Jesus menospreza sua mãe em Mateus 12,48-50 e Lucas 11,27-28?

Escrito por Lucas Falango.

É comum alguns protestantes utilizarem as passagens de Mateus 12,48-50 e Lucas 11,27-28 para dizerem que Jesus rejeitou todo e qualquer vínculo familiar, especialmente o vínculo materno.

“Jesus respondeu-lhe: Quem é minha mãe e quem são meus irmãos? E, apontando com a mão para os seus discípulos, acrescentou: Eis aqui minha mãe e meus irmãos. Todo aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.” (Mateus 12,48-50)

Seria um absurdo que Jesus, que prometeu elevar a lei a perfeição, e a cumprisse perfeitamente, não honrasse pai e mãe. Mas a birra contra a Igreja Católica atinge níveis tão absurdos que acaba impedindo que muitos vejam a interpretação mais clara da passagem, uma interpretação que exalta ainda mais a sabedoria e o amor de Jesus Cristo, enquanto a interpretação protestante nos deixa com um Jesus mal-educado, alguém que escarnece de sua própria mãe em público.

A outra passagem usada:

“Enquanto ele assim falava, uma mulher levantou a voz do meio do povo e lhe disse: Bem-aventurado o ventre que te trouxe, e os peitos que te amamentaram! Mas Jesus replicou: Antes bem-aventurados aqueles que ouvem a palavra de Deus e a observam!” (Lucas 11,27-28)

A interpretação protestante quer nos fazer acreditar que Jesus está demonstrando que sua mãe não têm importância alguma, que ela “apenas” o trouxe no ventre, uma mera barriga de aluguel, e que importante mesmo são as que creem nele, mas Maria não possuí nenhuma importância especial sequer, importante mesmo é a “varoa” do barracão pentecostal mais próximo.

Nenhum esforço é necessário para perceber a falácia de tal argumento, pois, segundo o mesmo Evangelho, Maria é por excelência aquela que creu:

“Disse então Maria: Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo ausentou-se dela.” (Lucas 1,38)

“Bem-aventurada a que creu, pois hão de cumprir-se as coisas que da parte do Senhor lhe foram ditas.” (Lucas 1,45)

O mesmo Lucas, que no começo do seu  Evangelho, relata Maria sendo louvada e engrandecida por Gabriel, um dos sete Arcanjos, e recebendo louvor do próprio Deus Espírito Santo, que pela boca de Isabel a louva e a reconhece como Mãe do Senhor, iria agora colocar esse tipo de palavra na boca de Jesus? Seria no mínimo esquizofrenia da parte do evangelista.

A verdade é que Jesus está exaltando sua mãe ainda mais do que a mulher tentou fazer, e não o contrário, demonstrando a verdadeira razão de sua bem-aventurança digna de grande louvor. Claramente a interpretação anticatólica dessa passagem é falsa e uma blasfêmia contra Nosso Senhor.

Foi assim que o grande doutor da Igreja, Santo Agostinho, um dos cristãos mais ilustres da história, interpretou essas passagens.

“Está escrito no Evangelho, sobre a mãe e irmãos de Cristo, isto é, Sua parentela segundo a carne, que, quando a palavra foi trazida a Ele que eles estavam do lado de fora, pois não podiam vir a Ele por causa de da multidão, Ele respondeu: “Quem é minha mãe? Ou quem são meus irmãos? E estendendo a mão sobre os discípulos, disse: Estes são meus irmãos; e qualquer que fizer a vontade de meu Pai, esse homem será para mim irmão, mãe e irmã”. O que mais está nos ensinando, senão que ao invés de preferir os parentes após a carne, preferir nossos descendentes pelo Espírito: e que os homens não são abençoados por estarem unidos pelo parentesco da carne aos homens justos e santos, mas, pela obediência e imitação, eles se apegam à sua doutrina e conduta. Portanto, Maria é mais bem-aventurada em receber a fé de Cristo do que em conceber a carne de Cristo. Pois a uma certa pessoa que disse: “Bem-aventurado o ventre que te gerou”, ele mesmo respondeu: “Antes, bem-aventurados os que ouvem a Palavra de Deus e a guardam”. Por último, para Seus irmãos, isto é, Sua parentela segundo a carne, que não creram Nele, que proveito havia naquele parentesco? Assim também sua proximidade como Mãe não teria sido de nenhum proveito para Maria, se ela não tivesse levado a Cristo em seu coração de uma maneira mais abençoada do que em sua carne.” (Santo Agostinho, “De Virginitate”, Cp. 3 – 401 d.C.)

Jesus em nenhum momento despreza ou repudia sua mãe, pelo contrário, ele mostra o verdadeiro motivo de sua bem-aventurança, e no que “todas as gerações” (Lc 1,48) deverão louvá-la e imitá-la por todos os séculos.



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3 respostas

  1. Só há um problema não observado. Para o público o ouvia e não sabia da fé de Maria, Jesus estava sim colocando a fé nele acima dos vínculos meramente de sangue. Provavelmente os textos de Lucas sobre Maria nas narrativas de infância serviram par tirar essa impressão de que Jesus não dava a mínima importância à maternidade biológica de Maria. Após a ressurreição quando os discípulos tiveram um contato mais próximo com a mãe de Jesus (At 1,14) conheceram que ela foi a primeira crente, E que não estava fora do que Jesus havia dito antes em referencia aos que o escutavam quando sua mãe e seus ditos irmãos chegaram. O erro dos protestantes é não ler esses textos à luz das narrativas da infância de Lucas, Principalmente do anuncio do Anjo e da visitação, mas contrario ler essas narrativas à luz do que Jesus falou publicamente. Por certo Jesus queria alertar aos parentes de sangue que os vínculos com ele a partir de sua vida publica se dariam mediante a fé e não pelo sangue. Se não excluiu a mãe é porque no devido tempo se saberia que ninguém mais do que ela estava unida ele pela fé, já que foi a aquela que creu e perseverou até fim, enquanto muitos dos que estavam sentado a volta dele quando sua mãe (Mc 3,34) chegou provavelmente o abandonou quando ele morreu na cruz.

  2. “Minha alma glorifica o Senhor, meu espírito exulta em Deus, meu Salvador, porque olhou para a HUMILDADE DE SUA SERVA”. Maria era humilde, uma das grandes virtudes requeridas no sermão da montanha quanto às bem aventuranças. Ela, cheia de graça, auxiliou o Senhor com o silêncio de seu coração várias vezes, além de tê-lo acompanhado em seu seu caminho mais doloroso: no calvário.

  3. Ave Maria, Cheia de Graça, o Senhor é convosco. Bendita és tu entre as Mulheres, e Bendito é o fruto de vosso ventre Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém. 🙏✝️♥️🥀

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