Haverá um Reino Milenar e duas Ressurreições? Uma análise de Apocalipse 19-20

Escrito por Lucas Falango.



UM REINO MILENAR PARA OS RESSUSCITADOS?

“Vi também tronos, sobre os quais se assentaram aqueles que receberam o poder de julgar: eram as almas dos que foram decapitados por causa do testemunho de Jesus e da Palavra de Deus, e todos aqueles que não tinham adorado a Fera ou sua imagem, que não tinham recebido o seu sinal na fronte nem nas mãos. Eles viveram uma vida nova e reinaram com Cristo por mil anos. (Os outros mortos não tornaram à vida até que se completassem os mil anos.) Essa é a primeira ressurreição. Feliz e santo é aquele que toma parte na primeira ressurreição! Sobre eles a segunda morte não tem poder, mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo: reinarão com ele durante os mil anos.” (Apocalipse 20,4-6)

Alguns grupos interpretam nessa passagem que haverá literalmente duas ressurreições em dois períodos distintos, entendendo que haverá um reino milenar aqui neste mundo com esses primeiros ressuscitados para só depois vir o juízo final e um reino com todos os ressuscitados. É uma ideia que não faz muito sentido, sabemos que Cristo irá criar novos céus e uma nova terra após o juízo final onde todos os ressuscitados viverão, qual seria o sentido de um ressuscitado com vida eterna e corpo glorificado viver mil anos em um mundo mortal e fadado a destruição?

A passagem também diz que “as almas” se assentaram para julgar e exercer um sacerdócio, vemos então que isso não é uma ressurreição literal, fica claro também que a alma vive sem o seu corpo (que foi decapitado). Nenhuma manobra com termos do velho testamento para dizer que a alma é um mero composto inanimado (que perece com o corpo, ou que perde a consciência) vai fazer sentido nessa passagem, as almas dos mártires claramente estão conscientes e ativas no céu antes da ressurreição da carne.

Mas antes de nos aprofundarmos nisso existe uma questão importante a se considerar: Estaria o capitulo 20 em uma sequência cronológica do capitulo 19? Existem muitas evidencias que nos apontam para uma narrativa não-linear. O capitulo 19 por exemplo, nos mostra Cristo vindo com seus santos nos céus para ferir as nações:

Vi ainda o céu aberto: eis que aparece um cavalo branco. Seu cavaleiro chama-se Fiel e Verdadeiro, e é com justiça que ele julga e guerreia. Tem olhos flamejantes. Há em sua cabeça muitos diademas e traz escrito um nome que ninguém conhece, senão ele. Está vestido com um manto tinto de sangue, e o seu nome é Verbo de Deus. Seguiam-no em cavalos brancos os exércitos celestes, vestidos de linho fino e de uma brancura imaculada. De sua boca sai uma espada afiada, para com ela ferir as nações pagãs, porque ele deve governá-las com cetro de ferro e pisar o lagar do vinho da ardente ira do Deus Dominador.” (Apocalipse 19,11-15)

Comparando com outras passagens, podemos afirmar que isso se refere a Parusia.

“De fato, justo é que Deus dê em paga aflição àqueles que vos afligem; e a vós, que sois afligidos, o alívio, juntamente conosco, no dia da manifestação do Senhor Jesus. Ele descerá do céu com os anjos do seu poder, por entre chamas de fogo, para fazer justiça àqueles que não reconhecem a Deus e aos que não obedecem ao Evangelho de nosso Senhor Jesus. Eles sofrerão como castigo a perdição eterna, longe da face do Senhor, e da sua suprema glória. Naquele dia ele virá e será a glória dos seus santos e a admiração de todos os fiéis…” (2Tessalonicenses 1,6-10)

“Também Henoc, que foi o oitavo patriarca depois de Adão, profetizou a respeito deles, dizendo: Eis que veio o Senhor entre milhares de seus santos para julgar a todos e confundir a todos os ímpios por causa das obras de impiedade que praticaram, e por causa de todas as palavras injuriosas que eles, ímpios, têm proferido contra Deus.” (Judas 1,14-15)

“Que ele confirme os vossos corações, e os torne irrepreensíveis e santos na presença de Deus, nosso Pai, por ocasião da vinda de nosso Senhor Jesus com todos os seus santos!”  (1Tessalonicenses 3,13)

“Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai com seus anjos, e então recompensará a cada um segundo suas obras.” (Mateus 16,27)

“Quando o Filho do Homem voltar na sua glória e todos os anjos com ele, sentar-se-á no seu trono glorioso.” (Mateus 25,31)

Todas essas passagens mostram que o capítulo 19 se refere a Parusia, e que o Juízo Final é um evento que ocorre logo após a Parusia. Porém, no Apocalipse, Cristo só se assenta em seu trono para julgar no final do capitulo 20, existe então esse período que parece “enxertado” entre a Parusia e o Juízo, o milênio, que só aparece no Apocalipse.  

Na Parusia, Cristo não virá sozinho, virá com os seus santos (termo que pode incluir tanto os homens, quanto os anjos). Mas segundo o Apocalipse 14,4 e 17,14 entre outras passagens, aqueles que seguem Cristo onde quer que ele vá são homens, vestidos de roupas brancas (as boas obras dos santos, cf: Ap 6,11; Ap 7,10.13; Ap 19,8), e coroados (Ap 2,10; Ap 3,11; 1Cor 9,25; 1 Pd 5,4; 2Tm 4,8; Tg 1,12), esse exército é então composto de anjos e homens.

Não sabemos se isso deve ser interpretado apenas como uma forma de combate espiritual contra as forças de Satanás. ou se é uma realidade material também, ambas as leituras são possíveis. Porém, pelo que é dito em outros textos, o fim dos tempos será uma realidade material. O livro de Atos (1,11) diz que ele virá da mesma forma que partiu, e ele partiu corporalmente, nas nuvens, visível para todos.

*Nota: É a própria escritura que atesta a possibilidade do contato físicos entre homens e anjos que assumem forma física (cf: Gn 32,25; Os 12,4; Is 37,36; 2Rs 19,35), até mesmo em grandes batalhas (cf: 2Mc 3,24-34; 5,2-4; 10,13).

Quando for dado o sinal, à voz do arcanjo e ao som da trombeta de Deus, o mesmo Senhor descerá do céu e os que morreram em Cristo ressurgirão primeiro. Depois nós, os vivos, os que estamos ainda na terra, seremos arrebatados juntamente com eles sobre nuvens ao encontro do Se­nhor nos ares…”(1Tessalonicenses 4,13)

“Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem. Todas as tribos da terra baterão no peito e verão o Filho do Homem vir sobre as nuvens do céu cercado de glória e de majestade. Ele enviará seus anjos com estridentes trombetas, e juntarão seus escolhidos dos quatro ventos, de uma extremidade do céu à outra.” (Mateus 24,31)

Ei-lo que vem com as nuvens. Todos os olhos o verão, mesmo aqueles que o transpassaram. Por sua causa, hão de lamentar-se todas as raças da terra. Sim. Amém.” (Apocalipse 1,7)

Porém, para serem uma realidade sensível, seria necessário que esses santos tenham passado por uma ressurreição, recebendo o corpo glorioso (pois a alma não pode ser vista), para só então serem arrebatados para junto de Cristo (não da maneira pré-tribulacionista protestante) e fazerem parte desse exército.

A descrição da Parusia dada pelo apóstolo Paulo, nos fala que há uma ordem* nessa ressurreição, o que faz sentido se houvesse esse último confronto na vinda de Cristo.

*Nota: Não podemos descartar que essa ordem pode ser também uma questão de mérito, os salvos então ressuscitam primeiro e os condenados depois.

“[…] por ocasião da vinda do Senhor, nós que ficamos ainda vivos não precederemos os mortos. Quando for dado o sinal, à voz do arcanjo e ao som da trombeta de Deus, o mesmo Senhor descerá do céu e os que morreram em Cristo ressurgirão primeiro. Depois nós, os vivos, os que estamos ainda na terra, seremos arrebatados juntamente com eles sobre nuvens ao encontro do Se­nhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor.”  (1Tessalonicenses 4,13)

“Assim como em Adão todos morrem, assim em Cristo todos reviverão. Cada qual, porém, em sua ordem: como primícias, Cristo; em seguida, os que forem de Cristo, na ocasião de sua vinda.” (1Coríntios 15,22-23)

Nessa vinda gloriosa ocorrerá primeiro a ressurreição dos que morreram em Cristo, até mesmo quem for digno e estiver vivo será transformado (glorificado) em um piscar de olhos, arrebatado até as nuvens, e assim poderão fazer parte desse exército de santos.

No capítulo 19, João muito provavelmente faz alusão a uma passagem do livro de Sabedoria de Salomão, onde diz que Deus armaria os justos (coroados), e todas as criaturas para lutar ao Seu lado em um combate escatológico contra os maus. No apocalipse os justos coroados (Ap 2,10; Ap 3,11; Ap 4,4) e com vestes brancas (Ap 3,4-5.18; Ap 6,11; Ap 7,9) aparecem combatendo ao lado de Cristo, o cavaleiro branco.

Mas os justos viverão eternamente; sua recompensa está no Senhor, e o Altíssimo cuidará deles. Por isso, receberão a régia coroa de glória, e o diadema da beleza da mão do Senhor, porque os cobrirá com sua direita, e os protegerá com seu braço. Por armadura tomará seu zelo cioso, e armará as criaturas para se vingar de seus inimigos. Tomará por couraça a justiça, e por capacete a integridade no julgamento. Ele se cobrirá com a santidade, como com um impenetrável escudo, afiará o gume de sua ira para lhe servir de espada, e o mundo se reunirá a ele na luta contra os insensatos.” (Sabedoria 5,15-20)

Outras passagens nos mostram a mesma coisa, a ressurreição e glorificação dos justos virá primeiro, para que se reúnam com Cristo. Tudo ocorrerá num só dia, será uma única ressurreição seguindo uma ordem para o juízo final. Não haverá esse grande intervalo de mil anos.

“Assim como em Adão todos morrem, assim em Cristo todos reviverão. Cada qual, porém, em sua ordem: como primícias, Cristo; em seguida, os que forem de Cristo, na ocasião de sua vinda. Depois, VIRÁ O FIM, quando entregar o Reino a Deus, ao Pai, depois de haver destruído todo principado, toda potestade e toda dominação. Porque é necessário que ele reine, até que ponha todos os inimigos debaixo de seus pés.” (1Coríntios 15,22-25)

Tudo isso ocorrerá em um mesmo momento (um só dia) e depois “virá o fim”:

“Entretanto, virá o dia do Senhor como ladrão. Naquele dia, os céus passarão com ruído, os elementos abrasados se dissolverão, e será consumida a terra com todas as obras que ela contém.” (2Pedro 3,10)

Após o Dia do Senhor haverá a consumação dos céus e da terra. O mundo chegará ao fim, sem possibilidade de um reino terrestre de mil anos. Aliás, não há lógica e nem motivo algum para isso, como foi dito no começo do artigo. Pelo contrário, eles esperam um novo céu e uma nova terra que serão adequados para sua forma gloriosa, assim também nós esperamos:

“Nós, porém, segundo sua promessa, esperamos novos céus e uma nova terra, nos quais habitará a justiça.” (2Pedro 3,13)

Porém, o Novo Céu e a Nova Terra só ocorrem no capitulo 21! O que nos leva ao centro da questão: O capítulo 20 parece ser uma retomada dos acontecimentos; como uma recapitulação, que vai desde a encarnação e crucificação de Cristo até o juízo final. Esse é o reino milenar que, como iremos demonstrar, é um reino espiritual que vai da Crucificação até a Parusia. Essa recapitulação nos mostra que Cristo não vai nos abandonar a própria sorte para agir apenas em um futuro indeterminado quando as coisas estiverem caóticas, mas sim que Ele já está no controle de todas as coisas, reinando do Céu com seus santos, pois seu reino não é deste mundo (Jo 18,36).

O DRAGÃO ACORRENTADO

“Vi, então, descer do céu um anjo que tinha na mão a chave do abismo e uma grande algema. Ele apanhou o Dragão, a primitiva Serpente, que é o Demônio e Satanás, e o acorrentou por mil anos. Atirou-o no abismo, que fechou e selou por cima, para que já não seduzisse as nações, até que se completassem mil anos. Depois disso, ele deve ser solto por um pouco de tempo.” (Apocalipse 20,1-3)

Nessa passagem vemos que Satanás foi acorrentado por um anjo. Satanás, sendo um espírito, não poderia ser detido de maneira física. Essa ação então não é literal, esse acorrentamento significa uma limitação do seu poder de ação no mundo.

Na Septuaginta, a profecia de Isaías 9,6 se refere a Jesus como o “Anjo do Grande Conselho”. Esse Anjo descendo do céu muito provavelmente é a encarnação de Cristo pois é dito no início do livro que o anjo estava em posse da chave do abismo (o mundo dos mortos: Rm 10,7). Jesus diz possuir essa chave, pois Ele venceu a morte.

“Não temas! Eu sou o Primeiro e o Último, e o que vive. Pois estive morto, e eis-me de novo vivo pelos séculos dos séculos; tenho as chaves da morte e da região dos mortos.” (Apocalipse 1,17-18)

Jesus com sua morte na Cruz alcançou uma grande vitória contra os poderes de Satanás. A Bíblia faz referência a essa vitória na Cruz, onde o demônio saiu humilhado, porém, não completamente aniquilado.

Espoliou os principados e potestades, e os expôs ao ridículo, triunfando deles pela cruz.”  (Colossenses 2,15)

“Porquanto os filhos participam da mesma natureza, da mesma carne e do sangue, também ele participou, a fim de destruir pela morte aquele que tinha o império da morte, isto é, o demônio.”  (Hebreus 2,14)

“Jesus disse-lhes: Vi Satanás cair do céu como um raio. Eis que vos dei poder para pisar serpentes, escorpiões e todo o poder do inimigo.” (Lucas 10,18)

Agora é o juízo deste mundo; agora será lançado fora o príncipe deste mundo. E quando eu for levantado da terra, atrairei todos os homens a mim”. Dizia, porém, isto, significando de que morte havia de morrer.”  (João 12,31-33)

“Já não falarei muito convosco, porque vem o príncipe deste mundo; mas ele não tem nada em mim.” (João 14,30)

Essa é a razão do Apocalipse nos mostrar o Dragão sendo acorrentado. Satanás é derrotado na cruz, foi limitado em seus poderes para que o Reino de Deus pudesse se expandir, isso mostra que o reino milenar não é algo literal, pois tudo isso ocorre de maneira espiritual. Esse reino é a própria Igreja que se expande pela terra libertando os homens da escravidão de satanás. Nesse meio tempo (que João chama de reino milenar) as nações poderão ser convertidas a Cristo sem que sejam tentadas da maneira que eram antes. Essa parte do Apocalipse é então uma recapitulação da vitória de Nosso Senhor sobre Satanás. Porém, ele deverá ser solto um pouco antes do fim (Ap 20,3), até que venha o momento da Parusia, por motivos para nós desconhecidos*.

*Nota: talvez tenha algo a ver com o que os apóstolos citaram sobre uma ‘operação do erro/mentira’ antes da Parusia; 2Ts 2,11; 1Jo 2,28).

Essa é também a opinião que a Igreja acabou adotando, guiada pelo Espírito Santo (Jo 14,26; Jo 16,13), se baseando nos Santos Padres que tinham uma interpretação e uma teologia mais sólida, e desconsiderando nesse ponto, a opinião dos que professaram alguma ideia milenarista. Elencaremos a seguir alguns comentários da Patrística sobre o assunto:

“Os anos em que Satanás ficará preso vão do primeiro advento de Cristo, até o fim dos tempos; e são chamados de Mil, de acordo com o modo de falar, em que uma parte é significada pelo todo, assim como é essa passagem: “a palavra que Ele ordenou por mil gerações” (Sl 105,8), embora [as gerações] não sejam mil.” (Vitorino de Pettau, Comentário ao Apocalipse , 260 d.C.)

“O mesmo Papias, contudo, acrescenta outras coisas que lhe teriam sido transmitidas por tradição oral, certas parábolas estranhas atribuídas ao Salvador, determinados ensinamentos esquisitos e outras coisas um tanto fabulosas. Afirma, por exemplo, que haverá mil anos após a ressurreição dos mortos e que o reino de Cristo se realizará materialmente aqui na terra. Penso que assim opinou por ter entendido erroneamente as narrações dos Apóstolos, e não ter apreendido o que eles disseram figurada e simbolicamente. Na verdade, ele parece ter tido pouca inteligência, como é possível constatar por seus livros; contudo, foi causa de que grande número de escritores eclesiásticos posteriores tenha adotado suas opiniões, fiados em sua antiguidade. Isso aconteceu a Ireneu e a outros que tiveram idêntico parecer.” (Eusébio de Cesaréia, História Eclesiástica, livro III, 324 d.C.)

O diabo foi fisgado pelo Senhor, como um dragão, pelo anzol da Cruz; e foi preso em uma rede de arrasto, e amarrado como um escravo fugitivo, seus lábios foram perfurados por uma argola e uma algema, e ele não pode devorar nenhum dos fiéis. Agora, como um pardal miserável, ele é feito um joguete por Cristo; agora ele geme a seus companheiros, sendo pisoteados como serpentes e escorpiões sob os calcanhares dos cristãos.” (Santo Atanásio de Alexandria, Vida de Antônio, 356 d.C.)

“[Por acaso] prometemos a gula do milênio? Declaramos que os sacrifícios de animais judeus serão restaurados? Reduzimos as esperanças dos homens novamente a Jerusalém terrena, imaginando sua reconstrução com pedras de um material mais brilhante?” (São Gregório de Nissa, Carta 17, 330-395 d.C.)

O acorrentou por mil anos (Ap 20,2). O próprio Senhor Jesus Cristo diz: Ninguém pode entrar na casa de um homem forte e roubar seus bens, a menos que primeiro prenda o homem forte (Mt 12,29) – ou seja, pelo homem forte, ele quis dizer: o diabo, porque ele tinha poder para manter cativa a raça humana; e significando pelos bens que ele deveria levar, aqueles que haviam sido mantidos pelo diabo em vários pecados e iniquidades, mas que deveriam vir a crer n’Ele. Foi então a prisão deste ‘forte’ que o apóstolo viu aqui. Mas a prisão do diabo significa que ele está sendo impedido de exercer todo o seu poder de seduzir os homens, forçando-os violentamente ou enganando-os fraudulentamente a juntar forças com ele.” (Santo Agostinho, Cidade de Deus, 410 d.C.)

“Mas os santos nunca possuirão um reino terrestre, mas apenas um celestial. Fora, então, com a fábula de um milênio!” (São Jerônimo, Comentário sobre Daniel, 407 d.C.)

“Pois, pelo número de mil, ele denotou não a quantidade de tempo, mas a universalidade, com a qual a Igreja exerce domínio. Agora, a velha serpente está presa por uma corrente e lançada no abismo, porque, estando amarrada [longe] dos corações dos bons, enquanto está trancada na mente dos pecadores perdidos, ele as domina com pior crueldade.” (São Gregório Magno, Moralia, 591 d.C.)

“[verso 1:] ‘Abismo’. Ele recapitula desde o início, e de maneira mais completa, como ele havia dito acima: “A besta que viste era e não é; e ascenderá do abismo e caminha para a perdição.” O Senhor, portanto, dotado do poder de Seu Pai, desce e se encarna, para fazer guerra com o príncipe deste mundo, quando ele é preso para ter seus bens espoliados […] [verso 2:] ‘O prendeu’. Ou seja, ele afastou e restringiu seu poder de seduzir os homens que seriam libertos. Pois se lhe fosse permitido exercer a totalidade [do seu poder], seja pela força ou pelo engano, ele seduziria a maioria dos fracos nesse tão longo [período de] tempo…” (Venerável Beda, Explicação do Apocalipse, 716 d.C.)

Essas informações são suficientes para esclarecer que essa questão do “Dragão acorrentado por mil anos” é uma linguagem simbólica, para demonstrar a derrota de Satanás com o triunfo de Cristo na cruz. Fica claro que não estamos tratando de um livro que conta uma história linear. E que os “mil anos” não são literais, pois senão a Parusia já teria ocorrido em algum momento da Idade Média. Consequentemente o “Reino Milenar” é uma realidade espiritual já presente em nossas vidas (Lc 17,20-21; Lc 23,43; Hb 12,22-24; Ef 2,5-7).


A PRIMEIRA RESSURREIÇÃO

Voltemos então para onde começamos, para uma das passagens mais controversas das escrituras sagradas:

“Vi também tronos, sobre os quais se assentaram aqueles que receberam o poder de julgar: eram as almas dos que foram decapitados por causa do testemunho de Jesus e da Palavra de Deus, e todos aqueles que não tinham adorado a Fera ou sua imagem, que não tinham recebido o seu sinal na fronte nem nas mãos. Eles viveram uma vida nova e reinaram com Cristo por mil anos. (Os outros mortos não tornaram à vida até que se completassem os mil anos.) Essa é a primeira ressurreição. Feliz e santo é aquele que toma parte na primeira ressurreição! Sobre eles a segunda morte não tem poder, mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo: reinarão com ele durante os mil anos.” (Apocalipse 20,4-6)

Agora que já sabemos que esse texto não fala de um futuro remoto. Ele acontece logo após o dragão ser preso e isso aconteceu na cruz. Isso demonstra que o reino de Cristo começou na Cruz.

“E acrescentou: ‘Jesus, lembra-te de mim, quando tiveres entrado no teu Reino!’ Jesus respondeu-lhe: ‘Em verdade te digo: hoje estarás comigo no paraíso’.”  (Lucas 23,43)

Jesus responde “hoje” em contraposição ao “quando dito pelo Bom Ladrão, Jesus afirma que seu Reino já estava presente.

“Os fariseus perguntaram um dia a Jesus quando viria o Reino de Deus. Respondeu-lhes: ‘O Reino de Deus não virá de um modo ostensivo. Nem se dirá: Ei-lo aqui; ou: Ei-lo ali. Pois o Reino de Deus já está no meio de vós’.” (Lucas 17,20-21)

Jesus afirmou categoricamente que o Reino não se manifestará de modo ostensivo (de modo visível). O reino de Deus é então uma realidade espiritual até que venha a Parusia, os novos céus e a nova terra. Sem brechas para o milenarismo neste mundo que está fadado a destruição. Alguns então objetariam dizendo: “Mas o texto diz claramente: primeira ressurreição!”. Sim! Mas para entendermos o que o autor quis dizer com a expressão “primeira ressurreição”, precisamos voltar aos livros anteriores do Novo Testamento. É São Paulo que nos revela o entendimento verdadeiramente cristão dessas palavras:

“Ou ignorais que todos os que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele na sua morte pelo batismo para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela glória do Pai, assim nós também vivamos uma vida nova. Se fomos feitos o mesmo ser com ele por uma morte semelhante à sua, sê-lo-emos igualmente por uma comum ressurreição.” (Romanos 6,3-5)

“Nele também fostes circuncidados com circuncisão não feita por mão de homem, mas com a circuncisão de Cristo, que consiste no despojamento do nosso ser carnal. Sepultados com ele no batismo, com ele também ressuscitastes por vossa fé no poder de Deus, que o ressuscitou dos mortos. Mortos pelos vossos pecados e pela incircuncisão da vossa carne, chamou-vos novamente à vida em companhia com ele…” (Colossenses 2,11-13)

“Se, portanto, ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus.” (Colossenses 3,1)

“Mas Deus, que é rico em misericórdia, impulsionado pelo grande amor com que nos amou, quando estávamos mortos em consequência de nossos pecados, deu-nos a vida juntamente com Cristo – é por graça que fostes salvos! -, juntamente com ele nos ressuscitou e nos fez assentar nos céus, com Cristo Jesus.” (Efésios 2,4-6)

Ora, não vemos na passagem (Ap 20,4-6) justamente essas almas se assentando com Cristo? O que São Paulo fala não é um mero simbolismo como tentam interpretar os racionalistas, mas uma realidade! Esses homens foram sepultados com Cristo no batismo e ressuscitaram para uma vida nova para se assentarem com Cristo no céu, essa é a primeira ressurreição!

Como o corpo humano perece e só será ressuscitado no fim dos tempos, a alma que é imortal ao se separar do corpo vai para o seu criador aguardar o dia da ressurreição da carne. O texto deixa claro que eram “as almas dos que foram decapitados”, no livro também vemos que “as almas dos homens imolados clamavam em alta voz” (Ap 6,9). Isso não é uma ideia filosófica grega, mas o explicito ensino das escrituras:

“[…] Sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos de Deus um edifício, uma casa não feita por mãos, eterna, nos céus […] Porque também nós, que estamos neste tabernáculo, gememos carregados […] Por isso, estamos sempre cheios de confiança. Sabemos que todo o tempo que passamos no corpo é um exílio longe do Senhor. Andamos na fé e não na visão. Estamos, repito, cheios de confiança, preferindo ausentar-nos deste corpo para ir habitar junto do Senhor. É também por isso que, vivos ou mortos, nos esforçamos por agradar-lhe.” (2Coríntios 5,1.4.6-9)

“Tenho por meu dever, enquanto estiver neste tabernáculo, de manter-vos vigilantes com minhas admoestações. Porque sei que em breve terei que deixá-lo, assim como nosso Senhor Jesus Cristo me fez conhecer.” (2Pedro 13-14)

“Porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro. Mas, se o viver no corpo é útil para o meu trabalho, não sei então o que devo preferir. Sinto-me pressionado dos dois lados: por uma parte, desejaria desprender-me para estar com Cristo – o que seria imensamente melhor; Mas julgo mais necessário, por amor de vós, ficar na carne.” (Filipenses 1,21-24)

É evidente diante das expressões: “viver no corpo”, “deixar este tabernáculo”, “ficar na carne”, “desprender-me para estar com Cristo”, “ausentar-nos deste corpo para habitar com o Senhor”, “o tempo […] no corpo é um exílio longe do Senhor”, etc. que os apóstolos sabiam que se encontrariam com Cristo imediatamente após a morte em uma existência fora do corpo, antes do Juízo Final e da Ressurreição. Ao contrário do que algumas seitas dizem, a imortalidade da alma está bem explícita e de acordo com as escrituras. Enquanto a hora da ressurreição dos mortos não chega essas almas não ficam esperando em um estado vegetativo, pelo contrário, já possuem um papel ativo na história (serão sacerdotes de Deus e de Cristo: reinarão com ele durante os mil anos.”).

As almas daqueles que antes da morte corporal (a primeira morte) tomaram parte na primeira ressurreição, já reinam e operam um sacerdócio com Cristo. Eles não serão julgados no juízo final (“a segunda morte [a condenação eterna] não tem poder sobre eles”), pois já foram julgados por Cristo no juízo particular (Hb 9,27), para fazerem parte definitivamente da Igreja, do corpo de Cristo, que já foi julgado no calvário. O juízo para os santos será um juízo compensatório, ou seja, receberão a recompensa prometida por Deus e terão reparado publicamente qualquer dano feito à sua honra, eles serão juízes com Cristo e julgarão o mundo (1Cor 6,2) e todos aqueles que não conseguiram a salvação em Cristo (os que “não tornaram à vida até que se completassem os mil anos”) e até mesmo os anjos. E por isso Jesus disse:

“Em verdade, em verdade, vos digo: quem escuta a minha palavra e crê naquele que me enviou tem vida eterna e não vêm a julgamento, mas passou da morte à vida.” (João 5,24)

“Em verdade, em verdade, vos digo: se alguém guardar minha palavra jamais verá a morte.” (João 8,51)

Eu sou a ressurreição. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá. E quem vive e crê em mim jamais morrerá…” (João 11,25)

“Nós sabemos que fomos trasladados da morte para a vida, porque amamos nossos irmãos. Quem não ama permanece na morte.”  (1João 3,14)

Todos os que creem já passaram da morte à vida e não passarão pelo julgamento dos réprobos; é claro que “crer” é um ato contínuo de obediência a Deus, vivendo uma vida em Cristo, se abstendo das obras más e permanecendo no caminho das boas obras que Deus preparou para nós (Ef 2,10), “aquele que perseverar até o fim será salvo” (Mt 10,22). Esses que morrerem na graça de Deus farão parte do sacerdócio celestial, reinarão com Cristo e estarão com Ele julgando e não serão julgados.

Novamente, vamos elencar a seguir alguns comentários da Patrística sobre a passagem:

“Existem duas ressurreições. Mas a primeira ressurreição é agora das almas que são pela fé, a qual não permite que os homens passem para a segunda morte. Sobre esta ressurreição, o apóstolo diz: Se, portanto, ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas do alto (Cl 3,1).” (Vitorino de Pettau, Comentário ao Apocalipse, 260 d.C.)

“Em seguida, linhas adiante, prossegue: ‘Deste modo, nossos santos mártires, agora sentados ao lado de Cristo, partícipes de seu reino, que julgam com ele e com ele proferem a sentença (Ap 20,4; 1 Cor 6,6)…” (Dionísio de Alexandria, Epístola a Fabiano de Antioquia – 190-264 d.C. / Eusébio de Cesaréia, História Eclesiástica, livro VI, cap.42)

“Se ele tivesse visto os tronos [apenas] no Juízo Final, ele não teria dito ‘almas’; pois naquele momento [do Juízo] eles estarão com seus corpos. Mas aqui ele diz que os viu [já] sentados em tronos. Ele diz ‘e as almas dos mortos’ para que ele pudesse mostrar os vivos e os mortos. Todos esses, diz ele, viveram e reinaram com Cristo por mil anos. Ele corretamente disse ‘todos’, tanto os que vivem no presente como também as almas dos santos. […] Esta é a primeira ressurreição, na qual de fato ressuscitamos pelo batismo, como diz o Apóstolo: ‘Se foste ressuscitado com Cristo, procura as coisas do alto’; e ainda: ‘Vivendo como [os que foram ressuscitados] dos mortos’ [Rm 6]. Pois o pecado é a morte, como diz o mesmo apóstolo: ‘estando vós mortos nas vossas transgressões e pecados.’ [Ef 2,1; Cl 2,13] Assim como a primeira morte nesta vida é pelo pecado, também a primeira ressurreição é nesta vida pelo perdão dos pecados. Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição, isto é, aquele que terá preservado o que nasceu de novo [a alma]. Nele a segunda morte não tem poder, ou seja, os tormentos eternos. Mas eles serão sacerdotes de Deus e de seu Cristo, e reinarão com ele por mil anos. O Espírito reitera, ao escrever essas coisas, que a igreja reinará mil anos, ou seja, até o fim do mundo. Consequentemente, é mostrado que não deve haver dúvida sobre o reino eterno, quando mesmo na era presente os santos reinam.” (Ticônio de Cartago, Comentário ao Apocalipse, cap. 20 – c.380 d.C.)

“Eram as almas dos que foram decapitados por causa do testemunho de Jesus […] isto é, as almas dos mártires que ainda não foram restauradas em seus corpos. Pois as almas dos mortos piedosos não estão separadas da Igreja, que mesmo agora já é o reino de Cristo; […] Portanto, enquanto esses mil anos se prolongam, suas almas reinam com Ele, embora ainda não em conjunto com seus corpos. […] essa [primeira] ressurreição diz respeito não ao corpo, mas à alma. Pois as almas também têm sua própria morte em iniquidade e pecados, estes são os mortos dos quais se dizem: Deixe os mortos enterrarem seus mortos (Mt 8,22), isto é, os que estão mortos na alma, enterre os que estão mortos no corpo. É sobre esses mortos […] que Ele diz: Vem a hora, e agora é, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão (Jo 5,25).” (Agostinho de Hipona, Cidade de Deus, XX,9 – 410 d.C.)

Ele diz: ‘Esta é a primeira ressurreição’, ou seja, que resulta da fé: o segundo será a ressurreição corporal universal. Portanto, ‘Bem-aventurado é aquele que tem uma parte na primeira ressurreição’: pois todos teremos uma parte na segunda, quer gostemos ou não. Mas ele diz que a segunda morte não tem qualquer poder sobre aqueles que participam da primeira ressurreição, isto é, os fiéis. Que tipo de morte é essa? É claramente a que resulta do pecado e é seguida por punição. Pois assim como ele falou da primeira e da segunda ressurreição, então ele fala da primeira e da segunda morte. A primeira é a morte física, que separa a alma e o corpo, mas a segunda a morte é a morte espiritual, resultante do pecado. O Senhor disse disto: Não tema aqueles que matam o corpo; mas sim temê-lo quem pode destruir corpo e alma no inferno.” (Ecumênio, Comentário ao Apocalipse, c. séc. VI d.C.)

“Das Escrituras divinas, somos ensinados (que existem) duas vidas e dois tipos de morte. A primeira vida é transitória e carnal após a transgressão [de Adão] do mandamento [dado por Deus no Éden], mas a outra é a vida eterna prometida aos santos após obedecerem aos mandamentos divinos de Cristo. E da mesma maneira, (há) duas mortes: uma transitória da carne e a outra (morte) pelos pecados que conduzem ao pagamento integral no mundo vindouro, que é a Geena de fogo. E sabemos que há uma diferença entre os mortos. Por um lado, há aqueles que devem ser evitados a respeito dos quais Isaías diz: ‘Os mortos não verão a vida’ [Is 26,14], isto é, aqueles que trazem fedor e morte por (sua) conduta, e por outro lado, aqueles louváveis ​​que em Cristo mortificaram as atividades do corpo, que estão crucificados com Cristo e estão mortos para o mundo [Gl 2,20; Rm 6]. Portanto, aqueles mortos inaceitáveis, aqueles que não foram sepultados e ressuscitados com Cristo por meio do batismo, mas que permaneceram em (estado de) morte pelos pecados, não viverão com ele até a conclusão dos mil anos, isto é, o número perfeito que se estende desde a primeira vinda até a segunda (vinda) na glória, como foi dito acima, mas tendo nascido somente da terra e não pelo Espírito, eles retornarão à terra. A morte deles se torna o início de sua punição futura. Já aqueles que participam da primeira ressurreição, isto é, do surgimento de pensamentos e ações de mortificação [da carne], são abençoados. Pois a segunda morte não terá poder sobre eles, que é o castigo sem fim, mas em vez disso, eles exercerão o sacerdócio e reinarão com Cristo, significando para nós (um período de) mil anos até a soltura de Satanás e do engano das nações, não como sendo então privados do reinado [pela soltura de Satanás], mas como mais certamente e muito claramente eles o possuirão pela passagem dessas coisas temporais e a chegada das coisas eternas. […] Então, como são duas mortes, é preciso entender que também há duas ressurreições. A primeira morte, então, é a morte física, dada como a pena pela desobediência da humanidade, a segunda morte, é a punição eterna. A primeira ressurreição é ser trazido à vida dos nossos pecados mortais, a segunda, a transformação da corrupção corporal em incorrupção.” (André de Cesaréia, Comentário ao Apocalipse, sessão XXI, cap. 62 – 610 d.C.)

A Igreja, portanto, reina com Cristo nos vivos e nos mortos […] Pois os que ainda estão vivos nesta carne mortal, assim como os que partiram, mesmo agora reinam com Cristo, por todo o intervalo que é representado pelo número de mil anos, e que de uma certa maneira é congruente com o tempo presente […] ‘O Resto’: [Se refere a] todo aquele que não ouviu a voz do Filho de Deus e passou da morte a vida (Jo 5,24), enquanto a primeira ressurreição ocorre, isto é, a ressurreição das almas; e na segunda ressurreição, que é a ressurreição do carne, certamente passará com a própria carne para a segunda morte, isto é, para tormentos eternos. ‘A Primeira ressurreição’: é certamente a primeira ressurreição em que ressuscitamos pelo batismo, como diz o apóstolo: “Se você ressuscitou com Cristo, procure as coisas do alto” (Cl 3,1). Pois, como a primeira morte nesta vida é por pecados, uma vez que “a alma que pecar, essa morrerá” (Ez 18,20), também a primeira ressurreição é [alcançada] nesta vida pela remissão de pecados.” (Venerável Beda, Explicação do Apocalipse, 716 d.C.)


CONCLUSÃO

Após reunir todas essas informações relativas ao Apocalipse e analisando os principais símbolos e expressões, concluímos que não haverá duas ressurreições, muito menos um reino milenar. Interpretar o Apocalipse de uma maneira literalista – como se Cristo viesse para reinar neste mundo fadado a destruição – é a maneira mais antibíblica de se interpretar o livro.

Precisamos ler o Novo Testamento para entendermos o Apocalipse, e não lermos o Novo Testamento segundo o Apocalipse. As expressões usadas por João podem parecer misteriosas e indecifráveis a princípio (podendo levar alguns a fazer uma interpretação um tanto literal), mas elas são perfeitamente esclarecidas quando buscamos as respostas no resto das escrituras atentos a linguagem usada pelos Apóstolos.



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