TEMA 08 – MARIA, SEMPRE VIRGEM?

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Data: 05/03/2018 a 18/03/2018

1 – Alguns dos supostos irmãos do Senhor, foram chamados pelos escritores bíblicos de filhos de José ou de Maria?

R: Não. O único a ser chamado de “filho de Maria” foi Jesus Cristo: “Não é este o carpinteiro, o filho de Maria?” (Mc 6,3). Não há qualquer registro bíblico indicando que os irmãos e irmãs de Jesus tinham parte filial com Maria ou José. Nenhum deles é assim denominado.

Até mesmo Judas, chamado de “irmão do Senhor” (Mt 13,55), em sua epístola, tão pouco referência esse possível título honorífico (ser irmão de Jesus ou filho de Maria). Todavia, ele apenas diz: “Judas, servo de Jesus Cristo, e irmão de Tiago” (Jd 1,1).

2 – Decifrando os irmãos: Tiago, era filho de Maria?

Mc 6,3a – “Não é este o carpinteiro, o filho de Maria, e irmão de Tiago, e de José, e de Judas e de Simão?

R: Não. Tiago, Bispo de Jerusalém e “irmão do Senhor” era filho da “outra Maria“.

Abaixo, duas interpretações que são comumente utilizadas no seio da Santa Igreja:

TIAGO FILHO DE ALFEU, APÓSTOLO E IRMÃO DO SENHOR.

O apóstolo Paulo em sua epístola aos gálatas, cita que ao subir a Jerusalém para conhecer Cefas (Gl 1,18), não vê nenhum outro apóstolo, a não ser a “Tiago, irmão do Senhor” (Gl 1,19). Ao olharmos a lista dos doze apóstolos no evangelho de Lucas, verificamos que dos dois Tiagos apresentados, um é o filho de Alfeu (Lc 6,15) irmão de Judas (Lc 6,16).

Seguindo a linha interpretativa e associando esse apóstolo com o “irmão do Senhor,” esse Tiago teria sido visto por São Paulo ao ir a Jerusalém (At 9,26-29) pela primeira vez e seria o mesmo que aparece catorze anos depois juntos dos apóstolos (At 15,2) na controvérsia da circuncisão (At 15,13).

Um argumento que poderia favorecer tal interpretação é o fato de que, no início do livro dos Atos dos Apóstolos, capítulo dois, Lucas concede-nos uma lista de todos os apóstolos e situa Tiago de Zebedeu e de Alfeu juntos com o grupo (At 1,13). Como já mencionando no parágrafo anterior, a figura de “Tiago de Alfeu” desaparece, isto é, o escritor não narra um possível fim ou viagem feita por ele. Dessa forma, quatorze anos mais tarde, quando Paulo volta a Jerusalém, Tiago maior já estava morto (At 12,2) e o único Tiago provável que teria sido visto, poderia ser o filho de Alfeu. A partir desses registros, apenas um Tiago é mencionado (At 15,13).

TIAGO MENOR, PÓS-APÓSTOLO E IRMÃO DO SENHOR.

Maria, a mãe do Cristo, tinha outra irmã chamada também de Maria e a própria escritura atesta tal fato:

Jo 19,25 – Perto da cruz de Jesus, permaneciam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria mulher de Clopas, e Maria Madalena.

Partindo do princípio que Nossa Senhora possuía uma irmã – também chamada de Maria – conseguimos ver em outros textos dos evangelhos que a mesma situação narrada por João, é semelhante a outros relatos que indicam que essa irmã da mãe do Senhor, tinha um filho chamado de “Tiago”.

Vejamos nas escrituras:

Mt 27,55-56 – Estavam ali muitas mulheres, olhando de longe. Haviam acompanhado Jesus desde a Galiléia, a servi-lo. Entre elas, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu.

Mc 15,40 – E também estavam ali algumas mulheres, olhando de longe. Entre elas, Maria de Magdala, Maria, mãe de Tiago o Menor, e de José, e Salomé.

Essa Maria, mãe de “Tiago o Menor” e irmã da mãe do salvador é a que aparece frequentemente nas sagradas escrituras denominada como a “outra Maria” (Mt 28,1) e é sempre associada como a “mãe de Tiago” (Mc 16,1 – Lc 24,10). Esse Tiago é o que aparece nas listas onde os “irmãos do Senhor” são identificados (Mt 13,55). Inicialmente, ele não creu no Senhor, confirmando aquilo que a bíblia relatou (Jo 7,5) e só viria a acreditar em Cristo quando o mesmo, após ter ressuscitado, apareceu a ele:

1 Cor 15,4-7 – Foi sepultado, ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. Apareceu a Cefas, e depois aos Doze. Em seguida, apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma vez, a maioria dos quais ainda vive, enquanto alguns já adormeceram.Posteriormente, apareceu a Tiago, e depois, a todos os apóstolos. Em último lugar, apareceu também a mim como a um abortivo.

Após confirmar sua crença no Cristo, assumiu com total primazia o posto de líder da Igreja de Jerusalém e é chamado por Paulo como um dos pilares da comunidade (Gl 2,9). É chamado de “Tiago o menor” pelo evangelista Marcos para diferenciar justamento de Tiago o maior, irmão de João.

Observem que os relatos de Paulo no livro aos gálatas, condizem exatamente com os narrados por Lucas nos Atos dos Apóstolos. Ao subir à Jerusalém para conhecer Cefas (Pedro) (At 9,26-30 – Gl 1,18), Paulo não vê nenhum outro apóstolo, a não ser Tiago que é chamado por ele como “irmão do Senhor” (Gl 1,19). Ainda nessa época, Tiago de Zebedeu e Tiago de Alfeu estavam vivos, porém, Paulo vê apenas o Tiago chamado “menor” e é esse que é assumido como irmão por conta de seu parentesco com Cristo que conforme vimos anteriormente, tinha uma mãe cujo nome também era Maria (Jo 19,25).

Paulo, ao retornar a Jerusalém quatorze anos mais tarde (At 15,2 – Gl 2,1), Tiago filho de Zebedeu já havia morrido (At 12,2) e Tiago de Alfeu, de acordo com algumas tradições teria sido crucificado no Egito, porém, não sabemos se quando Paulo esteve na cidade santa, este apóstolo estava em missão ou já estava morto, sendo assim, Paulo vê Tiago, o irmão do Senhor, filho de Maria que é irmã da Mãe de Jesus, grande líder da Igreja primitiva (At 15,13-19 – Gl 2,9).

3 – Decifrando os irmãos: Joset, era filho de Maria?

Mc 6,3a – “Não é este o carpinteiro, o filho de Maria, e irmão de Tiago, e de José, e de Judas e de Simão?

Josét é um dos quatro nomes que aparecem nos evangelhos, onde sua pessoa é ligada aos chamados “irmãos do Senhor”. Sua participação é discreta nos escritos neotestamentários, entretanto, das poucas informações que possuímos, conseguimos definir, a partir dos textos, uma linha que identifica esse “irmão” de Cristo como filho de outra Maria.  De acordo com o evangelista João, nossa Senhora, possuía uma irmã (ou cunhada) também chamada de Maria. Assim, atestam as escrituras:

Jo 19,25 – Perto da cruz de Jesus, permaneciam de pé, sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria mulher de Clopas, e Maria Madalena.

Semelhantemente, em outras passagens dos evangelhos sinóticos, lemos que junto da Cruz, estava a outra Maria, cuja maternidade está ligada a Tiago e a Joset:

Mc 15,40-41 – E também estavam ali algumas mulheres, olhando de longe. Entre elas, Maria de Magdala, Maria, mãe de Tiago, o menor, e de Joset e Salomé.

Com estas passagens, facilmente percebemos que este “irmão do Senhor”, nada mais é que um parente próximo de Jesus e que é chamado dessa forma (sistema tribal familiar da época), pois, a língua não fazia distinções diretas aos parentescos.  A irmã da mãe do salvador, também chamada pelo mesmo nome (Maria), possuía filhos cujo os nomes eram Tiago e Joset. Esses dois homens são os mesmos que aparecem em Mc 6,3:

“Não é este o carpinteiro, o filho de Maria, irmão de Tiago, Joset, Judas e Simão”?

Nas três passagens onde Marcos relaciona esse nome entre aqueles que são familiares do Senhor, ele o conserva como “JOSET”. Em um primeiro momento, o evangelista coloca esse nome entre Maria, mãe de Jesus e seus “irmãos” (Mc 6,3) e em um segundo momento, o descreve como filho dessa segunda Maria (Mc 15,40; Mc 15,47). É provável que Marcos tivesse o conhecimento que o filho da “outra Maria”, era um parente do Senhor e para não causar confusões quanto ao nome, o chama de “JOSET”, indicando que realmente ele não era irmão carnal de Cristo e sim, um parente próximo, filho da outra mulher.

Outro argumento que corrobora com tal afirmação é verificado no verso 43 e 45 do capítulo 15. Marcos, ao escrever sobre “José de Arimatéia”, não continua a usar “Joset” e sim, retoma a forma habitual do nome que vem a ser “IOSEF”. Percebam que os versos constam no mesmo capitulo do evangelho e estão próximos uns dos outros. Marcos poderia facilmente colocar ambos como “JOSÉ”, mas, propositalmente chama de Joset o parente do Senhor, para assim indicar a diferença entre os nomes. É interessante mencionar que a variante “JOSET” não aparece em mais nenhuma passagem do novo testamento para indicar as outras oito pessoas que possuem o mesmo nome (José). As únicas passagens que constam da forma como lemos nesse evangelho, são as três indicadas acima (Mc 6,3; Mc 15,40; Mc 15,47).

4 – Decifrando os irmãos: Judas, era filho de Maria?

Mc 6,3a – “Não é este o carpinteiro, o filho de Maria, e irmão de Tiago, e de José, e de Judas e de Simão?

R: Não. Embora Judas não seja colocado na filiação da “outra Maria” (Mt 28,1) quando os textos mencionam “Tiago e Joset“, o irmão do Senhor, escreveu uma epístola que pode ser encontrada antes do livro do Apocalipse.

No primeiro verso da carta, ele diz:

Judas, servo de Jesus Cristo, irmão de Tiago” (Jd 1,1).

Dessa forma, podemos tirar algumas conclusões:

1 – Ele se apresenta como “irmão de Tiago“. Este Tiago é o Bispo de Jerusalém, chamado de “menor” (Mc 15,40-41) e filho da Maria, irmã de Nossa Senhora (Jo 19,25);

2 – Judas poderia se apresentar como “filho de Maria“, mas, não o fez por não ser filho uterino  da mãe do Senhor;

3 – Ele poderia se apresentar como “filho de José“, mas, não o fez por não ser filho do pai adotivo do Senhor;

4 – Judas poderia se apresentar com um título de honra como “irmão de Jesus“, mas, não o fez por não ser irmão carnal do Cristo.

Judas, o parente ou primo do Senhor, apresenta-se apenas como “irmão de Tiago“.

Logo, ele incorpora a lista juntamente de Tiago e Joset.

5 – Decifrando os irmãos: Simão, era filho de Maria?

Mc 6,3a – “Não é este o carpinteiro, o filho de Maria, e irmão de Tiago, e de José, e de Judas e de Simão?

R: Não. Simão é um dos únicos irmãos que não temos referências bíblicas sobre a sua ligação com a “outra Maria” ou “Cléofas“, entretanto, o historiador Eusébio de Cesareia em seu livro “História Eclesiástica” afirma que esse Simão, era primo do Senhor por ser filho de Cléofas:

Após o martírio de Tiago [menor] e a destruição de Jerusalém, ocorrida logo depois, conta-se que os sobreviventes dos Apóstolos e discípulos do Senhor vindos de todas as partes se congregaram e com os consanguíneos do Senhor ‘havia um grande número deles ainda vivos’ reuniram-se em conselho para verificar quem julgariam digno de suceder a Tiago. Todos unanimemente consideraram idôneo para ocupar a sede desta Igreja Simeão, filho de Cléofas, de quem se faz memória no livro do Evangelho (Lc 24,18; Jo 19,25). Diz-se que era primo do Salvador. Efetivamente, Hegesipo [historiador antigo] declara que Cléofas era irmão de José” (História Eclesiástica 3,11).

6 – Jesus Cristo era o “primogênito de Maria” (Lc 2,7). Podemos concluir, a partir deste relato que o Senhor, foi o primeiro e não único filho?

R: Não há qualquer argumento pertinente que sustente essa tese.

Vejamos:

A escritura diz que todo aquele que abre o “útero materno” é chamado de primogênito e deveria ser consagrado a Deus:

Ex 13,2 – “Consagra-me todo primogênito, todo o que abre o útero materno, entre os filhos de Israel. Homem ou animal serão meus”.

Ex 34,19 – “Todo o que sair por primeiro do seio materno é meu: todo macho, todo primogênito (…)”.

Logo, sendo o único ou primeiro, o título de honra do filho(a) sempre será o de “primogênito”. Jesus Cristo é chamado de “primogênito” justamente para seguir a linha de pensamento bíblica que entendia que o primeiro ou único filho, deveria ser entregue a Deus.

No livro do “Êxodo”, o espírito da morte fere a todos os primogênitos (os primeiros ou os únicos) assim como único filho do Faraó que é chamado de “primeiro” (Ex 12,29). Em toda a literatura bíblica, o termo “unigênito” é utilizado apenas três vezes (Gn 22,12; Zc 12,10 e Jo 3,16).

Para o restante dos escritos, todas as vezes onde é mencionado a única ou primeira cria da prole, é sempre utilizada a palavra “primogenitura“:

Nm 3,40 – “O Senhor disse a Moisés: <Faz o recenseamento de todos os primogênitos varões entre os israelitas, da idade de um mês para cima, e o levantamento dos seus nomes>“.

Se o termo “primogênito” significasse diretamente mais filhos, como poderiam existir “primogênitos” com a idade de um mês para cima?

7 – Em Mateus lemos que “José não a conheceu (Maria) até que deu a luz a seu filho”. Seria certo pensarmos que José coabitou com a Mãe do Senhor após o nascimento de Jesus?

R: Vejamos, antes de tudo, o testemunho de um homem conhecido como o “pai da reforma(sic)“:

João Calvino, o responsável pela linhagem das denominações presbiterianas, procura explicar a passagem de Mt 1,25 da seguinte maneira (João Calvino. Sermão sobre Mateus 1,22-25, 1562):

Houve certas pessoas que quiseram sugerir a partir desta passagem [Mt 1,25] que a Virgem Maria teve outros filhos além do Filho de Deus, e que José se relacionou intimamente com ela depois; mas que estupidez! O escritor do evangelho não teve a intenção de registrar o que aconteceu depois; ele simplesmente quis deixar bem claro a obediência de José (…). Ele, portanto, nunca coabitou com ela nem compartilhou de sua companhia. Além disso, Nosso Senhor Jesus Cristo é chamado o primogênito. Isso não é porque houve um segundo ou um terceiro filho, mas porque o escritor do Evangelho está destacando sua precedência.

Agora, procuremos entender qual seria a melhor tradução para o trecho de Mateus 1,25:

O “Dicionário de Mariologia”, editora Paulus, página 1326, através do verbete “virgem”, nos traz o seguinte texto:

Mt 1,25 soa literalmente assim: <E ele [José] não a conhecia, enquanto não (éos oû) deu à luz um filho>. Seria de concluir que, depois do nascimento de Jesus, José tenha consumado o matrimônio com Maria que, por conseguinte, teria tido outra prole. Krämer levanta a hipótese de que a partícula conjuntiva grega éos oû de Mt 1,25 corresponde à aramaica ‘ad di, que pode significar eis que, como por exemplo em Dn 2,34; 6,25; 7,4 e no Talmud hierosolimitano Berakot 14b: <Rabino akiba ainda não havia ultimado o Shema, e eis que [‘ad di] morreu>. Poderemos, portanto, traduzir Mt 1,25 da maneira seguinte: <E, mesmo sem havê-la conhecido, eis que (até que) ela deu à luz um filho”.

Uma das grandes bases argumentativas do protestantismo na tentativa de afirmar que Maria tivesse tido relações carnais com José, é a passagem onde São Mateus coloca a partícula “Até que” no capítulo 1, verso 25. Entretanto, após o nascimento de Jesus, a passagem em si não supõe, nem implica que houvesse qualquer contato por parte dos dois. O texto acima, tirado do dicionário de mariologia da editora paulus, transmite uma verdadeira exegese do texto bíblico

Ainda sim, para não recorrermos exclusivamente à citação aqui mencionada, passaremos aqui, alguns versos bíblicos que estão carregados do uso do “até que” ou “enquanto não”, sem que isso possa implicar em uma interpretação posterior ao texto, isto é, confirmando a ação passada sem que indicasse um ato no futuro.

Vejamos algumas referências:

Gn 28,15 – “Eu estou contigo e te guardarei em todo lugar aonde fores, e te conduzirei a esta terra, porque não te abandonarei enquanto não tiver realizado o que te prometi”.

Nota: Se tivéssemos que levar em consideração a interpretação do texto concedida pelos protestantes, teríamos que acreditar que o Senhor estaria com Jacó somente até o cumprimento das promessas, porém, sabemos que Deus continuou a proteger a Jacó, ainda que as promessas tenham sido cumpridas.

2 Sm 6,23 – “E Micol, filha de Saul, não teve filhos até o dia da sua morte”.

Nota: Seria um absurdo pensar que após a morte de Micol, ela pudesse gerar filhos. Nesse verso, vemos claramente que a partícula “até” apenas indica uma ação ocorrida no passado (a filha de Saul não teve filhos) e não algo que ocorreria no futuro. Faça o seguinte exercício: Compare Mt 1,25 com 2 Sm 6,23 e observe se há algum sentindo em acreditar que Maria tivesse tido filhos após o nascimento de Jesus.

Sl 110,1 – “Oráculo de Iahweh ao meu Senhor: Senta-te à minha direita até que eu ponha teus inimigos como escabelo de teus pés”.

Nota: Será que após a vitória do Rei sobre seus inimigos, ele não poderá sentar-se ao lado do Senhor? Claro que não! Ele continuará sentado à direita de Iahweh, mesmo que seus inimigos já tenham sido dissipados.

Mt 28,20 – E ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei. E eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos”.

Nota: Cristo deixou-nos uma promessa e será que ela só seria valida até a consumação dos séculos? Nada mais, além disso? De forma alguma! Jesus continuará conosco e seu reino não terá fim!

8 – Como podemos entender os termos para parentesco nas línguas faladas na época de Jesus? Anépsios é a tradução grega para “primo”. Como entender essa definição?

R: Se tivéssemos que considerar o uso da palavra “irmão” no ambiente hebreu para filhos da mesma mãe, teríamos que aceitar alguns absurdos que iriam contra a própria racionalidade. No livro de crônicas, lemos que Uriel, filho de Caat, possuía cento e vinte (120) irmãos (1 Cr 15,5) e que Obed-Edom, filho de Iditum e Hosa, tinha um total de sessenta e oito (68) irmãos (1 Cr 16,38).

A palavra utilizada no original grego para irmão é  αδελφός (adelphos), sendo que , seu uso corresponde a ligações amplas de parentesco (Gn 13,8Gn 29,15 e Lv 10,4). Ainda que a tradução seja colocada como “irmão”, sempre devemos levar em consideração que o ambiente da época em que as famílias viviam, era um sistema “tribal” de moradia, onde, todos os familiares moravam próximos ou nas mesmas casas. Possivelmente, esse seja o motivo da constante presença de toda a família de Jesus em algumas de suas aparições públicas (Mt 12,46).

São Paulo em sua carta aos Colossenses emprega o uso de ανεψιός (anepsiós) para designar Marcos, como primo de Barnabé, porém, em relação a esse uso, podemos argumentos com quatro tópicos:

1 – Em toda a literatura neo-testamentária, há um único uso dessa palavra, sendo que é a da epístola dirigida aos Colossos. Dessa forma, observamos que não há qualquer outro uso para os demais livros. Se há primos ou irmãos, o termo corrente sempre é αδελφός (adelphos).

2 – Os evangelhos foram escritos em um ambiente semita e por esse motivo, os escritores mantiveram o uso habitual de um termo que correspondesse adequadamente à língua falada na época do Senhor: o aramaico/hebraico. Tanto o hebraico, quanto o aramaico, não possuíam palavras que definissem graus de parentesco, sendo assim, “AHA” (aramaico), “AH” (hebraico) estão em plena conformidade com “adelphos” (grego).

3 – Se por um lado os evangelhos mantiveram os escritos adequados ao ambiente semita, São Paulo o apóstolo, ao escrever suas epístolas, dirigia-se a pessoas que viviam no mundo “grego-romano” e por esse motivo, poderia adequadamente usar uma palavra que se adequasse ao entendimento dos receptores. Se assim não fosse, encontraríamos “anepsiós” (primo) nos evangelhos, epístolas católicas (Tiago, João, Pedro, Judas) e até mesmo em outras cartas paulinas, porém, o único uso desse termo está limitado a Cl 4,10. Sendo assim, como afirmar algo que está restrito a um único verso da escritura?

4 – A septuaginta (versão dos Setenta) conhecia tanto o grego, quanto o hebraico e ainda sim, ao fazer traduções de parentescos mais largas (primos, por exemplo), usou o termo “adelphos”. Basta verificar as traduções do livro de Tobias. Devido a sua aparência muito similar com a de seu pai, Tobias é confundido por Raguel (parente de Tobit, pai de Tobias) e inicialmente é chamado de primo (Tb 7,2) e logo após de irmão (Tb 7,4). Nesses dois casos, as traduções se cruzam e as palavras transmitem o mesmo significado: parentesco. Seja Tobit primo ou irmão de Raguel, pouco importa, o que deve ser levado em consideração é o uso amplo do termo.

É muito claro afirmar que a conservação do termo grego que se assemelhasse ao original semítico (αδελφός) deve-se ao fato de que os “irmãos do Senhor”, representavam um grupo distinto dos demais apóstolos e como já mencionado nos tópicos anteriores, todos eles gozavam de uma reputação especial (At 1,141 Cor 9,5).

Sendo assim, o uso de “anepsiós” em uma única passagem dos 27 livros do novo testamento, não tem qualquer cunho obrigatório para os demais textos. 

 



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