Os Pais da Igreja CONTRA a Ordenação Feminina

As mulheres podem ser ordenadas ao sacerdócio? Esta é uma questão que provoca muito debate em nosso mundo moderno, todavia, trata-se de uma pergunta a que a Igreja sempre respondeu: “Não”. A base para o ensino da Igreja sobre a ordenação é encontrada no Novo Testamento, bem como nos escritos dos Pais da Igreja.

Embora as mulheres pudessem orar e profetizar publicamente na igreja (1 Coríntios 11,1-16), elas NÃO podiam ensinar ou ter autoridade sobre um homem (1 Timóteo 2,11-14), uma vez que essas eram duas funções essenciais do clero. As mulheres também não podiam questionar ou desafiar publicamente o ensino do clero (1 Coríntios 14,34-38).

As seguintes citações dos Padres da Igreja indicam que as mulheres desempenham um papel ativo na Igreja e que na época dos Padres havia ordens de virgens, viúvas e diaconisas, mas que essas mulheres não eram ordenadas [ao ministério].

Os Padres rejeitaram a ordenação de mulheres [ao sacerdócio], não porque fosse [meramente] incompatível com a cultura cristã, mas porque era incompatível com a [própria] fé cristã. Assim, juntamente com as declarações bíblicas, o ensino dos Padres sobre este assunto formou a tradição da Igreja, que ensina que a ordenação sacerdotal foi reservada [exclusivamente] aos homens. Este ensinamento não mudou.

Além disso, em 1994, o Papa João Paulo II declarou formalmente que a Igreja não tem o poder de ordenar mulheres. Ele afirmou: “Embora o ensinamento de que a ordenação sacerdotal seja reservada apenas aos homens tenha sido preservado pela tradição constante e universal da Igreja e firmemente ensinado pelo magistério em seus documentos mais recentes, atualmente em alguns lugares é [algo], no entanto, considerado ainda aberto ao debate, ou [por vezes] o julgamento da Igreja de que as mulheres não devem ser admitidas à ordenação é considerado como tendo uma força meramente disciplinar. Por isso, para que se elimine toda dúvida sobre um assunto de grande importância, que pertence à própria constituição divina da Igreja, em virtude do meu ministério de confirmar os irmãos (cf. Lucas 22,36) declaro que a Igreja não tem autoridade alguma para conferir a ordenação sacerdotal às mulheres e que este julgamento deve ser definitivamente mantido por todos os fiéis da Igreja” (Ordinatio Sacerdotalis 4).

E em 1995 a Congregação para a Doutrina da Fé, em conjunto com o Papa, decidiu que este ensinamento “requer um consentimento definitivo, pois, fundado na Palavra escrita de Deus, e desde o início constantemente preservado e aplicado na tradição do Igreja, foi estabelecido infalivelmente pelo magistério ordinário e universal (cf. Concílio Vaticano II, Constituição Dogmática sobre a Igreja, Lumen Gentium 25,2)” (Resposta de 25 de outubro de 1995).

As seguintes citações dos Padres constituem uma parte da tradição na qual este ensinamento infalível se baseia.

IRINEU DE LYON

“Fingindo consagrar taças com misturas de vinho, ao prolongar as palavras de invocação, [Marco, o herege gnóstico] consegue dar-lhes uma cor roxa e avermelhada… Segurando taças com as misturas para as mulheres, pede a elas que as consagre em sua presença.

Feito isso, ele mesmo produz outra taça de tamanho muito maior do que a que a mulher iludida consagrou, e derramando da menor, consagrada pela mulher, na que foi trazida por ele mesmo, ele, ao mesmo tempo, pronuncia estas palavras: ‘Que Charis, que é antes de todas as coisas e que transcende todo conhecimento e fala, preencha seu homem interior e multiplique em você seu próprio conhecimento, semeando o grão de mostarda em você como em boa terra.’ Repetindo algumas outras palavras semelhantes, e assim incitando a mulher miserável [à loucura], ele então se mostra como um operador de maravilhas quando o copo grande é visto cheio do pequeno, de modo a transbordar pelo que foi foi obtido a partir dele. Ao realizar várias outras coisas semelhantes, ele enganou completamente muitos e os atraiu atrás de si” (Contra as Heresias 1:13:2 [AD 189]).

[Nota do Tradutor: repare que Sto. Irineu descreve em termos de reprovação a existência de sacerdotisas, ou seja, mulheres ordenadas, ministrando os sacramentos entre os hereges.]

TERTULIANO DE CARTAGO

“Não importa quão diversas sejam suas visões [dos hereges], há muito eles conspiram para apagar a única verdade. Eles estão inchados; todos oferecem conhecimento. Antes de terminarem como catecúmenos, quão bem instruídos são! E as próprias mulheres heréticas, como são sem vergonha! Elas se atrevem a ensinar, a debater, a fazer exorcismos, a realizar curas… ” (Prescrições contra os Hereges 41:4–5 [AD 200]).

“Não é permitido a uma mulher falar na igreja [1 Coríntios 14:34-35], tampouco [é permitido a ela]… oferecer, nem vindicar para si mesma qualquer função viril, para não dizer o ofício sacerdotal” (O Véu das Virgens 9 [AD 206]).

HIPÓLITO DE ROMA

“Quando uma viúva deve ser nomeada, ela não deve ser ordenada, mas [apenas] designada para ser nomeada [uma viúva]… Uma viúva recebe seu nome como tal apenas por palavras e é então associada às outras viúvas. As mãos não lhe são impostas, porque ela não oferece a oblação e não conduz a liturgia. A ordenação é para o clero, por causa da liturgia; mas uma viúva é separada para a oração, e a oração é o dever de todos” (A Tradição Apostólica 11 [AD 215]).

[Nota do Tradutor: as viúvas tinham extrema honra na Igreja Primitiva, e nem mesmo elas, segundo Hipólito, sendo mulheres experimentadas e notáveis, podiam ser ordenadas, quanto mais as outras.]

DIDASCALIA

“Pois não é para ensinar que vocês mulheres… são nomeadas… Pois ele, Deus, o Senhor, Jesus Cristo, nosso Mestre, nos enviou, os doze [apóstolos], para ensinar o povo [escolhido] e aos pagãos. Mas havia discípulas entre nós: Maria de Magdala, Maria, filha de Jacó, e a outra Maria; ele, porém, não as enviou conosco para ensinar o povo. Pois, se fosse necessário que as mulheres ensinassem, então nosso Mestre as teria orientado a instruir junto conosco” (Didascalia 3:6:1–2 [AD 225]).

[Nota do Tradutor: a Didascalia – Doutrina Católica dos Doze Apóstolos – é um documento primitivo muito importante, provavelmente redigido por algum bispo de origem judia durante o século III à uma comunidade cristã de origem gentia, serviu como base para as Constituições Apostólicas, um documento de importância canônica ímpar, com cânones confirmados até em Concílio Ecumênico.]

FIRMILIANO DE CESARÉIA MAZACA

“De repente surgiu entre nós uma certa mulher, que em estado de êxtase se anunciou como uma profetisa e agiu como se estivesse cheia do Espírito Santo… Através dos enganos e ilusões do demônio, essa mulher já havia começado a iludir os crentes de várias maneiras. Entre os meios pelos quais ela havia iludido muitos estava a ousadia de fingir que, por meio de invocação adequada, ela consagrou o pão e realizou a Eucaristia” (coletado nas Cartas de Cipriano 74:10 [AD 253]).

[Nota do Tradutor: repare que S. Firmiliano considera a atitude da mulher de usurpar o sacerdócio para si uma ‘ousadia’, e considera a consagração que ela tentou efetuar uma ‘ilusão’ para confundir os crentes.]

CONCÍLIO ECUMÊNICO DE NICÉIA I

“Da mesma forma, em relação às diaconisas, como com todos os inscritos no registro, o mesmo procedimento deve ser observado. Mencionamos as diaconisas, que foram inscritas neste cargo, embora, não tendo sido de forma alguma ordenadas, certamente devem ser contadas entre os leigos” (Cânon 19 [AD 325]).

[Nota do Tradutor: O Concílio de Nicéia I NÃO reconhece ‘presbíteras’ ou ‘bispas’, ‘episcopisas’. E quanto às diaconisas, diferentemente do que tentam fazer alguns cristãos na atualidade, por exemplo, citando Sta. Febe como um suposto caso de ‘ordenação diaconal feminina’ (cf. Rm 16,1), o concílio afirma claramente que as ‘diaconisas’ são leigas, servem enquanto parte do laicato e ‘não são de forma alguma ordenadas’.]

CONCÍLIO DE LAODICÉIA

“[As] que se chamam ‘presbíteras’ ou ‘presidentes’ não devem ser ordenadas na Igreja” (Cânon 11 [AD 360]).

EPIFÂNIO DE SALAMINA

“Certas mulheres lá na Arábia [entre os Colliridianos]… Em uma cerimônia ilícita e bárbara ordenam mulheres, por meio das quais oferecem o sacrifício em nome de Maria. Isso significa que todo o processo é ímpio e sacrílego, uma perversão da mensagem do Espírito Santo; de fato, a coisa toda é diabólica e um ensinamento do espírito impuro” (Remédio Contra as Heresias 78:13 [377 d.C.]).

É verdade que na Igreja há uma ordem de diaconisas, mas não de sacerdotisas, nem qualquer tipo de trabalho de administração, mas por causa da dignidade do sexo feminino, seja no momento do batismo ou de examinar os doentes ou sofredores, para que o corpo nú de uma mulher não seja visto pelos homens que administram os ritos sagrados, mas pela diaconisa” (ibid.).

“A partir deste bispo [Tiago, o Justo] e dos apóstolos recém-nomeados, foi estabelecida a sucessão de bispos e presbíteros [sacerdotes] na casa de Deus. Nunca uma mulher foi chamada para isso… De acordo com a evidência das Escrituras, havia, com certeza, as quatro filhas do evangelista Filipe, que se dedicavam à profecia, mas não eram sacerdotisas” (ibid.).

“Se as mulheres fossem encarregadas por Deus de entrar no sacerdócio ou assumir o cargo eclesiástico, então na Nova Aliança não caberia a ninguém mais do que Maria o cumprir uma função sacerdotal. Ela foi investida de uma honra tão grande que lhe foi permitido fornecer uma morada em seu ventre para o Deus celestial e Rei de todas as coisas, o Filho de Deus… Mas Deus não achou isso [a atribuição do sacerdócio a ela] algo bom” (ibid., 79:3).

JOÃO CRISÓSTOMO

“[Quando] se incumbe a alguém de presidir a Igreja e a ser encarregado de cuidar de tantas almas, todo o sexo feminino deve se retirar diante da magnitude da tarefa, e também a maioria dos homens, e devemos apresentar aqueles que em grande medida superam todos os outros e se elevam tanto acima deles em excelência de espírito quanto Saulo ultrapassou toda a nação hebraica em estatura corporal” (O Sacerdócio 2:2 [AD 387]).

AS CONSTITUIÇÕES APOSTÓLICAS

Uma virgem não é ordenada, pois não temos tal ordem do Senhor, pois este é um estado de prova voluntária, não por reprovação do casamento, mas por motivo de obter tempo livre para a piedade” (Constituições Apostólicas 8:24 [AD 400 d.C. ]).

“Nomeie, [ó Bispo], uma diaconisa, fiel e santa, para o ministério das mulheres. Pois às vezes não é possível enviar um diácono a certas casas de mulheres, por causa dos incrédulos. Envie uma diaconisa, por causa dos pensamentos dos mesquinhos. Uma diaconisa é útil para nós também em muitas outras situações. Antes de tudo, no batismo das mulheres, o diácono tocará apenas a testa com o óleo sagrado, e depois a própria diácona as unge” (ibid., 3:16).

“[O] ‘homem é a cabeça da mulher’ [1 Cor. 11,3], e ele é originalmente ordenado para o sacerdócio; não se trata de apenas revogar a ordem da criação e deixar o primeiro chegar à última parte do corpo. Pois a mulher é o corpo do homem, tirado de seu lado e sujeito a ele, de quem foi separada para a procriação dos filhos. Pois diz: ‘Ele dominará sobre você’ [Gen. 3,16]. . . . Mas se nas constituições anteriores não permitimos que elas [as mulheres] ensinem, como alguém permitirá que elas, contrariamente à natureza, exerçam o ofício de sacerdote? Pois esta é uma das práticas ignorantes do ateísmo gentio, ordenar mulheres sacerdotes para as divindades femininas, não uma das constituições de Cristo” (ibid., 3:9).

“A diaconisa não abençoa, tampouco realiza algo do que é feito [somente] pelos presbíteros e diáconos, mas guarda as portas e ajuda muito os presbíteros, por decoro, quando batizam as mulheres” (ibidem). ., 8:28).

AGOSTINHO DE HIPONA

“[Os Quintilianos são hereges que] dão predominância às mulheres para que também estas possam ser honradas com o sacerdócio entre elas. Eles dizem, a saber, que Cristo se revelou… a Quintilla e Priscilla [duas profetisas montanistas] na forma de uma mulher” (Heresias 1:17 [AD 428]).

[Nota do Tradutor: Sto. Agostinho vai na mesma linha que Sto. Irineu, descreve pejorativamente o sacerdócio feminino entre hereges.]

NIHIL OBSTAT: Concluí que os materiais apresentados nesta obra estão isentos de erros doutrinários ou morais.

Bernadeane Carr, STL, Censor Librorum, 10 de agosto de 2004.

IMPRIMATUR: De acordo com a CIC 827 de 1983, é concedida permissão para publicar este trabalho.

+ Robert H. Brom, Bispo de San Diego, 10 de agosto de 2004.

[Nota do Tradutor: esse artigo do Catholic Answers conta com um Imprimatur de um Bispo, ou seja, autorização concedida pela autoridade eclesiástica competente permitindo a veiculação de um texto, reafirmando ainda mais o fato de que esse texto represente a posição da Igreja com fidelidade.]

Tradutor: Jadson Targino

Texto da Catholic Answers.

Link: https://www.catholic.com/tract/women-and-the-priesthood



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