pelos pecados, mas sim de galardão, pelo quê cada um fez depois de salvo aqui na terra, e não depois de morto.

R: Antes de analisarmos a passagem em questão, é importante frisar que “1 Cor 3,15” não é a principal referência que possuímos sobre o purgatório. Outras passagens já foram colocadas no decorrer desta refutação.

Sigamos com a explicação:

1 Cor 15

10 – “Segundo a graça que Deus me deu, como bom arquiteto, lancei o fundamento, outro constrói por cima. Mas cada um veja como constrói”.

– São Paulo afirma que o fundamento (evangelho) foi lançado por ele e que como operários de Deus outros (cristãos) poderiam “construir por cima”.

11 – “Quanto ao fundamento, ninguém pode por outro diverso do que foi posto: Jesus Cristo”.

– O fundamento principal e central de toda a fé da Igreja é Jesus Cristo e não há outro pelo qual nós podemos ser salvos.

12 e 13 – “Se alguém sobre este fundamento constrói com ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno ou palha, a obra de cada um será posta em evidência; O dia a tornará conhecida, pois ele se manifestará pelo fogo e o fogo provará o que vale a obra de cada um”.

– Nestes dois versículos, São Paulo faz uma rápida analogia com o teor da obra construída. Seja ela de grande valor para Deus (ouro ou pedras preciosas) ou pouco (feno ou palha), todas, serão salgadas pelo fogo. No verso treze, é possível perceber os elementos do purgatório. “O dia a tornará conhecida” (construção); de fato essas palavras só terão sentido se a colocarmos em linha paralela com a morte. É nesse momento (morte) que passaremos pelo chamado juízo particular (Hb 9,27) e todas as nossas ações tornar-se-ão em evidência.

Outro fato importante que deve ser mencionado é que o fogo provará a obra de cada pessoa sendo que as ruins (madeira, feno e palha) serão consumidas ao passo que as boas (ouro, prata e etc.) devem ser refinadas e retidas (Ap 21,7).

14 – “Se a obra construída sobre o fundamento subsistir, o operário receberá uma recompensa”.

– Se trilhamos um caminho de santidade e buscamos a Deus, após a morte, nossa obra será subsistida (julgamento do Cristo) e se assim merecermos, receberemos a recompensa (céu).

15 – “Aquele, porém cuja obra for queimada perderá a recompensa. Ele mesmo, entretanto, será salvo, mas como que através do fogo”.

– Por fim, aquele que buscou a Deus, mas após a morte, ainda possuía pecados (obras de madeira, palha e feno), perderá a recompensa (não entrará o no céu diretamente), entretanto, após ser purificado de suas faltas, será salvo como que através do fogo.

Seria ilógico, pensar algo diferente do que de fato o texto propor? De forma alguma. Na passagem de Coríntios, São Paulo não está assemelhando nossos atos com a conquista de galardões futuros e sim, afirmando que como operários, teremos nossas vidas colocas em evidência no julgamento do Senhor e sendo o fundamento aplicado da forma correta (santidade), garantiremos imediatamente nossa recompensa, entretanto, permanecendo com algum tipo de pecado (venial), precisaremos ser “salgados no fogo” para assim, adentrarmos totalmente imaculados na morada celestial.

CONCLUSÃO

Senhor e Deus Onipotente, suplico-Vos que, pelo precioso Sangue que o Vosso Santíssimo Filho derramou na sua coroação de espinhos, livreis as almas do purgatório e, em especial, aquela que deveria ser a última a sair desse lugar de tormentos, para que desde já comece a louvar-Vos e bendizer-Vos eternamente no Céu”.

O purgatório é uma realidade que sempre esteve presente na Igreja e só cessará com volta gloriosa de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Busquemos trilhar uma vida de santidade para assim, alcançarmos as bênçãos do céu.

Érick Augusto Gomes



Categorias:Purgatório, Refutações

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