INDEFECTIBILIDADE: DEUS PROTEGE A SUA IGREJA DO ERRO DOUTRINAL?

Parece-me que os críticos da alegada doutrina da infalibilidade e indefectibilidade católicas precisam lutar por uma destas duas coisas:

1) Ou que Deus é INCAPAZ de preservar a doutrina cristã sem erro ao longo da história através de homens por si mesmos e sem o Seu auxílio caídos, imperfeitos e falíveis e uma Igreja imperfeita dirigida por tais homens (ou seja, pecadores).

2) Ou que Deus era, é claro, CAPAZ de fazer isso se Ele escolhesse fazê-lo (sendo onipotente), mas Ele escolheu não fazê-lo.

Se o número 1 for escolhido, por que você acredita nisso? É por causa de uma negação da onipotência de Deus?

Se o número 2 for selecionado, por que pensar que Deus não protegeria a verdadeira teologia da corrupção, especialmente à luz do ensino bíblico de que o Espírito Santo nos guiará em toda a verdade?

Tal proteção de Sua Igreja é função da onipotência de Deus, indicada nas Escrituras como harmoniosa com o que, de fato, O vemos fazer, e envolve algo de suma importância para o bem-estar das almas.

Basicamente, meu argumento aqui é uma variação sutil de uma reductio ad absurdum: um exercício de coerência de lógica combinado com dados da revelação que protestantes e católicos têm em comum.

E, como sempre, estou sondando as premissas, porque acho que elas foram insuficientemente examinadas neste caso. De qualquer forma, se admitirmos que Deus permite o erro, quanto erro Ele permite? Deus vai até uma certa distância conosco e então ficamos sozinhos? Essa certamente não era a visão do concílio de Jerusalém (nem de São Paulo).

Tudo estava certo então, e “pareceu bem ao Espírito Santo e a nós” [Atos 15,28]. Mas isso foi antes dos dias em que denominações e divisões tinham que ser raciocinadas como algo remotamente sancionado pela Sagrada Escritura.

Costumo comparar uma Igreja infalível com a Bíblia infalível e inspirada, porque a maioria dos cristãos ortodoxos ao longo da história manteve uma visão muito elevada das Escrituras. Deus fez isso por meio de homens pecadores, então a pergunta se torna: “por que a doutrina ou os credos deveriam ser diferentes?” É uma questão muito séria (e acredito, importante). Não vejo isso como mera epistemologia; antes, é uma questão de confiança em Deus e aceitação do que parece bastante óbvio (pelo menos para mim) nas Escrituras; isto é, uma questão de revelação, que existe à parte de uma lógica epistemológica necessária.

Aceitamos o que ela diz com fé. Pode-se dizer que se trata também de hermenêutica, pois o que vejo na Bíblia parece perfeitamente harmonioso com uma Igreja autoritativa, preservada do erro.

Traduzido por: Jadson Targino

Texto de Dave Armstrong.

Link: https://www.patheos.com/blogs/davearmstrong/2017/09/indefectibility-god-protect-church-doctrinal-error.html



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