SE A HÓSTIA SE PARTIR, O SACERDOTE DEVE “LAMBER” O CHÃO? O CONCÍLIO DE TRENTO AFIRMOU ISSO?

Entre os dias 26/02/18 a 03/03/2018, estive em debate com um homem que se identifica como “pastor“, porém, não crê que Cristo seja Deus e tão pouco na inspiração completa do novo testamento. O dito “cristão judaizante“, em determinado momento, afirmou que a eucaristia nos moldes católicos, passou a ter representatividade apenas no século IV com Santo Ambrósio.

Frente a isso, citei uma vasta literatura tangível que comprova a crença católica dos primeiros séculos da Igreja anteriores a Ambrósio (387 d.C):

– Epístola de São Paulo aos Coríntios (1  Cor 11,23-26 – 55 d.C): “Isto é o meu Corpo“;

– Epístola de São Paulo aos Coríntios (1  Cor 11,27 – 55 d.C): “Todo aquele que come o pão e bebe o cálice indignamente, será réu do corpo de Jesus“;

– Epístola de São Paulo aos Coríntios (1  Cor 11,28 – 55 d.C): “Quem come sem discernir o corpo, bebe para a própria condenação“;

– Evangelho de São João (Jo 6,54-57 – 95 d.C): “Minha carne é verdadeira comida e meu sangue é verdadeira bebida“;

– Didaqué (9,1-5 – 80 ou 90 d.C): “Celebrem a Eucaristia desse modo“;

– Epístola de Santo Inácio aos Efésios (20,1-2 – 107 d.C): “Eucaristia; remédio da imortalidade“;

– Epístola de Santo Inácio aos Romanos (7,3 – 107 d.C): “Desejo o pão de Deus e a carne de Jesus Cristo“;

– Epístola de Santo Inácio aos Filadelfienses (4,1 – 107 d.C): “Preocupai-vos em participar de uma só eucaristia. De fato, há uma só carne de nosso Senhor Jesus Cristo e um só cálice na unidade do seu sangue“;

– Epístola de Santo Inácio aos Esmirniotas (7,1 – 107 d.C): “Eles se afastam da eucaristia e da oração, porque não professam que a eucaristia é a carne de nosso Salvador Jesus Cristo, que sofreu por nossos pecados

– I Apologia de São Justino de Roma (66,1-4 – 155 d.C): “Este alimento se chama entre nós Eucaristia (…) De fato, não tomamos essas coisas como pão comum ou bebida ordinária (…) alimento com o qual, por transformação, se nutrem nosso sangue e nossa carne – é a carne e o sangue daquele mesmo Jesus encarnado”.

– Diálogo contra o Judeu Trifão de São Justino de Roma (41,1-3 – 150 d.C): “Continuei: a oferta da flor de farinha, senhores, que os que se purificavam da lepra deviam oferecer, era figura do pão da Eucaristia (…) Assim, antecipadamente fala dos sacrifícios que nós, as nações, lhe oferecemos em todo lugar, isto é, o pão da Eucaristia e o cálice da própria Eucaristia (…)“.

– Diálogo contra o Judeu Trifão de São Justino de Roma (117,1.3 – 150 d.C): “Deus, portanto, testemunha que lhe são agradáveis todos os sacrifícios que lhe são oferecidos em nome de Jesus Cristo, os sacrifícios que este nos mandou oferecer, isto é, os da Eucaristia do pão e do vinho“.

– Contra as Heresias de Santo Irineu de Lião (IV Livro 18,5 – 180 d.C): “Como ainda podem afirmar que a carne se corrompe e não pode participar da vida, quando ela se alimenta do corpo e do sangue do Senhor? (…) Quanto a nós, nossa maneira de pensar está de acordo com a Eucaristia e a Eucaristia confirma nossa doutrina (…) Assim como o pão que vem da terra, ao receber a invocação de Deus, já não é pão comum, mas a Eucaristia, feita de dois elementos, o terreno e o celeste, do mesmo modo os nossos corpos, por receberem a Eucaristia, já não são corruptíveis por terem a esperança da ressurreição“.

– Contra as Heresias de Santo Irineu de Lião (V Livro 2,2 – 180 d.C): “Mas, se está não se salva, então nem o Senhor nos resgatou no seu sangue, nem o cálice eucarístico é comunhão de seu sangue, nem o pão que partimos é a comunhão com seu corpo (…) seu próprio sangue o cálice tirado da natureza criada, com o qual fortifica o nosso sangue, e proclamou ser seu próprio corpo”.

– Contra as Heresias de Santo Irineu de Lião (V Livro 2,3 – 180 d.C): “Se, portanto, o cálice que foi misturado e o pão que foi produzido recebem a palavra de Deus e se tornam a Eucaristia, isto é, o sangue e o corpo de Cristo, e se por eles cresce se fortifica a substância da nossa carne, como podem pretender que a carne seja incapaz de receber o dom de Deus, que consiste na vida eterna, quando ela é alimentada pelo sangue e pelo corpo de Cristo, e é membro desse corpo? (…) recebendo a palavra de Deus, se tornam eucaristia, isto é, o corpo e o sangue de Cristo, da mesma forma os nossos corpos, alimentados por esta eucaristia, depois de ser depostos na terra e se terem decompostos, ressuscitarão, no seu tempo, quando o Verbo de Deus os fará ressuscitar para a glória de Deus Pai.

– Homilias sobre o evangelho de São Lucas de Orígenes (H 38,6 – 240 d.C) “Quanto a nós, se não abraçarmos de boa vontade as prodigiosas riquezas de Nosso Senhor, o maravilhoso mobiliário de sua palavra, a abundância de seus ensinamentos, se não comermos o pão da vida, se não nos nutrirmos da carne de Jesus e não bebermos o sangue de seu sacrifício, se desprezarmos o banquete de Nosso Salvador, devemos saber que Deus pode ter <tanto bondade quanto severidade>.

Por fim, chegando em Santo Ambrósio, a doutrina eucarística já possuía total representatividade:

Talvez digas: <Meu pão é comum>. Mas este pão é pão antes das palavras sacramentais; depois da consagração, o pão se transforma em carne de Cristo (Sobre os Sacramentos [Livro IV] 4,14-16).

Após a mentira ser desmascarada e o oponente continuar alegando que “tudo não passava de mentira“, que a Igreja Católica era a grande “meretriz“, eis que por falta de provas acessíveis (infelizmente, o “pastor” citava apenas frases desconexas e sem qualquer chance de acesso as fontes), o “judeu cristão” resolveu acessar o Google a fim de localizar algum documento da Igreja que poderia transformar ele em “vencedor do debate“. Neste anseio, eis que surge a seguinte frase:

“Se uma hóstia se partir em pedaços… [e uma] parte cair no altar, o lugar deve ser lambido com a língua”(Concílio de Trento, Seção XIII 3-D, 876)

Além da frase, o seguinte comentário:

“Sabe o que mais me deixa impressionado (…) é que se aplicou ai Santo Inácio, essa mentira porque o irmão Érick … acho que é o irmão Érick … querido nada contra você. Você está MENTINDO. Faltando com a verdade. O que mais me impressiona é que 1200 anos, 1500 anos se passaram, é feito dois Concílios de Latrão e de Trento para aprovar essas aberrações, criadas pela grande meretriz (…) Aqui não tem beato aqui, nem jovenzinho, seguidor de padre que senta e ouve e não questiona. AQUI TEM PROFESSORES, tem pessoas sérias que vão questionar e refutar o que você está falando”. 

Pois bem, o “professor judeu cristão“, após massagear o ego, não refutar os textos com todas as fontes com acesso pleno a livros verdadeiros, resolveu agir com a verdade (dele) e tirar (sabe lá de onde) uma frase da Seção XIII do concílio de Trento.

Ele só não imaginava que essa frase, não existe!

Vejamos o que diz a Seção XIII, Capítulo 3, Cânon 876 do Concílio:

Cap. 3. — A excelência da Eucaristia sobre os outros sacramentos

876. A Santíssima Eucaristia tem de comum com os demais sacramentos o ser o símbolo de uma coisa sagrada e a forma visível da graça invisível. A sua excelência e singularidade está em que os outros sacramentos só têm a virtude de santificar, quando alguém faz uso deles, ao passo que na Eucaristia está o próprio autor da santidade, antes de qualquer uso [cân. 4]. Pois, não haviam ainda os Apóstolos recebido das mãos do Senhor a Eucaristia (Mt 26, 26; Mc 14, 22), quando ele afirmava ser na verdade o seu corpo aquilo que lhes dava. Foi também sempre esta a fé na Igreja de Deus: que logo depois da consagração estão o verdadeiro corpo de Nosso Senhor e seu verdadeiro sangue conjuntamente com sua alma e sua divindade, sob as espécies de pão e de vinho, isto é, seu corpo sob a espécie de pão e seu sangue sob a espécie de vinho, por força das palavras mesmas; mas o mesmo corpo também [está] sob a espécie de vinho, e o sangue sob a espécie de pão, e a alma sob uma e outra, por força daquela natural conexão e concomitância, com que as partes de Cristo Nosso Senhor, que já ressuscitou dos mortos para nunca mais morrer (Rom 6, 9), estão unidas entre si; e a divindade por causa daquela sua admirável união hipostática com o corpo e a alma [cân. l e3]. Assim, é bem verdade que tanto uma como outra espécie contêm tanto quanto as duas espécies juntas. Pois o Cristo todo inteiro está sob a espécie de pão e sob a mínima parte desta espécie, bem como sob a espécie de vinho e sob qualquer das partes desta espécie.

Como é possível ver, além de mentir descaradamente, o grande professor não deu o trabalho de ao menos, verificar se o texto do Concílio estaria condizente com sua mentira.

Para quem desejar tirar a “prova dos 30“, basta acessar os cânones de Trento em sua totalidade e tentar ajudá-lo.

http://www.montfort.org.br/bra/documentos/concilios/trento/#sessao13

http://agnusdei.50webs.com/trento17.htm

Por hora, continuo aguardando uma resposta do professor, judeu, cristão, rabino do porquê ele mentiu ao coletar essa frase.

Érick Augusto Gomes



Categorias:Debates

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