De fevereiro até agora, o que aprendemos?

Assunto pertinente para os dias de hoje: corona vírus e a Igreja. Entretanto, antes, é importante colocarmos um adendo sobre o enredo do carnaval mangueirense e a reação dos protestantes.

Assistindo com certa surpresa e espanto, muito admirou-me a reação de pastores protestantes, ante ao enredo da escola de samba carioca – Estação Primeira de Mangueira – que foi um flagrante crime de vilipêndio a fé católica, através do uso indevido da imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo. É exatamente nesse ponto que fica a minha reflexão: como puderam, os protestantes, reagir as blasfêmias cometidas, contra uma imagem de escultura, se os próprios, são em sua esmagadora maioria, iconoclastas?

Devido ao surto do covid-19, a missas foram suspensas e para remediar a ausência de Jesus no Santíssimo Sacramento do Altar, o que nos foi permitido é a comunhão espiritual, sendo que boa parte dela, se deu por meio da TV, canais católico ou nas redes sociais de sacerdotes. Claro impedimento de nossa vivência que está mencionada Jo 6,53-55:

“Então, Jesus lhes disse: “Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai que me enviou vive, e eu vivo pelo Pai, assim também aquele que comer a minha carne viverá por mim. Este é o pão que desceu do céu. Não como o maná que vossos pais comeram e morreram. Quem come deste pão viverá eternamente”.

Nesses tempos de pandemia, onde o estado ou os seus representantes ameaçam religiosos com prisão, quando muito, desrespeitam o direito a culto (vide a invasão de um culto anglicano por suposta aglomeração – infringindo o art.5 da CF), isto, nos remete a Igreja nos tempos das catacumbas. Novamente, o estado tenta nos impedir de rezar e assim, voltamos a rezar na Igreja doméstica, escondidos e com receio de novas perseguições.

E eu tenho certeza que agora, você deve estar se perguntando: “Qual a ligação com o COVID-19 e a Mangueira?”. Isso é simples. Há tempos, nós católicos, não passamos por uma quaresma tão difícil quanto a desse ano em 2020. Estivemos distantes dos sacramentos, mas ainda sim, a fé em “um só Senhor” e a crença em um “único batismo” (cf. Ef 4,5) manteve-nos unidos em volta do Cristo.

A quarentena, também fez cessar os proselitismos de altos berros em caixas de som, volume exacerbado, invasão nos lares prometendo toda a sorte de milagres e isto reduziu. Nesse tempo, cheguei a assistir pastores supostamente “milagreiros”, usando máscaras cirurgias e suplicando incansavelmente por dinheiro. Enquanto isso, enxergamos nossa Santa e verdadeira Igreja, fundada por nosso Senhor, crescer ainda mais na fé em tempos difíceis e conceder conforto e alívios para os mais necessitados. Movimentos que ajudam pobres, padres que estão nas ruas levando o Santíssimo para uma rápida adoração, que seja.

Presenciamos o santo padre, concedendo indulgência plenária aos doentes e a benção Urbi et Orbi que converteu uma agnóstica na Itália. O Papa Francisco unido espiritualmente com todos os católicos do mundo, rezou diante de um crucifixo que em 1522, foi levado às ruas de Roma em um momento onde a cidade também enfrentava forte epidemia.  A tradição afirma que por 16 dias, a procissão foi repetida e assim, foi extinta.  

A escritura nos ensina que “Jesus venceu o mundo” (cf. 16,33) e mesmo com tantas dificuldades nos últimos meses, pessoas dizimadas, continuamos crendo que a fé é o firme fundamento das coisas que as vezes não vemos (cf. Hb 11,1) e como cristãos católicos, somos convidados a transbordar a esperança e dizer que nós continuamos de pé, por Cristo, pela Igreja.

Que a Virgem nos guarde e que o Espírito Santo nos guie.

Escrito por Sandro Pinto de Jesus.



Categorias:Reflexões

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: