REGISTROS HISTÓRICOS SOBRE A CRENÇA NA DORMIÇÃO E ASSUNÇÃO DA BEM-AVENTURADA VIRGEM MARIA

Liber Requiei Mariae Etíope [ge’ez]

“Então nosso Senhor fez um sinal a Miguel, e Miguel respondeu na voz dos anjos fiéis. E eles desceram em três nuvens, e o número de anjos em uma nuvem parecia ser dez mil anjos na presença do Salvador. E nosso Senhor disse-lhes: ‘Que eles tragam o corpo de Maria para as nuvens.’ E quando o corpo dela foi trazido, nosso Senhor disse aos apóstolos que eles deveriam vir a ele. E subiram à nuvem, e cantavam com voz de anjos. E nosso Senhor disse às nuvens para irem para o Oriente, para a área do Paraíso. E quando chegaram juntos ao Paraíso, colocaram o corpo de Maria ao lado da árvore da vida. E eles trouxeram sua alma e a colocaram em seu corpo. E Nosso Senhor enviou seus anjos [de volta] aos seus lugares”. [1]

Exéquias da Santa Virgem [siríaco]

“E os anjos desceram sobre três nuvens; e o número de anjos em cada nuvem era de 1000 anjos, cantando louvores diante de Jesus. E nosso Senhor disse a Miguel: ‘Deixe-os trazer o corpo de Maria para as nuvens.’ E quando o corpo de Maria entrou nas nuvens, nosso Senhor disse aos apóstolos: ‘Aproximem-se das nuvens.’ E quando eles vieram para as nuvens, eles cantavam com voz de anjos. E nosso Senhor disse às nuvens para partirem para o portão do Paraíso. E quando Eles entraram no Paraíso, o corpo de Maria foi para a árvore da vida”.

Apocalipse dos Seis Livros

“Quando a Bem-Aventurada foi colocada no Paraíso do Éden e foi coroada com esta grande glória, e os apóstolos partiram em todas as direções, nosso Senhor Jesus veio até a sua mãe no Paraíso do Éden. […] E quando Nosso Senhor veio a minha Senhora Maria, ele a chamou e disse: ‘Maria, levanta-te’ E imediatamente ela foi restaurada à vida e O adorou”.[2]

Fragmentos Siríacos dos Seis Livros (século V)

E eles [os anjos] levaram a Bem-Aventurada para o Paraíso com esta glória, e seu santo corpo foi colocado lá. […] E eles a colocaram em uma luz ilimitada entre as árvores deliciosas do Paraíso do Éden; e exaltaram-na com uma glória que os olhos da carne não podem contemplar. E nosso Doador da Vida estendeu Sua mão e abençoou Maria; e Ele foi levado ao lado dela para Seu glorioso Pai, e sua promessa é vida para todos aqueles que creem n’Ele. 

Pseudo-Melitão de Sardis

No relato Cristo questiona Pedro e os Apóstolos sobre o destino que Maria merecia, e esta é a resposta que ele recebeu:

“Se, pois, vier a acontecer diante do poder da vossa graça, pareceu-nos justo, vossos servos [os apóstolos], que, assim como vós, vencendo a morte, reinais em glória, também deveis levantar o corpo de vossa mãe e tomá-la com você, regozijando-se no céu. Então disse o Salvador [Jesus]: ​​Faça-se conforme a sua vontade”. (Trânsito de Maria 16:2-17 – c. 400-500 A.D.).

Epifânio de Salamina

Em alguns pontos do Panarion se cogita a possibilidade de Maria ter permanecido imortal, aplicando a ela a passagem do Apocalipse 12, como se Deus a ocultasse do demônio em algum lugar (Panarion 78,11). O interessante é que Epifânio considerava o corpo de Maria tão puro a ponto de já estar apto a ser recebido nos céus. No volume posterior da obra ele parece ter aceitado o fato de que ela morreu, afirmando que seu destino foi como o de Elias (perpetuamente virgem e arrebatado aos céus).

“Como a santa Maria não possuirá o reino dos céus com sua carne, já que não foi impura, nem dissoluta, nem cometeu adultério, e nunca fez nada de errado no que diz respeito às ações carnais, mas permaneceu imaculada?” (Panarion III; 42,12 – 374 d.C.)

“O vaso [Maria] é eleito, mas [é] uma mulher por natureza não diferente [dos outros seres humanos]. Como os corpos dos santos, no entanto, ela foi tida em honra por seu caráter e entendimento. E se eu deveria dizer algo mais em seu louvor, [ela é] como Elias, que era virgem desde o ventre de sua mãe, permanecendo sempre assim, e foi arrebatado e não viu a morte.” (Panarion, VII; 55(75); 5,1 – 375 d.C.)

Timóteo de Jerusalém

“Uma espada atravessará a tua alma, a fim de que sejam revelados os pensamentos escondidos no coração de um grande número. Daqui alguns concluírem que a Mãe do Senhor, condenada à morte pela espada, obtivera o fim glorioso dos mártires. Mas não é assim: a espada de metal, com efeito, atravessa o corpo, não divide a alma; não é assim, porque a Virgem é, até este dia, imortal, porque O que nela habitou transferiu-a aos lugares da sua ascensão.” (Homilia sobre Simeão e Ana [PG 56,245C] – 400 A.D.)

Pseudo-João, o Teólogo

“E o Senhor permaneceu ao lado dela, dizendo: Eis que desde agora o teu precioso corpo será transferido para o paraíso, e a tua santa alma para os céus, para os tesouros de meu Pai na grande claridade [Sl 36,9; Is 60,19; Tg 1,17; Ap 22,5], onde há paz e alegria do santos anjos – e outras coisas além. […] E quando este milagre foi feito, os apóstolos carregaram o leito e depuseram seu precioso e santo corpo no Getsêmani em um túmulo novo. E eis que um perfume de doce aroma saiu do santo sepulcro de Nossa Senhora, a mãe de Deus; e por três dias se ouviram vozes de anjos invisíveis glorificando a Cristo nosso Deus, que dela havia nascido. E quando o terceiro dia terminou, as vozes não foram mais ouvidas; e desde então todos sabiam que seu corpo imaculado e precioso havia sido transferido para o paraíso”. (A Dormição de Maria – datado por Constantin von Tischendorf como sendo no mais tardar do século IV d.C.)

Pseudo-Dionísio, Areopagita

Essa passagem foi interpretada desde muito cedo como sendo uma reunião dos apóstolos e discípulos para celebrarem as exéquias de Maria (uma cerimônia de corpo presente), onde após velarem o corpo, os discípulos celebram a Eucaristia.

De fato, junto também aos nossos próprios hierarcas inspirados por Deus, ele [Hierotheos] superava, depois dos teólogos, como tu sabes, todos os outros santos iniciadores. Tu não ignoras que outrora nós mesmos, tu e muito dos nossos santos irmãos nos reunímos para ver o corpo mortal [de Maria] que é a fonte da vida que gerou Deus, e estavam presentes também Tiago, irmão do Senhor, e Pedro, chefe e decano e o mais venerável dos teólogos, e, em seguida, pareceu oportuno que, depois de a contemplarmos, que todos os hierarcas, segundo a possibilidade de cada um, celebrassem a bondade infinitamente potente da fraqueza divina que é o princípio de divinização [i.e., a Eucaristia]. Estando todo extasiado, estando todo fora de si, e foi tão movido pela comunhão com aqueles Mistérios que ele estava celebrando, parecia então àqueles que o ouviam e viam, quer o conhecessem ou não, um arauto divino inspirado por Deus. (Dos Nomes Divinos III, 2 – c.500 A.D.) [3]

João de Citópolis

“[Por] ‘fonte da vida que gerou à Deus’ [São Dionísio] se refere ao corpo da santa Theotokos que naquele momento adormeceu.” (Scholia [comentário às obras de Dionísio] – c.530 A.D.)

Evangelho Copta de Bartolomeu [4]

“E ele disse a ela: ‘Quando você sair do corpo, eu mesmo irei a você com Miguel e Gabriel. Não permitiremos que você tenha medo diante da Morte, a quem o mundo inteiro teme. Eu a levarei aos lugares da imortalidade, e você estará comigo no meu reino. E porei o teu corpo debaixo da árvore da vida, onde um querubim com espada de fogo o guardará, até que venha o dia do meu reino.” (Datado pela maioria dos estudiosos entre os séculos V-VI d.C.) [5]

Jacó de Serugh

A 81ª homilia festiva de Mar Jacó (451-521 d.C.), sobre o sepultamento, ou seja, a partida, da santa Virgem Maria, a Theotokos, e como ela foi sepultada pelos apóstolos, proclamado por ele quando houve um inquérito sobre isso em um sínodo reunido na igreja de Mar Cyriacus, o Mártir, na cidade de Nisibis, no quarto dia da semana, no décimo quarto do mês Ab [agosto].

E também esta pura mãe do Filho de Deus, em uma caverna, uma tumba, uma caverna de pedra eles a trouxeram e a deitaram. Toda a companhia dos apóstolos se reuniu e ficou de pé, enquanto seu mestre a preparava para o enterro com eles. As fileiras e companhias e hostes dos filhos da luz; o tumulto dos observadores e as ígneas assembleias de chamas; os ardentes Serafins, com suas densas asas de fogo, com legiões e seus batalhões celestiais; os poderosos Querubins, que estavam sob o jugo de sua carruagem; eles tremeram de admiração enquanto cantavam louvores com seus gritos de ‘hosana’. Os seguidores de Gabriel – assembleias mais ardentes do que chamas- foram variadamente alteradas em suas naturezas. Os seguidores de Miguel – cheios de movimento em sua descida – estavam celebrando a festa, exultantes e regozijando-se neste dia com seus gritos de ‘aleluia’. O céu e o ar se encheram do louvor dos seres celestiais, que saíram e desceram ao lugar da terra. […] No alto, os Vigilantes, nas profundezas, a humanidade, no ar, a glória, quando a Virgem Maria foi sepultada como um dos falecidos. Uma luz brilhou sobre a assembleia dos discípulos, e também sobre seus companheiros e seus parentes. As assembleias celestiais conduziram com seus gritos de ‘Santo’ [Is 6,3] à alma gloriosa da mãe do Filho de Deus. Os Serafins de fogo cercavam a alma que foi trasladada e levantavam um alto grito de júbilo.”

Gregório de Tours

Embora a bem-aventurada Maria já tivesse sido chamada [para viver à parte] deste mundo, finalmente a passagem de sua vida foi concluída, e todos os apóstolos se reuniram de suas regiões particulares em sua casa. Quando souberam que ela deveria ser tirada do mundo, todos ficaram de vigília com ela. E eis que veio o Senhor Jesus com seus anjos, e depois de tomar a alma dela a deu ao anjo Miguel e partiu. Ao amanhecer, os apóstolos levantaram o corpo dela em uma cama, colocaram-no em um túmulo e o vigiaram, esperando a chegada do Senhor. E eis que novamente o Senhor se aproximou deles. Ele tomou o corpo santo em uma nuvem e ordenou que fosse levado ao Paraíso, onde, depois de recuperar sua alma, Maria agora se alegra com os eleitos e goza da bondade da eternidade que nunca perecerá (Glória dos Mártires IV – 585 d.C.)

Acredita-se que a gloriosa Maria, Mãe de Cristo, tenha sido virgem após o nascimento [de Cristo] assim como antes do nascimento. Como já mencionei, ela foi transportada entre um coro de anjos para o Paraíso, onde o Senhor já havia ido. Sua igreja foi construída pelo imperador Constantino e brilhou como um edifício impressionante. Colunas foram trazidas, mas não podiam ser levantadas por causa de seu tamanho; a circunferência de cada um era dezesseis pés. Todos os dias os trabalhadores estavam exaustos por seus esforços fúteis, [até que] a santa Virgem apareceu ao arquiteto em uma visão e disse: ‘Não se desespere. Pois eu lhe mostrarei como essas colunas podem ser levantadas.’ Então ela mostrou a ele qual andaime era apropriado, como as polias eram penduradas e para qual tarefa as cordas eram esticadas. Ela acrescentou: ‘Tenha com você três meninos das escolas, [para que] você possa completar a tarefa com a ajuda deles’. Depois que o arquiteto acordou e preparou o que havia sido ordenado, chamou três meninos das escolas e rapidamente levantou as colunas. As pessoas tiveram a oportunidade de testemunhar um maravilhoso milagre, porque três meninos, sem o benefício da experiência anterior, criaram o que muitos homens fortes não conseguiam levantar. A santa festividade de Maria é celebrada no meio do décimo primeiro mês.’ (Glória dos Mártires VIII – 585 d.C.)

“Os apóstolos levantaram o corpo dela em um esquife e o colocaram em um sepulcro; e o guardaram, esperando que o Senhor viesse. E eis que novamente o Senhor estava ao lado deles; e o corpo santo tendo sido recebido, Ele ordenou que fosse levado em uma nuvem para o paraíso: onde agora, reunida à alma, [Maria] se regozija com os escolhidos do Senhor.” (Oito Livros dos Milagres I,4 – 575-593 d.C.) 

Ecumênio

O primeiro comentário do livro do Apocalipse em língua grega identifica a Mulher vestida de sol como sendo a Virgem Maria, e estando no céu de corpo e alma.

“Pois, por que ele diz: ‘E um portento apareceu no céu, uma mulher vestida de sol, e a lua debaixo de seus pés?’ Ele está falando da mãe de nosso Salvador, como eu [já] disse. Naturalmente a visão a descreve como estando no céu e não na terra, tão pura em alma quanto em corpo, como um anjo, como uma cidadã do céu, como alguém que veio para efetuar a encarnação de Deus que habita no céu (“pois”, diz ele, “o céu é o meu trono” [Is 66,1]), e como alguém que não tem nada em comum com o mundo e os seus males, mas totalmente sublime, integralmente digna do céu, mesmo embora ela tenha surgido de nosso ser e natureza mortal.” (Comentário ao Apocalipse VI,18 – datado entre o fim do século VI e início do VII)

Modesto de Jerusalém

Por isso, e porque ela é a gloriosa mãe de Cristo, nosso Deus e Salvador, que dá vida e imortalidade, ressuscitou-a, para ela participar de sua incorruptibilidade corporal por todos os séculos. Ele a levantou da sepultura e a levou para si, de uma forma que só ele conhecia. (Encômio sobre a Dormição de Nossa Santíssima Senhora Maria, Mãe de Deus e Sempre Virgem [PG 86-II,3306] – antes de 634 d.C.)

João de Tessalônica

“E o Senhor tomou sua alma e a colocou nas mãos de Miguel, depois de envolvê-la em véus de algum tipo, cujo esplendor é impossível descrever. preenchido com todos os membros de um ser humano, exceto a forma feminina e masculina, mas sem nada mais a não ser a semelhança de todo o corpo e um brilho sete vezes maior que o sol. […] o próprio corpo da santa Mãe de Deus clamou diante de todos e disse: “Lembre-se de mim, Rei da glória! Lembre-se de mim, que sou sua criação; lembra-te de mim, que guardei o tesouro que me foi confiado.” Então Jesus disse ao seu corpo: “Certamente não te abandonarei, o tesouro da minha pérola! Certamente não te abandonarei, guardião do tesouro que te foi confiado, que foi considerado digno de confiança! Longe de mim abandoná-lo, a arca que abriu o caminho para o seu próprio timoneiro! Longe de mim abandoná-lo, o tesouro que permaneceu selado até que você foi procurado!” E dizendo isso, o Salvador desapareceu. […] Os Apóstolos, porém, levantaram o corpo precioso de nossa gloriosa senhora, Maria, a Mãe de Deus e sempre virgem, e o colocaram em um sepulcro novo, no lugar que o Salvador lhes havia mostrado. Eles permaneceram naquele lugar, acordados na unidade de espírito, por três dias. E depois do terceiro dia, eles abriram o sarcófago para venerar o precioso tabernáculo daquela que merece todos os louvores, mas encontraram apenas suas vestes mortais; pois ela havia sido levada por Cristo, o Deus que dela se fez carne, para o lugar de sua herança eterna e viva. E o próprio nosso Senhor Jesus Cristo, que deu glória à sua imaculada Mãe Maria, a Theotokos, também dará glória àqueles que a glorificam.” (A Dormição de Nossa Senhora, a Mãe de Deus e Sempre Virgem – c. 620 d.C.) 

Teoteknos de Livias

A assunção do corpo da santa [Virgem], e sua ascensão ao céu, ocorreu no dia quinze de agosto, que é o sexto dia do mês de Mesore. E houve alegria no céu e na terra, quando os anjos tocaram o hino, enquanto os seres humanos glorificavam a mãe do Rei do Céu, que havia glorificado a raça humana: a Mãe de Deus, a pura, a arca de três níveis, a rocha impenetrável que jorrava a corrente da vida – Cristo, que disse: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba”. [Jo 7,37] […] Este é o fruto que a nossa terra deu – a sempre virgem Mãe de Deus. Enquanto ela viveu na terra, ela cuidou de todos nós, e foi uma espécie de providência universal para seus súditos. Agora que ela foi elevada ao céu, ela é uma fortaleza inexpugnável para a raça humana, e intercede por nós junto a Deus Filho, com quem e por quem seja glória ao Pai com o Espírito Santo, agora e sempre e pelo século dos séculos. (Encômio sobre a Assunção da Santa Mãe de Deus – antes de 650 d.C.) 

Máximo, o Confessor

“O grande Dionísio, o Areopagita, nos informa em sua carta escrita a Timóteo que, segundo ele, Dionísio, Timóteo, Hierotheus, e outros de seus amigos foram lá com os apóstolos para a Dormição da rainha.” (A Vida da Virgem, 106)

“E eis que aconteceu a gloriosa e maravilhosa vinda de Cristo, seu Deus e Filho, e havia com ele inumeráveis ​​hostes de anjos e arcanjos e outras hostes de serafins e querubins e tronos; todos eles estavam com temor diante do Senhor, pois onde quer que o Rei esteja, as hostes também o acompanham. […] Assim como ela escapou das dores do parto na inefável Natividade, as dores da morte não vieram sobre ela no momento de sua Dormição, pois tanto então como agora o Rei e Senhor das naturezas alteraram o curso da natureza. Então a hoste de anjos aplaudiu invisivelmente a despedida de sua santa alma. A casa e os arredores foram preenchidos por uma lufada de perfume indescritível e uma luz inacessível [cf. 1Tm 6:16] espalhada sobre o corpo santo. E assim o mestre e os discípulos, o céu e a terra conduziram a Santa Virgem: o gracioso e glorioso Senhor e mestre levou a santa alma de sua mãe imaculada para o céu; os discípulos cuidaram de seu corpo imaculado na terra, ungindo-o com mirra e cuidando das coisas que ela havia planejado. E depois de um tempo, seu Filho e Deus desejavam transportar o corpo para o Paraíso ou algum outro lugar. Os Santos Apóstolos cercaram a cama em que o corpo da Santa Theotokos, maior que o céu. Eles o honraram com hinos e louvores; eles a abraçaram com temor e tremor. Eles não apenas mostraram fé e devoção, mas também ficaram gratificados por receberem tamanha graça e benefício, e a obra de fé estava apenas começando. […] Como seu parto foi sem corrupção, sua morte também ocorreu sem corrupção. Como seu parto foi além das palavras e da natureza, sua Dormição ocorreu de uma maneira além da ordem temporal e natural. E ela era maravilhosa, porque como sua alma subiu ao céu sem seu corpo, assim seu corpo também sem sua alma, de modo que ela mostrou a seu Filho e seus servos tanto comunhão quanto separação. Ela ascendeu ao céu pela graça e assistência de seu Filho antes da ressurreição geral para chamar nossa atenção para a ressurreição vindoura. Ela foi assumida completamente, mas primeiro sua santa alma separadamente, quando a entregou ao Senhor, e depois o corpo imaculado, como o Senhor desejou.” (Vida da Virgem 109, 110, 127)

Germano de Constantinopla

“Vives em beleza”, como diz a Escritura [Ct 2,13 LXX], e teu corpo virginal é todo santo, todo puro, todo morada de Deus. Como resultado, também é estranho a toda dissolução em pó. Ele foi mudado, em sua humanidade, para a vida incorruptível mais elevada; é preservado e supremamente glorificado. Terminada a sua vida, permanece insone, pois era impossível que aquilo que era o vaso de Deus, o templo vivo da divindade santíssima do Unigênito, fosse conquistado pelo confinamento letal de uma tumba. […] Você tinha um corpo igual a um de nós e, portanto, não poderia escapar do evento da morte que é o destino comum de todos os seres humanos. […] [Mas]… era impossível que você, o vaso que trazia Deus, fosse dissolvido e decomposto no pó da morte. Já que aquele que se esvaziou em você foi Deus desde o princípio, e a vida eterna, a Mãe da Vida teve que se tornar uma companheira da vida, teve que experimentar a morte simplesmente como um adormecimento; você teve que passar por sua passagem deste mundo como um despertar para sua própria realidade como Mãe da Vida. […] Desta forma, quando você sofreu a morte de sua natureza passageira, seu lar foi mudado para as moradas imperecíveis da eternidade, onde Deus habita; e tornando-se sua hóspede permanente, Mãe de Deus, você não será separada de sua companhia. Pois você se tornou, em seu corpo, a casa onde ele veio descansar, ó Mãe de Deus; e por sua migração, ó mulher digna de todo louvor, ele é agora o lugar de seu repouso. (Sermão I – 683 d.C.). 

E foi de suas mãos, quando todos olhavam, que o corpo puro da Virgem foi retirado [deste mundo]. […] Os discípulos perceberam que Cristo veio, com seus anjos, ao encontro de sua Mãe, e confiando que ela havia sido levada ao céu por ele, glorificaram a Deus com vozes alegres, falando ao povo com estas palavras: “Povo de Israel, vocês devem saber agora o que foi revelado a todos vocês a respeito de Maria, a Mãe de Cristo na carne: que, tendo sido levada morta, por nós e por vocês, para o seu túmulo aqui, ela foi levantada de nossas mãos. Que ninguém se mostre vagaroso em acreditar no que aconteceu em nosso meio. Que ninguém nos acuse falsamente de roubar seu corpo também, como fizeram com o corpo de Cristo! (Sermão II – 683 A.D.)

André de Creta

“Que ninguém aqui pergunte ridiculamente como seu túmulo poderia estar vazio. Pois eu lhe perguntarei em resposta: como o corpo dela desapareceu? Por que não havia mortalha em seu sarcófago, se o que foi colocado no túmulo não escapou à corrupção – se o tesouro não foi levado? E se esses fatos estão corretos, por que sua passagem para o céu não foi genuína, quando o resto dos detalhes foram: [a saber,] a separação de sua alma de seu corpo, seu despojamento da carne, o fim de sua existência encarnada, a separação de suas partes, sua dissolução, sua reintegração, sua reabilitação, sua remoção para o reino invisível? Pois seu sepulcro permanece vazio até hoje, como um testemunho contínuo de sua morte”. (Homilia I Sobre a Dormição de nossa Santíssima Senhora, a Theotokos – c. 692 d.C.) 

“A frase aqui [de Dionísio, o Areopagita] não se refere ao corpo do Senhor, pois aqueles que depois de sua paixão creram nele não estavam todos presentes com ele antes de sua paixão. E por “hierarcas inspirados”, entendo que ele se refere claramente aos membros da companhia dos discípulos, como os principais porta-vozes da Palavra. Não é de se admirar, se o Espírito que uma vez levantou Elias e o carregou na carruagem de fogo do céu agora os reuniu todos de uma vez, no Espírito, através das nuvens. Todas as coisas são fáceis para Deus, como sabemos pela história de Habacuque e Daniel [Dn 14,32-38]. Quantos você imagina que havia então, caro amigo, reunidos de todos os pontos cardeais para estar com ela? Dionísio fala de “muitos de nossos santos irmãos”, então parece claro que os setenta, aqueles discípulos designados de Cristo em segundo lugar, também estavam presentes naquela reunião divinamente escolhida. […] O que aconteceu então, que acontecimentos se seguiram quando todos chegaram a Jerusalém, acompanhados por uma imensa multidão, fica claro no depoimento seguinte de Dionísio. “Depois que a vimos”, diz ele, “pareceu certo a todos os hierarcas, conforme cada um podia, cantar os louvores do poder ilimitado e da bondade da fraqueza que gerou a Deus.” […] A visão que então parecia tão radiante e bela para aqueles homens inspirados teria sido, imagino, a visão esplêndida e resplandecente da estrutura terrena da Virgem: a condição em que o corpo da Mãe de Deus apareceu, irradiando vida e toda luz.” (Homilia II Sobre a Dormição de Nossa Senhora Santíssima, a Theotokos – c. 692 d.C.)

João Damasceno

“A companhia dos Apóstolos te levanta nos ombros, a verdadeira arca do Senhor Deus, como outrora os sacerdotes levantaram a arca tipológica que apontava o caminho para você; colocando-te no sepulcro, eles te carregam, como por outro Jordão [cf. Js 3,15], na verdadeira terra da promessa – à “Jerusalém de cima, mãe de todos os fiéis” [Hb 11,10], cujo construtor e artífice é Deus. Pois sua “alma não desceu ao mundo inferior, nem a tua carne viu a corrupção” [Sl 15,10]. O teu corpo imaculado e sem mácula não foi deixado na terra, mas foste transportada para a morada real do céu como rainha, como senhora, como mestra, como Mãe de Deus, como aquela que verdadeiramente deu à luz a Deus”. (Homilia I sobre a Dormição da Santa Mãe de Deus – c.700 d.C.)

Mas, como o corpo santo e imaculado que dela saiu, e que teve a sua existência concreta em Deus Verbo, ressuscitou ao terceiro dia do sepulcro, também era justo que ela, sua Mãe, fosse tirada do seu túmulo e se reunisse a seu Filho; e assim como ele havia descido a ela, assim ela, seu primeiro amor, deveria ser levada para aquele “maior e mais perfeito tabernáculo, até o próprio céu” [Hb 9,11.24]. (Homilia II sobre a Dormição da Santa Mãe de Deus – c.700 d.C.)

“Vamos nos curvar e entrar naquele túmulo, e reconheçamos a maravilha deste mistério: ela ressuscitou, ela foi elevada, ela foi levada ao céu, ela está ao lado de seu Filho, acima de todas as fileiras de anjos. Pois não há nada entre mãe e filho!” (Homilia III sobre a Dormição da Santa Mãe de Deus – c.700 d.C.)

História Eutímia

A História Eutímia (550-750 d.C.) sobrevive em uma citação de João de Damasco em sua Homilia II sobre a Dormição, o trecho preserva as palavras do bispo Juvenal aos imperadores romanos Marciano e Pulquéria durante o concílio de calcedônia (451 d.C.).

“E que tudo isso é verdade é confirmado pelo terceiro livro da História Eutímia, capítulo 40, onde lemos, em tantas palavras: “Foi dito acima que Santa Pulquéria erigiu muitas igrejas para Cristo em Constantinopla. a igreja em Blachernai, construída no início do reinado do imperador Marciano divinamente escolhido [que ascendeu ao trono em agosto de 450]. Quando os dois construíram uma casa digna lá para a gloriosa e santa Mãe de Deus, a sempre virgem Maria, e adornados com todo tipo de adorno, eles esperavam encontrar seu corpo santo, que havia sido a morada de Deus. E convocando Juvenal, o arcebispo de Jerusalém, e os bispos da Palestina que estavam na capital por causa do sínodo então realizado em Calcedônia [outubro de 451], disseram-lhes: ‘Ouvimos que a primeira e mais notável igreja da Santíssima Mãe de Deus, a sempre virgem Maria, está em Jerusalém, no lugar chamado Getsêmani, onde seu corpo vivificante foi colocado em um caixão. Agora queremos trazer esta relíquia aqui, para proteger esta cidade real. “Juvenal respondeu, em nome de todos eles: ‘Não há nada na sagrada e inspirada Escritura sobre a morte de Maria, a santa Mãe de Deus; mas sabemos pela tradição antiga e totalmente confiável que na época ela tão gloriosamente adormeceu, todos os santos Apóstolos, que viajavam pelo mundo para a salvação dos povos, foram levantados em um único instante de tempo e foram reunidos em Jerusalém; e enquanto estavam ao lado dela, eles tiveram uma visão de anjos e ouviram o canto divino dos poderes superiores. Foi assim que ela entregou sua alma, de maneira inefável, nas mãos de Deus, rodeada da glória de Deus e de todo o céu. Seu corpo, que havia sido a morada de Deus, foi trazido para o sepultamento em meio ao canto dos anjos e dos apóstolos, e sepultado em um caixão no Getsêmani; e a dança e o canto angelical continuaram sem pausa naquele lugar por três dias. Mas depois de três dias, o canto dos anjos cessou; os Apóstolos estavam lá, e como um deles – Thomas – não estava presente [para seu enterro] e veio ao fim de três dias, e desejou reverenciar aquele corpo que havia abrigado Deus, eles abriram o caixão. E não conseguiram encontrar o corpo dela, que havia sido objeto de tantos elogios; tudo o que encontraram foram seus invólucros funerários. E, dominados pela fragrância inefável que saía dos invólucros, voltaram a fechar o caixão. Espantados por esta descoberta milagrosa, eles só puderam tirar uma única conclusão: aquele que se dignou tornar-se carne em sua própria pessoa e dela tirar sua humanidade, aquele que quis nascer em carne humana como Deus o Verbo, o Senhor da glória, e que havia preservado sua virgindade intacta mesmo após o parto, agora escolheu, depois de sua partida deste mundo, honrar seu corpo imaculado e puro com o dom da incorruptibilidade, e com uma mudança de estado mesmo antes da comum ressurreição universal. “O excelente Apóstolo Timóteo, o primeiro bispo de Éfeso, estava presente lá com os [outros] Apóstolos, e também Dionísio, o Areopagita, como o próprio grande Dionísio nos diz em suas elaboradas observações sobre o abençoado Hierotheos – que também estava presente – que são dirigidas a Timóteo. Dionísio escreve: “Uma vez nós, como você sabe, e ele e muitos de nossos santos irmãos nos reunimos, juntamente com nossos hierarcas inspirados, para ver o corpo que havia sido nossa fonte de vida; Tiago, irmão de Deus, estava lá, e Pedro, o chefe e líder daqueles que falavam de Deus. Depois de a termos visto, todos os hierarcas resolveram cantar o louvor, conforme cada um pudesse, da bondade infinitamente poderosa da força divina. Depois das testemunhas de Deus, como você sabe, ele [Hierotheos] superou todos os outros iniciados no santo Mistério – completamente arrebatado, completamente transcendendo a si mesmo, experimentando uma comunhão real com as coisas de que cantavam. E ele foi julgado por todos que o ouviram, viram e o reconheceram – embora ele não os reconhecesse – como inspirado, um cantor de canções divinas. Mas por que eu falo sobre os oráculos sagrados que foram falados então? Pois se não estou completamente esquecido, sei que muitas vezes ouvi partes desses cânticos inspirados de você “. “Quando o casal imperial ouviu isso, eles pediram ao arcebispo Juvenal que lhes enviasse o santo caixão, devidamente selado, com as vestes fúnebres da gloriosa, toda-pura Maria, Mãe de Deus. E quando ele o enviou, eles o colocaram na igreja da Santa Mãe de Deus que havia sido construída em Blachernai.”  (História Eutímia III,40 – 550-750 CE)[6]

Sacramentário Gelasiano

O chamado Sacramentário Gelasiano é um livro litúrgico que contém as instruções para o sacerdote na celebração Eucarística e outros ritos. É o segundo livro litúrgico mais antigo do ocidente. A tradição o remete ao Papa Gelásio I (492-496 d.C.), mas o manuscrito em si é do século VIII (MS Reginensis 316).

“Recebe, Senhor, os dons que te oferecemos na solenidade da Bem-aventurada Maria, porque redunda em teu louvor que [ela] verdadeiramente tenha sido assunta à tua glória.” (Liber sacramentorum Romanae ecclesiae, XLVII, In Assumpt. Sanctae Mariae. xviiii Kal. Semptembres – 750 d.C.)


[1] Na obra Ancient Traditions of the Virgin Mary’s Dormition and Assumption, Stephen J. Shoemaker afirma sobre esses textos que: 

“Através da comparação deste apocalipse com outras antigas tradições apocalípticas tardias, Bauckham conclui que as “Palm Narratives” provavelmente tomaram forma tão cedo quanto o século IV. […] podemos datar a composição das narrativas do Liber Requiei/Obsequies para o século IV, o mais tardar, e como será visto no capítulo final, as peculiaridades doutrinais dessa narrativa confirmam isso como um terminus ante quem para as primeiras “Palm Traditions”.” (Earliest Dormition Traditions, p.43 and 46).

“[…] podemos tirar algumas conclusões provisórias sobre a data das primeiras “Palm Narratives” com base em seu conteúdo teológico. Embora deva ser admitido que tal método nem sempre é consistentemente confiável ou preciso, a variedade peculiar de ideias nessas primeiras narrativas parece sugerir sua existência em algum momento durante o terceiro ou quarto século.” (Prehistory and Origins of Traditions, p.254)

“[..] podemos concluir com algum grau de certeza que as primeiras “Palm Traditions” já existiam em algum momento antes de 400 EC, e muito provavelmente antes, talvez tão cedo quanto o século II.” (Conclusions, p.303)

[2] Sobre esses documentos, Stephen J. Shoemaker afirma que:

“A mais antiga das “Bethlehem narratives” é provavelmente uma obra conhecida como os Seis Livros, que é evidente em dois manuscritos siríacos primitivos, bem como em vários manuscritos siríacos posteriores e nas versões árabe e etíope.  O mais antigo desses manuscritos é um palimpsesto egípcio, datado por sua editora, Agnes Smith Lewis, no final do século V ou talvez no início do sexto, baseado em paleografia.[…] Richard Bauckham tenta datar as narrativas dos Seis Livros com mais precisão analisando sua conclusão apocalíptica, repetindo seus esforços com as “Palm Traditions”. Através da comparação com vários “passeios” apocalípticos do judaísmo e do cristianismo primitivos, Bauckham propõe que a narrativa dos Seis Livros é provavelmente “do século IV no máximo, mas talvez consideravelmente anterior”. Ele baseia sua determinação apenas no fato de que no apocalipse dos Seis Livros os mortos ainda não receberam sua recompensa ou punição. Embora Bauckham reconheça que essa visão continua a ser encontrada em textos até o século V EC, ele explica que não está presente em nenhum outro apocalipse posterior a meados do século II EC. Ele então continua a especular que o Urtext do qual ambas as “Palm/ Bethlehem traditions” dependem originalmente continha este apocalipse dos Seis Livros.” (“Earliest Dormition Traditions”, p.64 and 72)

[3] Shoemaker observa que: “Martin Jugie se opôs fortemente à interpretação desta passagem como uma testemunha da Dormição de Maria, uma vez que contradizia sua visão imortalista [i.e., que Maria foi assunta sem passar pela morte]. Ele sustentou, em vez disso, que o “corpo” ao qual o autor se refere aqui é provavelmente a Eucaristia, e não Maria, e somente em séculos posteriores os escritores (incorretamente, em sua opinião) chegaram a identificar esse “corpo” com a Virgem. Consequentemente, esta passagem não tem sido muito significativa em muitas discussões subsequentes sobre as primeiras tradições da partida de Maria desta vida. Mas estudos subsequentes do corpus dionisíaco mostraram que a rejeição bastante rude de Jugie foi imerecida. Em particular, estudos mais recentes demonstraram que a identificação desse “corpo vivificante que deu à luz a Deus” com o da Virgem é um pouco anterior ao que se pensava comumente no tempo de Jugie. Uma passagem da Scholia sobre o corpus dionisíaco, um comentário inicial sobre os escritos de Pseudo-Dioníso, explica que ‘por ‘fonte de vida que gerou Deus’ [o autor] significa o corpo da santa Theotokos que naquele momento adormeceu. Como outros de sua época, Jugie atribuiu esses escólios a Máximo, o Confessor, mas investigações recentes mostraram que a maioria desses comentários, incluindo este em particular, foi na verdade escrita por João de Citópolis, em algum momento entre 537 e 543. Assim, podemos estar bastante certos que, mesmo que esse significado talvez não fosse a intenção original do autor, poucas décadas após o aparecimento inicial do corpus dionisíaco, essa passagem passou a ser entendida como uma referência à Dormição da Virgem.”, André de Creta em sua Homilia II sobre a Dormição interpreta as palavras de Dionísio da mesma maneira.

[4] As duas versões fragmentárias foram publicadas em Pierre Lacau, ed.,Memoires publies par les membres de l’institut francais d’archeologie orientale du Caire, ix. Fragments d’apocryphes coptes (Cairo: Imprimerie de l’institut francais d’archeologie orientale, 1904), versão A: 25–32 (Copt.) e 33–7 (Fr.); versão B: 43–66 (Copt.) and 67–77 (Fr.). A versão completa (C) foi publicada em E. A. W. Budge, ed., Coptic Apocrypha in the Dialect of Upper Egypt (London: British Museum, 1913), 1–49 (Copt.) e 179–215 (Eng.).

[5] The Gospel of Bartholomew (Lacau, Memoires, 58 (Copt.) e 72 (Fr.); veja também a versão completa em Budge, Coptic Apocrypha, 15 (Copt.) and 192 (Eng.)). Sobre a prioridade dos fragmentos, ver Schneemelcher, New Testament Apocrypha, i. 537.

[6] Começando com Martin Jugie, um estudioso após o outro identificou essa passagem como uma interpolação na homilia de João, embora muito antiga; além disso, Jugie, e outros que o seguiram, até negaram a própria existência de um texto intitulado História Eutímia, do qual esta passagem poderia ter sido retirada. Tanto Jugie quanto o editor mais recente do texto de João, Bonifaz Kotter, descartam a História Eutímia como uma ficção absoluta, uma “história fingida” que foi inventada pelo falsário que inseriu essa tradição sobre as relíquias de Maria na segunda homilia de João, provavelmente em algum momento do século IX. No entanto, graças em grande parte ao trabalho de Antoine Wenger, sabemos agora que esta citação da História Eutímia foi tirada de um texto real, uma Vida agora perdida do líder monástico palestino do século V Eutímio. Embora Wenger permaneça convencido de que a passagem na homilia de João é uma interpolação inicial, ele demonstra que a História Eutímia era de fato um texto real usado por outros escritores, incluindo Nikon da Montanha Negra, que em seu Pandektai (composto entre 1059 e 1067) cita uma passagem de outro lugar na História Eutímia. Da mesma forma, Cosmas Vestitor fez uso da História Eutímia independentemente de João ao compor suas homilias da Dormição no final do século VIII, e a passagem citada por João aparece em um estado independente em um manuscrito grego não-editado do século VIII ou IX. Com base nisso, Wenger conclui que um texto real intitulado História Eutímia deve ter circulado o mais tardar em 750, e que pode muito bem pertencer ao século VI, posição também adotada por Simon Mimouni e Van Esbroeck, ambos os quais atribuem mais confiança para uma data do século VI. Recentemente, Alexander Kazhdan sugeriu que a visão predominante desta passagem como uma interpolação merece reconsideração…” (Shoemaker, “The Cult of Fashion: The Earliest Life of the Virgin and Constantinople’s Marian Relics”, p.68).



Categorias:Mariologia, Patrística, Tradição

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