A PATRÍSTICA CONFIRMA A CÁTEDRA PETRINA

Em ordem cronológica decrescente, leia abaixo os padres da Igreja confirmando o ministério de São Pedro como líder da Igreja e Bispo de Roma.

Escrito por Érick Augusto Gomes

– Precisamos concordar que na época do Papa Gregório (591 d.C.), a figura de Pedro já estava bem consolidada no que diz respeito a sua liderança, primazia e episcopado em Roma. Basta ler seu livro “Regra Pastoral” onde todas as ações para com o rebanho, Gregório procura espelhar na figura de S. Pedro, o “primeiro papa”, “o primeiro pastor”.

– 130 anos antes de Gregório (461 d.C.), o Papa Leão Magno foi enfático em sua “carta 65,2” ao dizer que “por conta de Pedro, a Igreja romana possui primazia sobre todas as Igrejas do mundo“.

– 59 anos antes de Leão (402 d.C.), São Jerônimo afirmava em seu livro contra Rufino que o “Pontífice é escolhido por Deus” (I Livro, 32).

– 15 anos antes de Jerônimo, Santo Ambrósio (387 d.C.), afirmou, por exemplo, que “Pedro foi o primeiro apóstolo a sentar-se na cadeira da Igreja romana” (Explicação dos Símbolos, 7). Já em outra obra, ele diz: “E com razão; de fato, não podem ter a herança de Pedro aqueles que não têm a cátedra de Pedro” (Sobre a Penitência [I livro] 7,34).

– 63 anos antes de Ambrósio, Eusébio (324 d.C), afirmou que Pedro: foi o valoroso e grande apóstolo a pregar em Roma (HE [Livro II] 14,6); mencionou que sua primeira epístola fora escrita de/em Roma (1 Pd 5,13) pelo fato de citar o nome de “Babilônia eleita” (HE [Livro II] 15,2), afirma sua crucificação em Roma no reinado de Nero (HE [Livro II] 25,5) e diz que ali (Roma), ele evangelizou (HE [Livro III e HE [Livro V] 8,2-3] 1,2). Além desses fatos, é sempre importante mencionar que Eusébio afirma que Lino só tomou o episcopado “depois do martírio de Pedro e Paulo” (HE [Livro III] 2,1).

Outro ponto a ser destacado é que o escritor eclesiástico, afirma que Orígenes (pai da Igreja anterior a Eusébio) desejou “ver a muito antiga Igreja de Roma” (HE [Livro VI] 14,10), justamente pelo fato da “Igreja estar edificada sobre Pedro” [HE [Livro VI] 25,7-8]) (**).

– 70 anos antes de Eusébio, Cipriano de Cartago (250 d.C.) em seu livro “Obras Completas I“, faz diversas menções que Cristo “edificou a Igreja sobre Pedro” e principalmente afirma a “Unidade na Cátedra Petrina” (Unidade da Igreja Católica – Cap. 4).

– 10 anos antes de Cipriano, Orígenes (240 d.C.), afirma que de Pedro, “contra quem nada podem as portas do inferno” (Tratado sobre os princípios [Livro III] 2,5) é o “chefe dos apóstolos” (Tratado sobre os princípios [Livro III] 2,5). Verificar o comentário de Eusébio sobre Orígenes (**).

– 60 anos antes de Orígenes, Irineu de Lião (180 d.C.), concede a lista dos Bispos de Roma. Aqui, é importante lembrar o porquê dele ter feito isso: Pedro evangelizou e ajudou a fundar a Igreja romana ([III livro] 1,1); Irineu só decide citar a lista de Bispos de Roma, por conta de sua “antiguidade” e justamente porque “Pedro e Paulo” ali estiveram e que a Tradição dessa Igreja é a “mais excelente” ([III livro] 3,2).
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Outra fato interessante de se mencionar é que Irineu, afirma em seu terceiro livro “Contra as Heresias” (3,3) que “Clemente de Roma” envia uma epístola à Igreja de corinto para chamá-los a paz e unidade: “No pontificado de Clemente, surgiram divergências graves entre os irmãos de Corinto. Então, a Igreja de Roma enviou aos coríntios uma carta“.

Embora Clemente não tenha mencionado seu “Bispado em Roma” na epístola, não seria curioso pensar que em datas diferentes e distantes (Eusébio e Irineu), dois escritores diferentes tenham falado do episcopado de Clemente? Pensar o contrário é uma falha anacrônica em qualquer linha de pensamento.

– 73 anos antes de Irineu, Santo Inácio (107 d.C.), escreveu uma epístola à Igreja romana. Um argumento muito utilizado por protestantes é o fato de Inácio não mencionar qualquer bispo na carta, logo, não havia qualquer líder na Igreja de roma, porém, esse argumento não tem validade por conta do já citado anteriormente e principalmente pelo fato da próprio perseguição instalada. Para se ter uma ideia, da morte de S. Pedro (67 d.C.), até o Bispo da época de Inácio (Alexandre I), existiram 6 papas em menos de 40 anos. Uma média de 1 pontífice a cada 6 anos. Os 20 primeiros Bispos de Roma foram martirizados. A cadeira episcopal era passada rapidamente por conta das mortes aplicadas pelo Império. Como as datas nem sempre são exatas, nada impede que Evaristo tenha sido morto entre o anos 105 a 107 e até a ascensão Alexandre I, não houvesse algum Bispo.

Ainda sim, é sempre bom citar os elogios que Inácio faz a Igreja de Roma:

“Inácio, também chamado Teóforo, à Igreja que recebeu a misericórdia, por meio da magnificência do Pai Altíssimo e de Jesus Cristo, seu Filho único; à Igreja amada e iluminada pela bondade daquele que quis todas as coisas que existem, segundo fé e amor por Jesus Cristo, nosso Deus; à Igreja que preside na região dos romanos, digna de Deus, digna de honra, digna de ser chamada feliz, digna de louvor, digna de sucesso, digna de pureza, que preside ao amor, que porta a lei de Cristo, que porta o nome do Pai; eu a saúdo em nome de Jesus Cristo, o Filho do Pai” (Aos Romanos, saudação).

É sempre importante mencionar que muitos afirmam que a Igreja de Roma justificativa o ministério petrino por conta de sua “influencia conquistada com o passar do tempo“. Entretanto, ao que parece, desde Inácio (107 d.C.), a Igreja romana já possuía destaque. Nenhuma outra comunidade foi tão elogiada dessa forma, como o fez Inácio no primitivo ano de sua morte.

– 26 anos antes de Inácio, Clemente de Roma (81 d.C.), escreve uma epístola para a Igreja de Corinto. Aqui, vale relembrar que embora o Bispo não se apresente como “líder da Igreja de Roma“, a Tradição de forma esmagadora atribuiu a epístola ao “Bispo de Roma“. Irineu no ano 180 , já afirmava isso em sua obra, como mencionado nesse post anteriormente.

Para esse ponto, gostaria de ressaltar algumas coisas:

1 – Corinto é uma cidade Grega;

2 – Na época da epístola, João, evangelista, estava vivo;

3 – De Roma a Corinto, há exatos 1.156km. Para a época, era uma distância considerável;

4 – Próximo de Corinto, haviam as Igrejas de Tessalônica, Macedônia, Esmirna e as próprias comunidades gregas ao redor.

E por qual razão todas essas informações são importantes? Por uma série de conclusões:

— A Igreja de Corinto poderia ter chamado João o evangelista;
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— Ou talvez, solicitado ajuda de todas as Igrejas próximas (e até mesmo da Ásia).

Porém, foi a Roma de Clemente que interviu. Para mim, não há prova mais clara que essa.

– 17 anos antes de Clemente, temos São Pedro (62 ou 64 d.C.), escrevendo sua primeira epístola de Roma, como ele mesmo diz: “Babilônia eleita“. É importante lembrar que mais de 300 anos depois desse escrito canônico, Eusébio afirmaria que essa carta foi escrita nos territórios romanos por aquele que exerceu seu ministério ali, logo, Pedro, o pescador.

– Finalizando, gostaria de lembrar a todos os nossos leitores que o “ministério de Pedro“, está associado a Roma por providência divina. A Roma pagã, cidade central do antigo mundo, a grande meretriz que matava cristãos, foi derrotada pela cruz de Cristo tornando-se assim o maior símbolo do “Christus vincit. Christus regnat. Christus imperat”.

O próprio evangelista S.Mateus afirma que o reino seria tirado dos judeus e colocado nas mãos de um povo que daria frutos (Mt 21,43).

No mais, o ministério de Pedro poderia ter se dado em qualquer lugar, em qualquer região, pouco importa, fosse Roma ou não, ele ainda seria a pedra basilar da Igreja visível (Mt 16,18; Lc 22,32) e o primeiro líder “geral” dos primeiros cristãos (At 15,7).

Viva a Cátedra de São Pedro!



Categorias:Papado, Patrística

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