PAGANIZAÇÃO OU PEDAGOGIA DIVINA? PARTE IV (Conclusão)

Escrito por Lucas Falango.

Podemos dizer que as influencias não param apenas no que já expomos anteriormente. Poderíamos nos aprofundar em diversas outras coisas, por exemplo: o Salmo 28 (29) que foi extraído de um canto cananeu dedicado a Baal [1] e foi adaptado para louvar ao Deus de Israel e isso não tornou os Salmos ou a Bíblia em algo pagão. O próprio São Paulo ressignificou cantos e poemas pagãos dedicados a Zeus dos poetas Epimênides, Cleanto e Arato (Atos 17,28) para dar culto ao verdadeiro Deus e catequizar os pagãos no Areópago.
Porque não vemos os protestantes dizendo que isso é paganização e que Paulo é um grande herege a ser combatido como fizeram os judaizantes Ebionitas?

Pelo contrário, os primeiros Cristãos seguindo a sabedoria de São Paulo seguiram essa prática, não de paganizar o cristianismo, mas de cristianizar o que era pagão dando um significado cristão aos seus símbolos. Podemos dizer que Cristo em sua infinita sabedoria batiza até mesmo as culturas dos povos convertidos.

A própria identificação feita por São João de Jesus Cristo como Logos (o Verbo) vem da Filosofia Grega, conceito que já vinha influenciando até mesmo os filósofos judeus como Fílon de Alexandria. Enfim, se fôssemos listar todas as semelhanças e influencias poderíamos escrever um livro inteiro.

Se sabemos que o velho testamento prefigura o novo podemos ver que certos desenvolvimentos nas práticas cristãs eram esperados, nas práticas litúrgicas, na melhor explicação da doutrina etc. Doutrinas como a Trindade foram definidas quase 400 anos depois de Cristo e nem por isso essas doutrinas são um desvio, elas são um esclarecimento da Fé ortodoxa.

Lembrando que Cristo está com a Igreja todos os dias até o fim (Mt 28,20), alegar que a Igreja se corrompeu ou que foi substituída por uma falsa no andar da história é uma estultícia tremenda.

Ficar alegando que os objetos sagrados e a aparência do culto católico indicam uma suposta paganização só prova a ignorância dessas pessoas com relação a Deus, as escrituras, a história sagrada, e a pedagogia divina na história da salvação. E para serem honestos precisariam repudiar todo o Velho Testamento, como fez Marcião e seus seguidores.

[1] Novo Comentário Bíblico São Jerônimo, Velho Testamento (p. 1043-1044 § 47)



Categorias:História, Reflexões

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3 respostas

  1. Ótimo e esclarecedor texto!
    Gostaria somente de, carinhosamente, alertar ao redator quanto à pontuação. Em alguns textos anteriores, assim como neste, algumas vezes a pontuação inadequada prejudica um pouco a leitura do texto. Por exemplo, no segundo parágrafo deste artigo, há muitas vírgulas em sequência e que tornam a leitura um pouco cansativa, embora sua compreensão permaneça. Ali, poderia ter sido aplicado simplesmente o ponto, e, daí, ter iniciado uma nova frase.
    Trata-se somente de uma observação quanto à forma, pois, quanto ao conteúdo, ressalto que está de excelente qualidade e que pode ser utilizado como ferramenta de legítima defesa da fé Católica.

    Atenciosamente

    Henrique Rodrigues

    12/09/2020

  2. Eles citam também Colossenses 2,8 para negar TODAS as filosofias como sendo vãs, e, por conseguinte, a filosofia na Igreja — que se mostrou, sim, importante, pois serviu para a conversão de muitos —, porém ocultam quando São Paulo menciona os filósofos gregos pagãos (At 17,28/ 1 Cor 15,33/ Tt 1,12), pois ele se fez grego (1 Cor 9,20-23), isto é, convencendo-os através da própria Fé e Razão, combinando a Teologia com a boa Filosofia. Não obstante, dizem que São Paulo não se dizia devedor da filosofia grega, o que obviamente é falso. O ódio à escolástica é acentuado por Lutero, que queria cortar a cabeça da filosofia.

    No mais, essa série de artigos ficou excelente! Deus lhe pague e abençoe por prestimoso trabalho em favor da Fé Católica. Paz e Bem!

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