VOLTANDO PARA CASA – A conversão de Danilo Ribeiro, da página “Cristão Reformado”.

Desde criança eu sempre fui muito apegado à ideia de que havia um “Papai do céu”, que era como minha mãe se referia a Deus quando falava do Senhor para mim. Por isso me lembro de pedir para minha mãe me ensinar a rezar quando eu ainda era bem jovem, imagino que por volta dos 5 ou 6 anos, rapidamente aprendi o Pai Nossa e a Ave Maria.

Me lembro também dos CDs do Padre Marcelo Rossi que minha mãe ouvia e que contribuíram muito para o meu interesse e respeito pelo Senhor.

Dentre essas lembranças também me recordo de ouvir o Padre Marcelo no meu quarto quando estava triste e me ajoelhava aos pés de minha cama para rezar e falar com Deus sobre tudo que estava no meu coração.

Ainda antes de começar o catecismo para primeira comunhão, eu tive uma professora “evangélica” no terceiro ano do fundamental que colocava versículos no cabeçalho todos os dias e tínhamos que copiar do quadro negro para nosso caderno. Eu chegava em casa e procurava os versículos numa Bíblia bem velhinha que tínhamos em casa.

Dois anos mais tarde do que comumente se começava a catequese para primeira comunhão, lá estava eu dando início às aulas.

No primeiro ano de três, eu era bem elogiado pela professora como bom aluno, mas no segundo já cansado de copiar tantos textos grandes do quadro todos os sábados pela manhã, eu fui relaxando e terminei a catequese sem toda a disciplina do início, mas mesmo assim nunca perdia nenhuma aula, pois minha mãe não me deixava perder de jeito nenhum.

Um certo dia, subindo uma escadaria grande no caminho da catequese para casa eu ia me perguntando como poderia a professora falar que Jesus era Deus e Filho de Deus ao mesmo tempo, e então na aula seguinte eu perguntei para ela, que me respondeu de forma bem simples: “É porque Deus é Pai, Filho e Espírito Santo”.

Eu não entendi como isso funcionava, mas não me questionei mais sobre isso, e graças a Deus isso não me incomodava em nada, pois não sei por quais caminhos eu teria andado se tivesse mantido a dificuldade com a doutrina da Trindade.

Os dias da primeira comunhão se aproximavam e já começamos a ensaiar para o grande dia. Eu estava ansioso para sentir o gosto da hóstia, e no dia do ensaio iríamos comer do pão sem consagração, o que já bastaria para eu sentir o gosto, mas uma catequista estragou tudo quando apareceu com um pacote de bolachas. Isso me faz rir até hoje.

Quando recebi a comunhão pela primeira vez, eu já havia entendido que o próprio Cristo estava ali, totalmente presente na Eucaristia, e que estando Deus ali, eu precisaria muito da Comunhão, por isso me lembro de ir em duas missas no mesmo dia, para comungar duas vezes. Eu também ficava contando os dias que não cometia pecado depois da primeira confissão, crendo que estava vivendo em santidade, mas mal sabia eu que não era tão fácil assim viver sem pecado. Isso tudo acontecia por volta dos meus 11 ou 12 anos, e ali não fazia ideia do futuro que me aguardava.

Aos 14 anos de idade, já não tinha mais aquela pressão de minha mãe para que eu fosse à missa todos os domingos, pois já havia acabado a catequese, aconteceu que um amigo recém convertido ao protestantismo, numa igreja pentecostal chamada Igreja do Nazareno – igreja essa muito séria e organizada – me confrontou com versículos bíblicos que falam sobre imagens de escultura e o fim dos tempos, eu com medo da grande tribulação e da volta de Jesus conforme ensinada por “evangélicos” dispensacionalistas, abandonei a Santa Igreja Católica.

Ninguém na Igreja Católica notou minha ausência ou foi atrás de mim saber o que havia acontecido.

Então, escondido de minha mãe que já havia me negado a permissão de ir num culto protestante, fui dois domingos seguidos ao culto.

No segundo domingo o horário do culto passou do horário limite que eu tinha para voltar para casa e minha mãe não fazia ideia de onde eu estava, mas me mandava mensagem no celular perguntando de mim e eu preocupado com o que diria, inventei a desculpa de que estava brincando na praça e perdi meu tênis, estava procurando e assim que o achasse, iria para casa.

Durante a semana depois desse segundo culto eu decidi conversar com meu pai que sempre foi mais compreensivo e fácil de dialogar. Eu disse a ele que estava indo para uma igreja evangélica e que queria continuar indo. Ele me ouviu, não fez nenhuma objeção e ainda me apoiou, pois meu pai nunca foi religioso. Mas quando ele contou para minha mãe, foi aí que enfrentei um dos momentos mais difíceis da minha adolescência, pois minha mãe não queria aceitar de forma alguma e dizia que havia virado as costas para Maria Santíssima, o que era verdade. Eu tinha uma imagem de Nossa Senhora de Aparecida no quarto e eu a virava de costas após minha conversão ao protestantismo.

Demorou bastante para que isso fosse aceito por minha mãe, e eu feliz e contente por acreditar ter descoberto a verdade, orava insistentemente pela conversão dos meus pais e pedia a Deus que mostrasse para minha mãe o quanto ela estava errada por manter devoção a Maria.

O tempo passou e eu fui criando grande gosto pelo estudo de coisas referentes a Deus e já nos primeiros cultos eu já havia decidido que queria ser pastor, por isso descobri que havia algo chamado teologia, e fui me enfiando de cabeça nisso.

Descobri muita coisa nova através desse interesse e foi este mesmo que me fez deixar a igreja pentecostal e ir para uma igreja batista, que me impressionava muito pelo fato de estudarem a Bíblia e darem cursos na EBD (Escola Bíblica Dominical); enquanto as igrejas pentecostais se preocupavam mais com experiências sobrenaturais das quais eu passei a duvidar.

Comecei a ler e comprar livros, comuniquei o novo pastor sobre meu desejo de ser pastor e ir para o seminário, mas infelizmente encontrei grandes obstáculos para seguir este caminho e eles eram postos pelo próprio pastor, cujo motivo não entendo até hoje e se entendo alguma coisa desse motivo, eu certamente discordo dele.

Como não encontrava respostas na igreja batista para muitas das minhas dúvidas teológicas, eu que nasci na era da informação, Internet, Youtube, Google e muito mais, “meti a cara” nesses meios e fui estudando com o que achava por lá onde conheci a teologia reformada calvinista, que era o que eu achava que estava de acordo com a doutrina da minha igreja batista, mas isso não era verdade. Fui descobrindo aos poucos que aquela igreja batista estava longe de ser uma igreja calvinista ou reformada, e mais do que isso, estava longe de ser uma boa igreja batista tradicional, pois tinha muito pouco de batista na sua forma de governo.

As muitas dificuldades na Igreja Batista não eram motivo nenhum para que eu a deixasse, pois eu cria que aquela igreja pertencia a Cristo e não ao pastor, à algum membro ou a mim, mas a diferença doutrinária que só aumentava entre mim e a igreja ia tornando impossível que ali eu desenvolvesse meu ministério como futuro pastor. Imaginem só, eu era batista, queria ser pastor e já cria que as crianças deveriam receber o batismo.

Com muita conversa e meditação, eu e minha esposa, que conheci na igreja batista e com quem me casei enquanto batista, decidimos sair da igreja e nos tornar presbiterianos.

Minha esposa é filha de um pastor batista que até tentou congregar junto conosco ali na batista, pois já não exercia mais o pastorado, mas ele era tradicional demais para conseguir permanecer lá.

A decisão de ser presbiteriano era mais minha do que da Lilian, minha esposa, mas ela acompanhava todas as minhas descobertas e evoluções teológicas, a ponto de quase sempre concordar comigo após longas conversas e debates que me ajudavam a gravar na memória os princípios e ideias. Por conta dessas boas conversas ela já não tinha a menor dificuldade com as diferenças entre presbiterianos e batistas.

Ainda antes de deixar a Igreja Batista e antes mesmo de chegarmos a essa decisão, no meu primeiro ano de casamento, fiquei desempregado e como a maioria dos inícios de casamentos brasileiros entre duas pessoas pobres, já tínhamos nossas dificuldades financeiras mesmo antes do desemprego, que piorou a situação. Então, saí pela cidade procurando emprego e fui até uma marcenaria onde um amigo me disse que estavam precisando de um ajudante. Chegando lá descobri que apesar de poderem pagar pouco, eu receberia o suficiente para pagar o aluguel de nossa casa, então aceitei e foi aí que uma etapa importante começou em minha vida.

Na pequena marcenaria, meu patrão que trabalhava na linha de produção junto comigo e com mais dois funcionários, deixou claro que era católico e todos eles viram em minha camiseta que eu era evangélico.

Saber que meu chefe era católico e ao mesmo tempo bastante dialogável, fez com que eu me animasse para poder destruí-lo com meus argumentos apologéticos contra a igreja católica, e o primeiro assunto que eu quis abordar, é claro, foi sobre o uso das imagens, como todo bom “evangélico”, e ali estava o início da minha “autodestruição”.

Quando ele ouviu minha pergunta acompanhada do versículo de Êxodo que nos ensina o segundo ou primeiro mandamento, dependendo de como você organiza os dez, ele me deu uma boa resposta e ao terminar disse “Quanto a isso, está REFUTADO”.

Para meu orgulho quase “Saiyajin”, aquelas palavras me mataram, doeram muito e eu fui para casa como um doido estudar para refutá-lo de volta. Nessa ânsia fui apresentado por ele mesmo a um grupo no Facebook de debates entre Católicos e Protestantes. 

Uma vez dentro do grupo, conheci os grandes que estavam do lado protestante e conheci o famoso Lucas Banzoli, de onde bebiam todos aqueles protestantes debatedores. Eu falei diretamente com vários desses no Facebook pelo chat e com o próprio Lucas Banzoli que foi muito atencioso comigo e me recomendou várias leituras de seus artigos que, eu acho, são milhares. Isso pode ser conferido no site dele mesmo chamado “Heresias Católicas”, onde eu passei um bom tempo lendo e pesquisando para refutar os católicos do grupo e o meu chefe no trabalho, onde ocorriam longos debates.

Com o passar do tempo eu fui vendo o que era importante saber ao debater com católicos e por isso fiz dois cursos de história da igreja, um presencialmente num seminário batista e outro online também de um professor batista, de quem assisti todas as 52 aulas.

Me interessei por alguns documentos antigos e escritos dos famosos Pais da Igreja, e lá estava eu debatendo com católicos e citando os Pais, como se eles fossem protestantes em algum sentido.

Eu tenho certeza de que desenvolvi argumentos muito mais sofisticados para lidar com católicos do que aqueles poucos e simplistas argumentos de alguns evangélicos que insistiam em citar o mandamento sobre imagens de escultura para todo católico que via pela frente, e eu certamente havia aprendido muito mais sobre a Igreja Católica do que os meros espantalhos famosos que o mundo evangélico criou sobre ela.

Todo esse trabalho e tempo gasto me fizeram reformular algumas doutrinas e aceitar outras como a do pedobatismo, que é impossível negar na história do cristianismo, e então isso me fez olhar com olhos grandes para a Igreja Presbiteriana, pois eu sempre amei a teologia calvinista e gostava muito dos assuntos abordados na TULIP, os famosos cinco pontos do calvinismo e além disso os presbiterianos eram pedobatistas, batizavam crianças.

Quando decidimos ser presbiterianos, tudo isso já tinha acontecido e eu estava de fato muito inclinado a teologia reformada presbiteriana, por isso já havia lido os documentos de fé da IPB, os símbolos de Westminster e já dizia que concordava com tudo e subscrevia a tudo, até mesmo os pontos mais controversos e polêmicos, como a total iconoclastia que proíbe até mesmo imagens mentais de Jesus ou qualquer uma das pessoas da trindade. Eu não suportava mais ver uma imagem de Jesus em revistas infantis, em filmes e até me neguei a ir para um teatro com minha esposa porque seria um teatro da vida de Jesus e lá estaria um ator representando Deus.

Por mais que eu concordasse com isso, eu encontrava algumas dificuldades para manter esses pontos mais radicais e me indignava com o fato da grandíssima maioria dos pastores da IPB que diziam subscrever os documentos de fé, não concordarem com os documentos ou fazerem pouco caso deles. Na IPB onde eu congregava, o culto era reformado, lindo, o pastor era confessional, só pregava de forma expositiva e isso me fazia viajar por uma hora nos domingos para cultuar em outra cidade, já que em minha cidade não havia IPB e na cidade mais próxima o culto não era tão reformado assim.

O tempo passou e lá estava eu indo duas vezes para esta cidade no mesmo domingo, de manhã e à noite, o que me consumia 4 horas de viagens dominicais, mas eu fazia com prazer e, além disso, eu rapidamente fui ordenado diácono, o que me fazia chegar sempre mais cedo e ter que acordar muito cedo. Em certo momento minha esposa engravidou e nossas viagens ficaram mais difíceis, pois ela tinha enjoos e eu comecei então a ir sozinho; mas quando minha filha nasceu, eu já estava cansadíssimo.

Comecei a pegar muito no pé do pastor para começarmos um trabalho em minha cidade e eu já sabia onde procurar as pessoas, pois conhecia gente decepcionada com as poucas igrejas sérias de minha cidade e que estavam sem igreja. Também conhecia uma família presbiteriana grande que havia mudado para a cidade e congregavam na batista sem se tornarem membros, por falta de uma IPB na cidade e porque para se tornarem membros precisariam receber outro batismo, desta vez por imersão.

Juntei essa galera toda e começamos a organizar tudo, corri atrás de lugares para começarmos nossas primeiras reuniões e eu estava bastante esperançoso de poder exercitar aquilo pelo qual eu tinha muito gosto, o ensino.

Desde a Igreja Batista eu e minha esposa éramos muito ativos na igreja e fazíamos tudo que era necessário. Ela dava aula para as crianças e era líder do grupo de música, enquanto eu tive um momento que estava tão atarefado na igreja que precisei parar com algumas coisas e dar prioridade para somente algumas delas. Eu cheguei a ao mesmo tempo ser líder de jovens, dar aula na EBD, ser responsável pelo calendário de oração, ser o zelador da igreja, abrir e fechar todos os domingos e trabalhar vez ou outra em tudo que aparecia, como eventos, pregações em algumas ausências do pastor e as vezes mesmo com ele presente.

Agora na IPB eu era professor de EBD e diácono, mas começando o trabalho em minha cidade eu estava ansioso por pregar lá e de fato isso começou a acontecer, pois pregava em todas as ausências do seminarista designado para o trabalho. Quando alugamos nosso primeiro espaço de culto, pois por um ano nos reunimos na casa de uma família muito piedosa, eu estava novamente ansioso para pregar pela primeira vez num domingo, Dia do Senhor; e no segundo domingo o seminarista já iria se ausentar.

Mas para meu espanto, depois de tanto trabalhar para a organização dessa congregação, me foi negada a participação nas pregações e eu fui cortado desse trabalho, isso por um motivo bobo, algumas pessoas estavam chamando a IPB em minha cidade de Igreja do Danilo, mas esse número de pessoas era insignificante. Procurando então manter a humildade e paciência eu respirei fundo, falei com o líder da congregação e decidi esperar o quanto fosse necessário, mas durante essa espera, que certamente feriu um pouco meu coração, eu comecei a pensar naqueles assuntos que há muito tempo já não pensava mais. Comecei a pensar nos argumentos dos católicos, na doutrina, história e dogmas da Igreja Católica, mas antes de continuar preciso ainda contar sobre outro ponto.

Três anos antes, quando eu e minha esposa estávamos sendo recebidos na Igreja Presbiteriana, eu tive uma crise razoável onde eu coloquei minha fé em cheque, chamei minha esposa para tomar um sorvete e falei para ela sobre meus flertes com a Igreja Católica, e isso a deixou espantada, mas alguns dias se passaram e a minha falta de coragem fez com que eu não levasse isso adiante, e enquanto fazia um curso em outra cidade, durante o intervalo procurei uma Igreja Católica, me sentei lá, fora do horário de missa e orei a Deus entregando toda minha crise em suas mãos, mas não falei somente com Deus, pois eu estava tão em crise que arrisquei pedir ajuda de Maria, mãe de Cristo, o Deus encarnado.

Passado esse fato, eu desfrutei de um grande momento de paz, não sei se porque ainda não era a hora certa , mas consegui descansar minha mente dessas coisas e me dediquei ao trabalho na IPB, contudo a crise retornaria quando fui cortado das pregações, não por birra ou por estar chateado com a IPB, mas porque nesse tempo eu já não gastava mais tempo estudando para pregar ou para dar alguma aula, e então minha mente estava vazia e livre, livre para pensar o que quisesse e para ler o que me desse na telha.

Nesse tempo conheci um pastor anglicano que tocava em assuntos muito caros para um reformado como eu, mas ao mesmo tempo tinha alguns pensamentos que para mim eram extraordinários e por isso eu o seguia, fazia perguntas, tentava refutar para mim mesmo alguns argumentos dele, isso não me fazia querer ser anglicano de forma alguma, pois nunca cogitei isso, mas ele parecia muito católico nas coisas que afirmava. E então eu comecei a crer em algumas coisas que chegavam muito próximas de cruzar a linha entre católicos e protestantes, principalmente protestantes e evangélicos mais modernos, como por exemplo: o purgatório, a presença real de Cristo na Eucaristia, a regeneração batismal, uma certa forma de intercessão dos santos e a sucessão apostólica como sendo necessária para a validade dos sacramentos.

Como eu estava impedido de pregar e ensinar na IPB, cogitei pela primeira vez na minha vida protestante, a possibilidade de não ser pastor, de desistir do seminário e com isso minha mente estava livre para pensar fora de qualquer caixinha ou sistema, eu podia pensar do jeito que quisesse, e assim fui fazendo.

Depois de ter ido longe demais nesses pensamentos, a ponto de não mais poder olhar para trás e ver de onde eu havia saído, foi então que comecei a pesquisar sobre conversões de protestantes ao catolicismo. Eu li o testemunho de Scott Hahn em seu livro “Todos os caminhos levam a Roma”, assisti entrevistas no Youtube de ex-protestantes, e minha maior preocupação era saber como essas pessoas lidavam com suas famílias, pois minha esposa é protestante, todos os seus parentes também são, assim como meus amigos…

Eu precisava de algumas novas amizades, precisava conversar com gente que passou por isso, e eu fiz isso.

Depois de muito pensar, ainda li o livro “Catolicismo Romano” do Loyd Jones, na esperança de me lançar alguma luz que tivesse passado despercebida, mas o livro era cheio de espantalhos, como eu já imaginava.

Eu decidi por fim, lidar com todas as implicações dessa decisão e me tornar então membro da Igreja Católica Apostólica Romana. Fiz isso não por impulso, não porque alguém me convenceu num debate, mas esta minha decisão é fruto de anos de pensamentos, leituras, debates, conversas e muita negação, muita luta interior… Contrária a minha experiência de aceitação do calvinismo, onde eu já tinha toda uma predisposição, neste caso eu não queria crer, não queria ser católico, não queria abandonar 13 anos de convicções protestantes, não queria ter que lidar com os familiares e amigos que certamente me condenariam e ainda me condenam, e não queria deixar minha confortável condição.

Eu não conseguia mais continuar sendo protestante e antes de aceitar o Catolicismo, foi o Protestantismo que caiu diante dos meus olhos, pois este já não me fazia nenhum sentido. O principal motivo do fracasso do protestantismo para mim é o princípio de Sola Scriptura e a ideia de que todo cristão é um intérprete das Escrituras, tornando possível então a grande diversidade de doutrinas com milhares de denominações onde todos dizem interpretar as Escrituras com auxílio do Espírito Santo, mas mesmo assim há tanta divergência, que faz com que o Espírito Santo pareça extremamente confuso.

Hoje já não sou mais membro da IPB e posso dizer com muita alegria que encontrei definitivamente a verdade que tanto busquei, e ela estava muito mais perto do que eu imaginava. Acredito fortemente que muitos evangélicos estão impedidos de pensar seriamente sobre a Igreja Católica por conta do grande anticatolicismo existente e porque certamente não estão dispostos a enfrentar as implicações de uma decisão tão radical.

Eu posso dizer que sei o quanto é difícil deixar uma denominação e ir para outra, mas nada se compara a deixar de vez o protestantismo e se tornar católico, e essa dificuldade da qual falo diz respeito a como lidamos com todas as implicações dessa decisão, pois quanto ao prazer e descanso da alma que se encontra ao participar de uma Santa Missa sendo já católico, esse prazer é inexplicável.

A sensação de sacralidade num templo Católico quando se sabe do sentido de todas as coisas, do motivo pelo qual se faz isso ou aquilo durante a missa, é extremamente superior a experiência de um culto protestante simples e vazio.

As imagens dos santos, dos anjos e de Cristo no templo e toda a beleza da ornamentação me faz transcender sem precisar fechar os olhos e imaginar algo com muita força, mas me basta mantê-los bem abertos e contemplar aquilo que se verá no céu, a Igreja de Cristo completa, junto com todos os anjos e santos louvando e adorando ao Senhor.

Deixar de ser protestante para ser Católico necessita mais do que estudo teológico e da história da igreja, pois tudo isso convence sim, mas o medo de una mudança tão radical e o medo de como todos a nossa volta nos olharão a partir disso, faz com que criemos vários mecanismos de negação das verdades descobertas nos estudos.

Se você é católico e vê um irmão abandonando a igreja para ir à cultos protestantes, não o ignore, mas corra atrás dele e se você não puder ajudá-lo com suas dúvidas, procure quem possa, mas não o deixe sair sem ser notado, como aconteceu comigo.

Se você é protestante e se sente encorajado a tornar-se católicos, mas não tem ainda coragem suficiente de enfrentar as implicações de tal decisão, não seja covarde e encare isso o quanto antes.

Nesse tempo todo como protestante eu criei uma página no Facebook chamada de Cristão Reformado e ainda não sei o que farei com ela. Criei também um canal no Youtube com o mesmo nome, mas quanto ao canal, mudarei o nome e continuarei a postar vídeos que, a partir de agora, serão de conteúdo católico e onde quero com mais tempo poder falar de algumas das razões históricas e teológicas pelas quais me tornei católico.

Peço aos irmãos católicos que se inscrevam no canal e me acompanhem e aos irmãos protestantes que já estão inscritos, que não deixem o canal sem antes assistir à alguns dos primeiros vídeos que postarei a partir de então.

A todos que leram meu texto, peço que não tumultuem os comentários com suas indignações e discordâncias, mas que aquele que de fato tem alguma preocupação comigo, se quiserem me falar algo, que me procurem no chat do Facebook ou mesmo por e-mail: danilohl.ribeiro@outlook.com.

Graça e paz a todos!



Categorias:Conversões

2 respostas

  1. 😱👏👏👏👏👏👏Gostei cada um sabe oque quer ta de parabéns Danilo

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